
Mercado Externo: Paz no Oriente Médio?
Os principais índices acionários norte-americanos terminaram a quinta-feira (9) em baixa perante o prosseguimento da paralisação do governo norte-americano e o avanço das incertezas político-econômicas no país. Agentes aguardam novas determinações e posicionamentos dos líderes políticos e do Federal Reserve. Na manhã desta sexta-feira (10), as bolsas estadunidenses abrem em estabilidade, de maneira mista, sem muitos estímulos para maiores volatilidade uma vez que as negociações no congresso andam em “marcha lenta”.
No Oriente Médio, foi aprovado um acordo bilateral entre o Hamas e Israel para um cessar-fogo, que deve ocorrer por definitivo dentro das próximas 24 horas. Há 72 horas para que os reféns e prisioneiros capturados por ambos os lados sejam soltos. Um contexto de paz na região deve ser bastante relevante para o mercado, que pode absorver novos níveis voláteis dados os desdobramentos do acordo.
No contexto nacional, o principal ponto de pessimismo do mercado são os entraves fiscais, uma vez que a MP 1303 fora derrubada no congresso. A medida previa a unificação da alíquota do IR em 18% abrangendo todas as operações financeiras, aumento da tributação sobre essas operações e regularizações no âmbito das apostas. Agora, o governo deverá se esforçar para revisar o plano orçamentário para 2026 dado que, através da decisão do congresso, o setor público deixará de arrecadar cerca de 42 bilhões de reais.
O Ibovespa encerrou as operações ontem sobre um recuo de 0,31% dado o escopo fiscal e as quedas dos índices acionários da Petrobrás. No primeiro recorte matinal desta sexta-feira, o índice opera em alta.
A precificação do dólar avançou perante o contexto de incertezas e de alto risco em relação à economia estadunidense. O movimento da divisa americana foi de alta em detrimento das outras moedas do globo, em geral. A agenda hoje, tanto nos Estados Unidos como no Brasil, apresenta-se um tanto quanto vazia, e, desta forma, qualquer atualização relevante na esfera político-econômica pode proporcionar variações mais acentuadas no domínio cambial.
Na Ásia, os destaques do mercado são concebidos pelo Japão, uma vez que ocorreu um rompimento na coalizão governamental entre o Partido Liberal Democrata (PLD) de Sanae Takaichi e o partido Komeito, de Tetsuo Saito. O escândalo que originou o impasse está associado às doações públicas. Saito exigiu regras mais rígidas neste segmento e sentiu-se ignorado por Takaichi. Assim, ocorreu o rompimento da coalizão que durou 26 anos.
As bolsas asiáticas reagiram de maneira negativa às instabilidades no Japão e fecharam o dia em baixa. Na Europa, mercados operam de maneira mista perante o conturbado contexto político francês.
Soja em baixa
Os estímulos otimistas estão acabando de ser absorvidos pelo mercado. Isto é, a esperança de um auxílio financeiro aos produtores, mediante o anúncio feito por Trump, vem decaindo dia após dia, ainda que este tenha sido um fator altista para a soja ao longo da semana.
Os acordos com a China que poderiam significar uma maior demanda pelo grão norte-americano também são consideravelmente improváveis. A quantidade de suprimentos em estoque proporciona certa autonomia à nação asiática até que a safra de início do ano comece a ser colhida no Brasil.
Desta maneira, a soja voltou, ao longo da quinta-feira (9) a contemplar uma dinâmica baixista, que foi novamente alimentada pelos movimentos do mercado no pregão noturno desta sexta-feira (10).
Milho em baixa
O milho acompanhou as perdas no complexo de soja e recuou nesta última sessão.
O comportamento do grão tem sido bastante oscilante desde setembro, mas mais especificamente sobre o intervalo da última semana. Esta dinâmica advém da coexistência de fatores altistas e baixistas no mercado.
O aquecimento das exportações é tido como alto, o que há de fornecer suporte ao grão. Entretanto, como não houve a divulgação do relatório de vendas de exportações pelo USDA nas últimas duas semanas, os agentes se encontram um pouco “no escuro” quanto a esses dados e à continuação das vendas fortes.
Condições climáticas secas no centro-oeste dos Estados Unidos devem potencializar e acelerar as colheitas em diversos estados da região produtores, apesar de alguns pontos de precipitação no Corn Belt.
Trigo em baixa
O trigo também refletiu o comportamento dos outros grãos no pregão noturno desta sexta-feira.
A dinâmica baixista predominante se dá perante a ampla oferta em âmbito mundial e, consequentemente, altos níveis de competitividade em torno do grão.
Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro.

Fonte: CommodityNetwork Traders-Pro em relação ao fechamento do dia anterior.

Fonte: **Estimativas StoneX.