
Mercado Externo: Negociações comerciais tomam holofotes desta quinta-feira
Os principais índices acionários estadunidenses encerraram as operações desta quarta-feira (15) de maneira mista, sem uma direção única.
O comportamento dos ativos financeiros reflete um pouco a incerteza que paira nos ares norte-americanos, dado a continuidade da paralisação do governo e a falta de consenso no congresso acerca do plano orçamentário para o próximo ano fiscal. O shutdown chega hoje ao décimo-sexto dia. As suspensões nas divulgações dos relatórios econômicos relevantes pelos órgãos públicos continuam e permanecem gerando nebulosidade de informações aos agentes de mercado.
Tensões comerciais entre China e EUA continuam em pauta. Representantes dos dois países devem se encontrar na Coreia do Sul ao final do mês.
Donald Trump autorizou operações secretas da CIA às margens do território venezuelano. As tensões entres as duas nações deve gerar mais preocupações e cautelas ao mercado, principalmente se houver uma escalonada nos procedimentos bélicos.
Hoje, o governo brasileiro se encontrará com o governo estadunidense para debater acerca dos entraves e tratativas comerciais. O representante brasileiro será Mauro Vieira, Ministro das Relações Exteriores, enquanto Marco Rubio, Secretário de Estado, representará o lado americano. Mercado aguarda por avanços nas negociações.
Ontem, o Ibovespa fechou em alta. O movimento ocorre em paralelo à ligeira desvalorização diária do dólar frente ao real. O desenrolar das tratativas comerciais entre China e EUA e a estratégia monetária do Fed devem fornecer mais pistas acerca do comportamento da divisa norte-americana nos próximos momentos, ainda que, no Brasil, haja uma preocupação da esfera financeira quanto à questão fiscal. Hoje, a princípio, a bolsa brasileira trabalha em leve recuo.
Na Europa, ativos financeiros operam de maneira mista após a renomeação de Sébastien Lecornu para primeiro-ministro da França e redução prévia/ligeira das instabilidades. Na Ásia, mercados encerraram a quinta-feira com ganhos.
Soja em alta
A precificação da soja em Chicago encontrou suporte neste pregão noturno após permanecer praticamente estável na sessão diurna desta quarta-feira.
Os recentes ganhos podem ser atribuídos, sobretudo, à divulgação mensal de esmagamento de soja pela Nation Oilseed Processors Association (NOPA). Os números de esmagamento do grão nos Estados Unidos em setembro corresponderam a 5,39 milhões de toneladas, 4,2% a mais que em agosto, 11,6% a mais que em setembro de 2024 e 6,2% a mais em comparação às expectativas de mercado para este período, que eram de 5,07 milhões de toneladas.
As quantidades esmagadas acima das estimativas demonstram que houve, no mês de setembro, um consumo um tanto quanto elevado, o que atribui certos estímulos altistas aos futuros pela ótica da demanda.
Ainda assim, o cenário continua predominantemente baixista para o mercado, uma vez que as tensões comerciais entre China e Estados Unidos continuam e mediante a ausência da própria nação asiática na pauta exportadora americana.
O auxílio financeiro de Trump aos produtores de soja fora colocado em segundo plano, uma vez que o governo norte-americano se encontra parcialmente paralisado há 16 dias. Desta maneira, a absorção desse estímulo altista foi cessada momentaneamente.
Milho estável
O milho encerrou a última sessão em estabilidade após ganhos na quarta-feira.
Avanços na colheita nos Estados Unidos e previsões de safra recorde seguem pressionando os futuros do milho em Chicago, ainda que condições climáticas desfavoráveis e doenças possam ter prejudicado a produtividade no Midwest. Por outro lado, a dimensão exportadora norte-americana segue aparentemente bastante aquecida, tendo em base as recentes inspeções semanais de embarcações do grão pelo USDA.
Assim, percebe-se a coexistência de fatores altistas e baixistas que é determinante para a oscilação da precificação entra perdas e ganhos.
De maneira geral, também, o comportamento do milho reflete a dinâmica do complexo de soja, uma vez que os grãos possuem alta correlação, além de ser influenciado pelo conturbado contexto macroeconômico global e, principalmente, pela guerra comercial entre China e EUA.
Trigo em baixa
Ainda que, pela ótica da demanda, as exportações norte-americanas para o trigo estejam atingindo patamares recordes dos últimos 12 anos, a ampla oferta em âmbito mundial e a alta competitividade do grão seguem pesando nos futuros.
O desenvolvimento da cultura de inverno nos Estados Unidos deve apresentar boa evolução, apesar da não-divulgação dos dados de atualização de safra pelo USDA. Nas próximas semanas, são esperadas chuvas em parcela bastante significativa de área de plantio, sobretudo nas regiões noroeste e centro-oeste.
No resto do mundo, as safras e expectativas de colheita são robustas, o que contribui para novas elevações na competitividade em torno do grão.
Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro.

Fonte: CommodityNetwork Traders-Pro em relação ao fechamento do dia anterior.

Fonte: **Estimativas StoneX.