
Mercado Externo: Alívio nas tensões comerciais entre China e EUA promove ganhos aos mercados
Os principais índices acionários apresentaram altas na última sexta-feira (17) dados os pequenos alívios nas tensões comerciais entre China e EUA e a diminuição das preocupações acerca de uma possível crise de crédito norte-americana. Nesta manhã de segunda-feira (20), os ativos financeiros norte-americanos operam majoritariamente em alta, dando continuidade ao comportamento da última sexta-feira. O otimismo do governo norte-americano para avanços nos acordos comerciais com a China, mediante o próximo encontro entre Trump e Xi, na Coreia do Sul ao final do mês, é repassado aos mercados.
A economia chinesa apresentou um crescimento anualizado de 4,8% para o terceiro trimestre, período de julho a setembro. Ainda que os resultados tenham vindo abaixo dos últimos dois trimestres, estiveram dentro das expectativas de mercado. O enfraquecimento da economia chinesa está fortemente associado a uma desaceleração da atividade exportadora no país.
O shutdown do governo norte-americano chega hoje ao vigésimo dia. Ainda não há consenso no congresso acerca do plano orçamentário para o novo ano fiscal. As divulgações de relatórios relevantes, tanto para a pauta econômica quanto para o segmento agrícola, continuam suspensas. Sob essa ótica, portanto, agentes seguem operando em meio às nebulosidades.
O Ibovespa encerrou as operações da última sexta-feira em alta, acompanhando as principais bolsas internacionais. Hoje, o índice inicia contemplando leves quedas, praticamente estável.
Na Ásia, bolsas fecharam a segunda-feira com ganhos. O destaque vai para o Nikkei, do Japão, que teve uma alta de 3,37%. Os ganhos robustos do setor financeiro japonês advêm do acordo de coalizão política entre o Partido Liberal Democrata, de Sanae Takaichi, e o Partido de Inovação Japonês. O acordo pode significar em um caminho mais fácil/menos turbulento para que Takaichi alcance o cargo de primeira-ministra do país. As negociações geraram reações bastante positivas ao mercado regional.
Após perdas na semana passada advindas das instabilidades norte-americanas, os mercados europeus operam em alta nesta segunda-feira.
Soja em alta
A soja deu prosseguimento ao comportamento de alta no pregão noturno desta segunda-feira após ganhos bastante consideráveis nos últimos dias.
A recuperação do grão em Chicago se dá perante o otimismo de Donald Trump em torno de um acordo comercial para com a China. O representante norte-americano acredita que haverá avanços nas tratativas, sobretudo no que diz respeito à soja, e que os chineses aceitem comprar volumes de soja dos Estados Unidos em troca de alívios tarifários. Dessa maneira, o otimismo do discurso de Trump está sendo passado à esfera financeira e, sobretudo, de maneira mais direta, ao mercado de soja.
Ainda assim, a maior autonomia de soja americana conquistada pela China nos últimos momentos pode limitar as expectativas de altas mais acentuadas e longevas. A nação asiática possui suprimentos até a próxima colheita da safra brasileira, no início do ano que vem.
Milho estável
Desta vez, os futuros do milho em CBOT não acompanharam os ganhos mais robustos do complexo de soja. O milho norte-americano permaneceu estável, contemplando até mesmo uma leve perda, nesta última sessão. Na sexta-feira, o grão havia se valorizado, mas de maneira bem menos intensa que a soja.
A dinâmica da precificação do milho em Chicago está sendo determinada pela coexistência de estímulos altistas e baixistas.
Sob a ótica altista, tem-se o aquecimento das exportações norte-americanas para o grão. Entretanto, os dados mais recentes foram suspensos de divulgação devido à paralisação do governo. Assim, a manutenção dos altos níveis de venda de milho estadunidense das últimas semanas ainda está passível de confirmação pelo USDA.
Por outro lado, a estimativa de números recordes de produção para a safra 25/26 nos Estados Unidos podem pesar à precificação.
A colheita nos Estados Unidos está evoluindo. Ainda que não haja dados de atualização de safra devido ao shutdown desde o dia 28 de setembro, estima-se que a colheita esteja ocorrendo em ritmo acelerado. Espera-se um clima mais seco nos próximos dias, o que seguirá influenciando a colheita no país.
Trigo em baixa
Após encerrar a última semana em estabilidade e, inclusive, contemplando leves ganhos, o trigo em Chicago voltou a recuar neste último pregão noturno.
O trigo norte-americano no momento é o mais barato do mundo, junto ao Argentino, que vem sendo também bastante competitivo. No Brasil, a precificação também vem despencando, sobretudo no Rio Grande do Sul, estado que mais produz o grão no país. Na Rússia, os números de produção são também bastante significativos. Em suma, a dinâmica para o trigo é baixista em todo o mundo dados os altos níveis de oferta, safras robustas, estimativas altas para as próximas colheitas e, desta maneira, a alta competitividade do grão internacionalmente.
A cultura de inverno nos EUA está em estágio de plantio. O desenvolvimento das semeaduras pode ter sido impactado, sobretudo no Meio-Oeste e Meio-Sul estadunidense, devido à seca.
Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro.

Fonte: CommodityNetwork Traders-Pro em relação ao fechamento do dia anterior.

Fonte: **Estimativas StoneX.