
Mercado Externo: Sanções de Trump movimentam mercado pelo segmento do petróleo
Os mercados acionários norte-americanos iniciam o dia predominantemente em alta nesta quinta-feira. Um movimento de queda nos rendimentos das Treasuries americanas pode favorecer ativos mais arriscados. A leitura do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) dos EUA, que será publicado amanhã pela manhã, será ponto de atenção crucial para o caminho das taxas de juros na maior economia do mundo, o que tem feito os investidores se anteciparem.
Independente do CPI, o caminho de um novo corte de juros na reunião do Federal Reserve na semana que vem já está praticamente sacramentado pelo mercado. O foco da autarquia tem transicionado mais para o mercado de trabalho do que para a inflação nos últimos meses. Dessa forma, em vista da fraqueza do mercado de trabalho, o Fed deve ter um posicionamento mais expansionista daqui para frente.
Essa postura da política monetária norte-americana se soma às falas do presidente do Banco Central do Brasil para contribuir com um fortalecimento do real nas primeiras negociações desta quinta-feira. Gabriel Galípolo declarou nesta madrugada que a autoridade monetária está “bastante incomodada” com a inflação fora da meta, o que sugere que devemos ver a manutenção de juros altos no Brasil. Essa ampliação do diferencial de juros entre Brasil e EUA tende a fortalecer o real em relação ao dólar.
A temporada de balanços de empresas americanas continua ao longo desta semana, com resultados recentes da Tesla e IBM diminuindo o ânimo no mercado. No Brasil, o Ibovespa tem reagido bem a resultados da Vale, bem como por potenciais ganhos para petrolíferas frente à valorização recente do petróleo no mercado global.
O petróleo tipo Brent abriu em forte alta após Trump anunciar sanções contra duas gigantes russas do mercado de petróleo nesta madrugada. Essa escalada de tensões resulta em um crescimento dos prêmios de risco do petróleo no Leste Europeu, com possível queda na disponibilidade da commodity em diversas regiões. O assunto foi mais bem explorado no Diário de Petróleo de hoje.
Ainda nas commodities, o ouro tem recuado após um forte rali nas últimas semanas. Tendo alcançado as máximas históricas perto dos US$ 4.400/ton na segunda-feira, o metal é negociado pouco acima dos US$ 4.100/ton nesta manhã. Embora o movimento corretivo chame atenção, a tendência de uma demanda por ouro fortalecida globalmente em meio a fortes incertezas macroeconômicas segue apoiando a tendência altista de longo prazo.
Por fim, Trump publicou uma nota ontem se mostrando bastante incomodado com a escalada nos preços de carne nos Estados Unidos. O presidente dos EUA declarou que o único motivo por trás dos aumentos do preço do gado no país são as tarifas que ele aplicou, com destaque para os 50% de tarifas contra o Brasil. Além de ser uma confissão translucida de que a sua política tarifária é inflacionária para o consumidor americano, o comentário de Trump também reforça a ideia que uma postura comercial mais amigável com grandes exportadores de carne, como Brasil e Argentina, poderia ser um caminho para diminuir os preços da proteína animal, o que pode ser um fator positivo na reunião que ele terá com autoridades brasileiras neste domingo para discutir as tarifas.
Soja em alta
A soja apresentou novos ganhos nesta sessão após permanecer praticamente estável nas operações desta quarta-feira.
No atual momento, tem-se que a soja está encontrando suporte através da ótica da demanda dados os altos níveis de esmagamento nos Estados Unidos.
Acerca da guerra comercial, entende-se que o mercado está bastante sensível quanto as notícias. Ligeiras perdas e ganhos vem sendo contemplados, de maneira oscilante, pelo grão em Chicago nos últimos dias. Trump anunciou que está planejando uma viagem à China ao início do ano que vem, o que seria significante para os avanços nas tratativas. Considerando isso, o mercado pode ter uma reação otimista nos próximos momentos. Entretanto, os Estados Unidos estudam sobre a possibilidade de impor limitações de exportação de softwares americanos à China, como retaliação às determinações chinesas acerca das terras-raras.
Nos Estados Unidos, o recente clima seco pode ter contribuído para avanços significativos nas colheitas no Meio-Oeste ainda que as atualizações de safra pelo USDA estejam suspensas dada a continuidade do shutdown. Nos próximos dias, as expectativas climáticas continuam apontando para baixos níveis de precipitação na região. No meio-sul, são esperadas algumas chuvas, o que pode impactar a colheita na Lousiana, Mississipi e Arkansas.
No Brasil, o ritmo de plantio da soja é bom no sul e no centro-oeste. As expectativas para a safra brasileira são grandes, tanto em termos de produtividade, como também em esmagamentos e exportações. A competitividade em torno do grão deve aumentar consideravelmente no início do ano que vem em meio aos resultados desta safra no país. Nos próximos sete dias, a climatologia aponta para baixos níveis de precipitação no Mato Grosso e no Rio Grande do Sul, os dois maiores produtores de soja brasileira. Desta maneira, os estágios iniciais de desenvolvimento da cultura podem ser impactados nesse recorte, ainda que os próximos meses sejam potencialmente chuvosos.
Milho estável
O milho encerrou este pregão em estabilidade após poucas movimentações, também, na sessão diurna de ontem.
Os fatores baixistas e altistas para o grão continuam em coexistência. A forte demanda expressada pelas aquecidas exportações norte-americanas faz com que os preços tenham estímulos de suporte. Entretanto, sob a ótica da oferta, sabe-se que as expectativas para a safra 25/26 nos EUA continuam a tangenciar patamares recordes. As safras são consideradas fortes em outras regiões do globo, também.
O crescimento da produção de etanol nos Estados Unidos também vem sendo significativo para as precificações em Chicago, uma vez que o consumo de milho a partir desta destinação segue em tendência de aumento. A Energy Information Administration (EIA) apontou para a força das exportações de etanol pelo país, e mostrou números que revelam a evolução positiva da produção do combustível. Na semana passada, encerrada na sexta-feira (17), a média diária da produção americana atingiu patamares de 1,11 milhão de barris (+3,5%)
Trigo estável
O trigo, assim como o milho, também encerrou as operações desta sessão em estabilidade.
A dinâmica baixista continua predominante dada a ampla oferta internacional.
No recorte americano, tem-se que as exportações continuam em alto nível uma vez que o trigo americano se situa em uma posição de alta competitividade mediante os baixos preços.
As semeaduras da safra de inverno estão ocorrendo mediante à seca no Meio-Oeste e Meio-Sul do país. Nos próximos dias são esperados níveis maiores de precipitação na região sul, sobretudo no Texas, Oklahoma e Kansas, o que poderia contribuir positivamente para o desenvolvimento da cultura.
A safra chinesa vem encontrando difícil desenvolvimento e incertezas à medida que as condições climáticas são pouco favoráveis. Em caso de confirmação de perda de produtividade e qualidade dos grãos no país, pode-se esperar níveis de importação maiores pela nação asiática, o que movimentaria, certamente, o mercado. Ainda assim, sob este cenário, é incerto que a China realize as comercializações junto aos EUA dados os conflitos comerciais.
A Argelia foi outro país que movimentou as negociações ontem, visto que realizou a compra de cerca de 600 mil toneladas de trigo, sobretudo do Mar Negro, Bulgaria e Romênia. Dado que as comercializações não ocorreram junto aos EUA, a precificação de Chicago foi, talvez, pouco impactada pela movimentação da nação africana.
Potenciais continuidades no movimento de alta do dólar frente as moedas emergentes, dado o cenário de alta incerteza global, podem prejudicar um pouco o ritmo de exportações americanas do grão, fator baixista para os futuros em Chicago.
O retorno gradual das operações da Farm Service Agency pode estimular os mercados de soja, milho e trigo, uma vez que a possibilidade de crédito agrícola, garantias financeiras entre outras bonificações tendem a diminuir a pressão sobre os produtores norte-americanos.
Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro.

Fonte: CommodityNetwork Traders-Pro em relação ao fechamento do dia anterior.

Fonte: **Estimativas StoneX.