
Mercado Externo: Olhares atentos ao juros do Fed e à tão esperada reunião entre Trump e Xi Jinping
Ontem, os principais índices acionários norte-americanos encerraram as operações em alta em meio às expectativas para a decisão de juros do Fed, às tratativas de Trump na Ásia, e à espera da divulgação de balancetes de grandes companhias do setor de tecnologia, como a Microsoft, Apple e Amazon, nesta semana.
O Federal Reserve divulgará a decisão de juros hoje às 15h (horário de Brasília). É consensual que haverá um corte de 0,25 na taxa de juros nos EUA, o que deve reduzir o intervalo para a faixa entre 4% e 3,75% a.a. Este provável corte tende a impactar tanto a esfera produtiva norte-americana quanto à dimensão financeira, e deve ocorrer após recentes percepções de desaceleração econômica e, sobretudo, no mercado de trabalho. A recente divulgação de índices inflacionários (CPI) abaixo das expectativas de mercado praticamente sacramentou a decisão que será confirmada daqui algumas horas.
O dólar, que já encerrou as negociações desta terça-feira (28) abaixo, deve continuar a apresentar recuos em meio à decisão, o que pode potencializar a operação de ativos financeiros e moedas emergentes, como o real. Paralelamente, o Ibovespa se mostra novamente bastante forte neste momento dado que ontem obteve o maior patamar de fechamento da história.
Donald Trump segue na Ásia e, após dialogar com o Camboja, Malásia, Tailândia e Vietnã, encontrou-se ontem com Sanae Takaichi, primeira-ministra do Japão. Os resultados da conversa foram bastante produtivos, e negociações contemplaram os recursos de terras-raras, investimentos no segmento militar, entre outras colaborações. Para finalizar a visita do norte-americano ao continente asiático, haverá a tão aguardada reunião com Xi Jinping amanhã (30) na Coreia do Sul. O mercado aguarda euforicamente por avanços comerciais entre as duas grandes potências econômicas mundiais.
O encontre entre Trump e Takaichi potencializou os ganhos do Nikkei, no Japão, que contemplou uma alta de 2,17% nesta quarta-feira. De maneira geral, os índices asiáticos encerraram o dia sem direção única. Na Europa, semelhantemente, as bolsas operam de maneira mista nesta manhã à espera das determinações monetárias nos Estados Unidos.
Soja em baixa
A soja contemplou recuos técnicos de mercado nesta sessão noturna após atingir as máximas de fechamento dos últimos 15 meses ontem. O contrato em CBOT esteve negociado em US¢1092,25/bu ao fim das operações da terça-feira.
Os futuros encontraram resistência ao atingirem os patamares de US¢1107,75/bu nesta manhã, e as altas devem ter sido limitadas por certa pressão de venda e fixação de preços pela ponta produtora.
A euforia em torno do potencial acordo de compra de soja entre China e Estados Unidos, que deve ser confirmado amanhã mediante à reunião Trump-Xi, segue ditando o ritmo do mercado. A estatal chinesa COFCO realizou a compra de cerca de 180 mil toneladas de soja americana, e esse pode ser interpretados como o início da retomada de operações envolvendo o grão entre os dois países.
Esta quinta-feira será, potencialmente, um dia decisivo para o comportamento da soja em Chicago nos próximos momentos. Ainda não se sabe ao certo qual o volume de soja será importado em caso de confirmação de um acordo comercial, mas agentes seguem atentos para a resolução desta tratativa.
Apurações da StoneX sugerem que os fundos especulativos adicionaram 36 mil posições compradas na bolsa americana apenas nos dois primeiros dias dessa semana, o que é explicado por esse otimismo recente.
Milho em baixa
O milho acompanhou a soja e sofreu um ligeiro recuo técnico neste pregão noturno.
Os diálogos produtivos entre Trump com Sanae Takaichi são bastante favoráveis ao milho estadunidense, uma vez que a ilha asiática é uma das principais destinações do grão. Facilitações comerciais entre os dois países tendem a, portanto, potencializar as exportações de milho norte-americano, que já se encontram em alto volume há certo tempo conforme as inspeções semanais do USDA.
O clima no Meio-Oeste dos Estados Unidos deve continuar seco nos próximos dias, o que deve garantir um ritmo mais acelerado da colheita que, conforme a média dos últimos anos, deve estar completa em cerca de 75%.
Trigo em baixa
O trigo apresentou quedas nesta sessão após alta na terça-feira.
O grão em Chicago vem acumulando uma sequência de ganhos junto ao complexo de grãos nos últimos dias.
O número líquido de posição dos fundos especulativos vem crescendo recentemente, o que reflete os respiros dos futuros do trigo em meio às atualizações comerciais positivas no escopo macroeconômico. Entretanto, o volume de posições vendidas ainda é bastante significativo uma vez que, para a commodity, a dinâmica baixista ainda é predominante.
A União Europeia anunciou que 6,25 milhões de toneladas de trigo foram exportadas desde o dia 1 de julho até o dia 26 de outubro, 21% a menos do que as quantidades correspondentes ao mesmo momento no ano anterior. A queda do volume exportado de um ano para o outro revelam a alta evidenciam a alta competitividade de outras regiões.
Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro.

Fonte: CommodityNetwork Traders-Pro em relação ao fechamento do dia anterior.

Fonte: **Estimativas StoneX.