
Mercado Externo: China quebra o silêncio
Nos Estados Unidos, os principais índices acionários encerraram as operações dessa terça-feira (4) em baixa. Os agentes em Wall Street estão passando a adotar certo ceticismo acerca dos resultados das companhias norte-americanas. Os gigantes do setor tecnológico carregam os ganhos, mas há uma parcela significativa de balancetes que desapontaram os investidores recentemente.
Hoje, os olhares do mercado estão atentos para a divulgação do relatório de emprego da ADP, do setor privado, que deve fornecer alguns direcionamentos aos agentes e entregar pistas no que diz respeito a próxima decisão do Fed em meio à suspensão do Payroll devido ao shutdown.
A China oficializou alguns acordos comerciais com os Estados Unidos nesta quarta-feira. Tarifas retaliatórias sobre bens agrícolas americanos foram suspensas, com exceção da soja, que ainda segue com uma taxa de 13%. Importações de demais produtos estadunidenses seguem com uma tributação de 10%.
Nesta quarta-feira, o destaque se dá na cena nacional à medida que o Copom determinará os caminhos para os juros brasileiros. As expectativas são de que a SELIC permanecerá em 15% a.a, o que deve contribuir para o diferencial de juros entre Brasil e EUA e, deste modo, entregar novos estímulos de atratividade aos ativos na esfera financeira nacional e fortalecer o real frente à divisa norte-americana.
Na Ásia, as bolsas fecharam em queda, com exceção aos mercados chineses. No Japão, as perdas foram novamente significativas, pelo segundo dia consecutivo. Os ganhos obtidos em meio à euforia do acordo com os EUA estão sendo devolvidos, tanto no Japão quanto na Coreia do Sul. Na Europa, mercados operam em queda nesta quarta-feira.
Soja em alta
Após os anúncios em Pequim nesta quarta-feira, a soja encontrou algum suporte após as perdas na sessão de ontem. Ainda assim, a soja americana foi o único bem agrícola que continuou com tarifas sobre importação (13%).
Entende-se, paralelamente, que o mercado continua um pouco cético quanto à operação referente à compra de 12 milhões de soja norte-americana até janeiro, e essa desconfiança tende a pressionar os futuros. A China realizou compras de soja brasileira, que no momento está mais barata que a americana dada a euforia dos recentes avanços nas negociações entre os países. Desta forma, apesar do acordo comercial, esses estímulos pelo lado da demanda seguem não oficializados.
Milho estável
O milho contemplou uma nova baixa neste pregão, alongando as perdas do dia anterior que ocorreram junto ao complexo de soja.
O grão em Chicago vem acompanhando a dinâmica da soja e, deste modo, o ceticismo do mercado quanto à operação da Fase 2 entre China e EUA.
Por outro lado, o volume produtivo da safra 2025/26 é incerto neste momento. Portanto, ainda que as expectativas sejam de robustez, o mercado se mantém atento para uma eventual divulgação de atualização de safra, que até então esteve suspensa devido ao shutdown, e principalmente para a publicação do WASDE de novembro, prevista para o dia 14 (sexta-feira).
Estima-se que parte dos rendimentos tenham sido prejudicados pelas condições climáticas muito secas no Meio-Oeste recentemente. A previsão é de que, nos próximos dias, o volume de chuvas continue baixo na região.
Trigo em baixa
O trigo em Chicago também encerrou as operações na sessão em baixa e devolveu os ganhos do pregão de ontem.
A Rússia, protagonista no mercado, anunciou que projeta rendimentos semelhantes ao do ano-safra anterior para esta temporada. O ritmo de exportações do país se encontra um pouco abaixo referente à comparação anual devido à alta competitividade advinda de outras praças, sobretudo Argentina e Estados Unidos. O trigo americano está barato, e, desta forma, os níveis de exportação continuam altos e fornecendo suporte aos futuros em Chicago.
Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro.

Fonte: CommodityNetwork Traders-Pro em relação ao fechamento do dia anterior.

Fonte: **Estimativas StoneX.