
Mercado Externo: Fim do shutdown?
Os principais índices acionários norte-americanos iniciam a semana em alta após o entendimento de que há maior consenso no congresso para a resolução da questão orçamentária, a qual sustenta o shutdown. Trump disse neste domingo que acredita no fim da paralisação nos próximos dias. A grande questão de divergência segue sendo o segmento da saúde e o subsídio do Obamacare. Democratas exigem a continuidade dos subsídios por pelo menos um ano, enquanto os Republicanos planejam substituir o programa. A resolução dessas tratativas deve sair brevemente, e os agentes acompanham as atualizações com bastante atenção.
Caso a paralisação termine ainda esta semana, a tendência é de que os relatórios econômicos relevantes e as publicações destinada à esfera agrícola voltem a ditar o ritmo das operações nas bolsas norte-americanas.
O segmento de tecnologia segue gerando incerteza aos investidores quanto à rentabilidade dos investimentos em inteligência artificial. O relatório da Nvidia daqui duas semanas deve refletir bastante os resultados das companhias de tecnologia e, desta maneira, deve promover maior direcionamento ao mercado.
O dólar contemplou na sexta-feira (7) a terceira desvalorização consecutiva frente ao real. No recorte dos últimos dias, o momento volta a ser de apreciação para a moeda brasileira, e este comportamento cambial ocorre de maneira paralela aos ganhos no índice Ibovespa, que atingiu novamente os maiores patamares da história.
Ainda em cena nacional, hoje é o primeiro dia da COP-30, evento bastante relevante para a esfera de sustentabilidade e que deve proporcionar direcionamentos para elaborações de novas estratégias e políticas públicas em torno dos fenômenos climáticos.
Na Europa, as bolsas operam em ganhos dados os avanços no congresso americano. Na Ásia, os mercados também encerraram em alta. Ainda assim, os índices de inflação de Outubro vieram acima das expectativas na China, o que pode ser um ponto de atenção nos próximos momentos.
Soja em alta
A soja voltou a apresentar uma dinâmica de alta desde o fechamento das operações em Chicago na sexta-feira. Após uma semana de muitas oscilações para o grão norte-americano e, inclusive, uma queda acentuada na quinta-feira (6), os preços voltaram a encontrar suporte após algumas ocorrências, e os ganhos foram estendidos ao pregão noturno desta segunda.
Inicialmente, o motor dos ganhos foi o anúncio de que os compradores chineses estariam liberados, a partir do dia 10 de novembro, para importar produtos agrícolas de três companhias norte-americanas (CHS, Louis Dreyfus Company Grains Merchandising e EGT).
Depois, A China comunicou que novos acordos agrícolas podem ser feitos com os Estados Unidos, considerando a competitividade das commodities americanas no contexto atual. O comunicado potencializa não somente a soja, mas todo o setor de commodities agrícolas, ainda que não se saiba ao certo quais serão os focos das eventuais negociações.
Mesmo assim, o ceticismo do mercado continua a proporcionar pressão aos futuros e a limitar maiores ganhos, uma vez que a China ainda não realizou compras volumosas de soja americana conforme acordado entre os dois países.
No Brasil, o plantio segue avançando nas regiões Centro-Oeste e Sul. Os altos níveis de precipitação seguem sendo um ponto de atenção dado que as lavouras devem estar próximas do limite hídrico. Nos próximos dias a expectativa é de que as chuvas diminuam, dando um pouco de respiro à produção até a próxima semana, quando maiores volumes pluviométricos devem retornar ao território brasileiro.
Milho em alta
O milho CBOT voltou a demonstrar alta após duas sessões de perdas consideráveis.
Neste pregão noturno, o grão encontrou suporte após absorver ganhos do complexo de grãos.
O grão continua a contemplar estímulos baixistas (sob a ótica da oferta, pelas grandes safras pelo mundo e rendimentos recordes no EUA) e altistas (sob a ótica da demanda, sobretudo pelas exportações norte-americanas e pelo segmento de biocombustíveis) de maneira simultânea.
A commodity vem acompanhando e refletindo também o comportamento da esfera financeira norte-americana como um todo. Portanto, a iminente resolução do shutdown se torna ainda mais importante para os futuros neste momento.
A reabertura em definitivo e por completo do governo deve fazer com que as publicações de atualização de safra voltem a ocorrer normalmente às segundas-feiras. Neste momento, a colheita de milho nos EUA deve estar um pouco acima dos 90%, conforme a média dos últimos três anos. Na sexta-feira (14), serão divulgadas a atualização de safra mais recente e o WASDE pelo USDA.
Trigo em alta
O trigo, assim como o milho, se recuperou levemente neste pregão após duas quedas consecutivas nas últimas sessões diurnas, de quinta e sexta-feira.
Em um recorte mais recente, os principais fatores de pressão aos futuros foram as altas estimativas de exportação de trigo russo, que seguem acelerando neste momento. Ainda assim, a China realizou pequenas compras de trigo norte-americano, operação suficiente para oferecer suporte ao grão em Chicago.
Sob um olhar mais amplo, a dinâmica segue predominantemente baixista pela ótica da oferta. O trigo russo vai bem, a safra argentina tem boas expectativas também e, de modo geral, o trigo segue bastante competitivo considerando os principais players do mercado. Apenas na China e em algumas regiões de Australia que há algumas incertezas associadas às condições climáticas.
Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro.

Fonte: CommodityNetwork Traders-Pro em relação ao fechamento do dia anterior.

Fonte: **Estimativas StoneX.