
Mercado Externo: Setor de tecnologia volta a pressionar os mercados
Os principais índices acionários norte-americanos encerraram a quinta-feira (13) em queda. Mesmo com a reabertura do governo norte-americano, a esfera financeira contemplou perdas devido ao ceticismo dos investidores quanto ao segmento de tecnologia. Ainda que algumas high techs demonstrem resultados, há bastante incerteza sobre a rentabilidade dos altíssimos investimentos no setor. Os balancetes da Nvidia, programados para o dia 19 de novembro, devem fornecer um direcionamento maior aos agentes. As perdas se estendem nesta manhã de sexta-feira.
Outro fator que impulsiona as baixas é o crescente posicionamento contracionista de membros do Fed. Neste momento, as expectativas de mercado acerca de um novo corte de juros nos EUA em dezembro são consideravelmente mais baixas que as das últimas semanas. O mercado entende que a possibilidade de um novo corte beira os 50%.
O dólar vem assumindo um comportamento de queda nos últimos dez dias, após a euforia e escalada do índice DXY perante os avanços comerciais entre os EUA e a China. Ainda assim, é possível que esse cenário seja revertido com eventuais manifestações conservadores do Fed.
Donald Trump anunciou ontem uma redução nas tarifas de importação de produtos agrícolas advindos de alguns países da América Latina. Estão abrangidos a Argentina, El Salvador, Equador e Guatemala. O Brasil, portanto, não está incluído. Neste cenário, o Brasil perde um pouco de competitividade em relação a esses países na comercialização de bens agrícolas com os EUA, sobretudo em comparação à Argentina, que é um grande player no mercado. As últimas negociações entre Trump e Lula foram produtivas, e é possível que, nos próximos momentos, tarifas sejam reduzidas aos produtos brasileiros semelhantemente.
Na Ásia, mercados fecharam em queda conforme as perdas em Wall Street. Na Europa, o comportamento dos principais índices também é de baixa
Soja em alta
A soja estendeu os ganhos da sessão anterior neste pregão noturno.
Ontem, o USDA publicou o primeiro relatório de vendas de exportação após uma longa ausência dos dados devido ao shutdown. Na semana encerrada no dia 25 de setembro, haviam sido exportadas 870 mil toneladas de soja. Nesta época, o acordo entre Trump e Xi estava ainda distante, e os preços flutuavam sob uma margem menor.
As expectativas para o grão no WASDE de novembro, que será publicado hoje às 14h, são ligeiramente altistas pela ótica da oferta, uma vez que são esperados ligeiros recuos nas estimativas de rendimentos para a soja americana.
Os futuros em Chicago continuam nos patamares máximos dos últimos 17 meses, e a euforia é refletida pelo posicionamento dos fundos, que hoje já soma, conforme as estimativas da StoneX, 148 mil posições compradas.
As reduções norte-americanas nas tarifas de importação de produtos agrícolas argentinos devem potencializar as exportações da nação sul-americana. Sob este cenário, entende-se que a soja brasileira, que está sendo plantada no momento, deve encontrar bastante competitividade da Argentina nos próximos momentos. Ainda assim, o Brasil deve realizar operações de venda em parceria a outros compradores, como a China, que já acordou uma compra de 20 milhões de toneladas em produtos associados à soja brasileira.
Milho estável
O milho permaneceu estável na sessão.
Assim como a soja, o milho CBOT contemplou uma dinâmica altista na semana.
Mais tarde, o WASDE deve confirmar algumas expectativas do mercado sobre o milho americano. Entende-se que demanda está bastante aquecida pelas exportações e pelo próprio consumo interno associado ao etanol. Sabe-se também das estimativas recordes sob a ótica da produção.
Os dados de venda de exportação revelaram 1,4 milhão de toneladas exportadas para a semana que se encerrou no dia 25 de setembro.
Em relação ao fundos especulativos, nota-se que, nos últimos 30 dias, e conforme as estimativas da Stonex, o saldo líquido foi de 60.000 posições compradas. Portanto, ainda que a predominância esteja nas posições vendidas (cerca de 37.323), o equilíbrio vem sendo cada maior.
Trigo em alta
O trigo em CBOT apresentou novos ganhos na sessão.
A Argentina elevou as estimativas para a safra 2025/26. Agora, a expectativa é de que sejam produzidos 24 milhões de toneladas, 2 milhões a mais que na projeção anterior. Caso se confirme, o trigo argentino pode descer a patamares até mais baixos do que os de hoje. Lembrando que a competitividade do trigo argentino é bastante alta hoje, sendo um dos trigos mais baratos do mundo.
Na França o plantio está em aproximadamente 89%, e a condição boa/excelente corresponde a cerca de 98% da lavoura. Entende-se que trigo francês avança bem, e esta é outra praça que vem contribuindo bastante para uma tendência baixista a longo prazo e, sobretudo, em termos safra e de fundamentos de mercado.
Os dados de exportação dos EUA para a semana que se encerrou no dia 25 de setembro registraram 316 mil toneladas de trigo.

Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro.

Fonte: CommodityNetwork Traders-Pro em relação ao fechamento do dia anterior.

Fonte: **Estimativas StoneX.