
Mercado Externo: EUA retira tarifas sobre produtos agrícolas brasileiros
Os principais índices norte-americanos iniciam o dia sem direção única à medida que a esfera financeira estadunidense contempla estímulos de queda e de alta simultaneamente.
Inicialmente, na quarta-feira (19), os resultados dos balancetes da Nvidia foram muito positivos, indicando lucro, alta atividade e revelando que a demanda no setor está bastante aquecida, ainda. Desta maneira, os agentes começaram a deixar à narrativa de que os investimentos e a rentabilidade no segmento poderiam estar se esgotando neste momento.
Após esta divulgação, foram publicados nesta quinta-feira (20) os dados de emprego nos EUA pelo Payroll. O relatório mostrou que cerca de 119 mil empregos foram criados no setor privado em setembro, bastante acima das expectativas de 50 mil. Desta maneira, mesmo com o avanço do desemprego à casa dos 4,4% (+0, p.p. no mês), as expectativas dos agentes para um novo corte de juros em dezembro diminuíram ainda mais, o que fez com que os ativos financeiros despencassem no pregão de ontem.
Os Estados Unidos retiraram, nesta sexta-feira (21), diversas tarifas sobre produtos brasileiros, incluindo o café, carne, cacau e frutas. A notícia é animadora para os produtores brasileiros, uma vez que a tendência é de que a demanda internacional pelos produtos aumente. Ainda assim, de modo geral, pode haver impactos inflacionários aos preços domésticos no país.
No escopo político, os Estados Unidos enviaram um plano estratégico de 28 pontos à Ucrânia, acerca de uma proposta de paz associada à Guerra com a Rússia. Neste primeiro momento, Kiev recusou as determinações. Os americanos ameaçam os ucranianos com potenciais cortes de fornecimento de informações de inteligência e armas.
Na Ásia, as bolsas contemplaram fortes perdas nesta sexta-feira, com destaque ao Japão, que apresentou um avanço considerável na inflação em outubro. Na Europa, mercados também operam em queda.
Soja em baixa
Nos últimos três dias, a China realizou a compra de 1,6 milhão de toneladas de soja americana, a maior operação desde o final de 2023. Ainda assim, mesmo com a compra, os futuros em Chicago seguem sob pressão nesta semana. Os preços se encontram em US¢1118,75/bu ao encerramento do pregão noturno desta sexta-feira, 0,5% abaixo dos patamares de encerramento da última semana.
Pode haver duas explicações para esta dinâmica. Primeiramente, os futuros podem estar operando sob ajustes técnicos de mercado, uma vez que o comportamento dos preços atingia as máximas dos últimos 17 meses na segunda-feira e, desta maneira, pode estar havendo certa pressão de venda. Além disso, o mercado continua um tanto cético quanto à realização das operações de 12 milhões de toneladas por soja americana pela China até o final deste ano. Há uma expectativa de que as quantidades sejam de fato comercializadas, mas de maneira mais gradual.
Em relação às vendas de exportação, o mercado não levou muito em consideração as 919,4 mil toneladas vendidas na semana que se encerrou no dia 2 de outubro pelo atraso dos dados.
Milho em baixa
O milho permanece acompanhando a soja na CBOT e, portanto, contemplou pequenas perdas nesta última sessão.
A pauta dos biocombustíveis segue impedindo maiores baixas do grão em um contexto de ampla oferta em âmbito global. No mês de agosto, as exportações líquidas de etanol dos Estados Unidos atingiram patamares recordes, de 188,8 milhões de galões, conforme o Censo Americano.
As 2,26 milhões de toneladas exportadas na semana que se encerrou no dia 2 de outubro também foram um tanto ignoradas pelo mercado. Ainda que os números indiquem a continuidade do ritmo aquecido das exportações norte-americanas, foram insuficientes para proporcionar maior suporte aos futuros nesta sessão, de modo a reverter as perdas.
O milho brasileiro segue sendo plantado e, até o dia 14 de novembro, há uma semana, a semeadura correspondia à 58,7% da área prevista. Como se sabe, as preocupações para a safra giram em torno das incertezas climáticas associadas à La Niña, que pode afetar, sobretudo, a produção no sul do Brasil mediante a possibilidade de escassez hídrica. Ainda assim, a previsão da Conab é de que a safra de grãos no país corresponda a 354,8 milhões de toneladas, 0,8% a mais no comparativo com o ciclo anterior. A StoneX seguirá acompanhando o desenvolvimento desta safra, tal como as lavouras de soja.
Trigo em baixa
O trigo acompanhou o complexo de grãos nesta semana, e apresentou variações fundamentalmente negativas nos últimos dias, que foram estendidas à última sessão.
Mesmo com a dinâmica baixista, as vendas de exportações do USDA revelaram exportações de trigo americano correspondentes a 888 mil toneladas na semana que se encerrou no dia 2 de outubro. Assim como nos outros grãos, os dados de venda de exportação impactaram pouco o mercado neste curto prazo.
Ontem também foram confirmadas compras chinesas de trigo americano, correspondentes a 132 mil toneladas. A operação também foi insuficiente para reverter o comportamento de queda dos preços na semana, pelo menos até o presente momento.

Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro.

Fonte: CommodityNetwork Traders-Pro em relação ao fechamento do dia anterior.

Fonte: **Estimativas StoneX.