
Mercado Externo: Qual o futuro dos juros nos EUA?
Os principais índices acionários norte-americanos operam de maneira mista nesta segunda-feira (24). O mercado segue digerindo as recentes tensões na esfera tecnológica, ainda que os balancetes da Nvidia tenham acalmados as preocupações dos investidores.
Paralelamente, o presidente do Fed de Nova Iorque, John Williams, revelou uma postura expansionista quanto à próxima decisão do Banco Central estadunidense. Segundo o executivo, ainda há margem para realizar cortes nos juros, pois considera o mercado de trabalho ainda pouco aquecido e os níveis inflacionários um tanto quanto controlados.
O mercado, a partir desta declaração, que ocorreu no final da sexta-feira (21), voltou a precificar uma redução dos juros, agora em maior probabilidade. Neste momento, entende-se que o cenário se reverteu um pouco, e as expectativas apontam para 70% de chance de haver um passo expansionista na política monetária local, ante 40% da semana passada.
Ainda assim, é bastante plausível que parte do mercado siga um pouco cético quanto ao entusiasmo, uma vez que Powell adotou um tom bastante conservador em suas últimas falas, após a última reunião dos membros do Fed, além de que os dados fornecidos pelo Payroll na semana passada entregaram um aquecimento na esfera do trabalho em níveis acima do esperado.
Nesta semana, haverá a divulgação de outros indicadores também bastante relevantes para o entendimento da atividade econômica norte-americana, como por exemplo a Produção Industrial (Fed), que será publicada hoje por volta das 11h15, o Índice de Preços ao Produtor (PPI), amanhã (25), a Confiança dos Consumidores e as Vendas do Varejo, também nesta terça-feira.
As negociações entre Washington e Kiev seguem movimentando os principais mercados de petróleo pelo globo. Há a expectativa de que, nos próximos momentos, possa haver uma resolução que deve ampliar significativamente a oferta da commodity em âmbito internacional, sobretudo pelo possível aumento de atuação da Rússia nas comercializações. Ainda assim, a proposta apresentada pelos EUA na semana passada foi considerada bastante negativa e exigente à Kiev, que recusou prontamente. Agentes observam o desenrolar destas tratativas.
Nesta segunda, o dólar inicia em queda frente ao real, sendo que os recuos contemplam aspectos técnicos e a maior probabilidade de corte de juros nos EUA. Ainda assim, o saldo dos últimos dias é bastante altista na ótica cambial. Na sexta-feira, o dólar encerrou em alta de 1,2%, enquanto na semana os ganhos foram de praticamente 2%.
Soja em baixa
O mercado segue aguardando novas compras chinesas de soja americana para que o comportamento dos preços contemple maior volatilidade, ainda que na semana passada a nação asiática tenha acordado 1,58 milhão de toneladas do grão junto aos EUA. As recentes comercializações são significativas para os futuros em CBOT, mas altas mais acentuadas são limitadas a partir do ceticismo do mercado quanto à execução das comercializações mediante os valores acordados na Fase 2.
De maneira geral, este é um momento em que há poucos estímulos factíveis e muitas suposições, boatos e incertezas. Eventuais compras e acordos em torno dos grãos podem significar uma “aproximação” política entre as duas nações. Por outro lado, deve haver certa tentação aos chineses ao observarem os preços muitíssimo atrativos do FOB brasileiro para a soja.
Além do mais, as exportações americanas para qualquer commodity agrícola devem ser impactadas pela dinâmica cambial, que vem abrangendo altas consecutivas e um tanto quanto acentuadas do dólar nas últimas semanas.
Milho em baixa
O milho acompanhou a soja e contemplou perdas nos futuros em Chicago neste pregão.
No momento, os produtores norte-americanos realizam os cálculos para decidir à proporção milho/soja para o próximo plantio. Imagina-se que o milho possa ceder um pouco de espaço, considerando o contexto baixista e a ampla oferta em âmbito mundial.
Ainda assim, sabe-se que a demanda deve continuar bastante ativa pela pauta dos biocombustíveis, tanto em âmbito nacional quanto internacional. Desta maneira, ainda é um pouco incerto qual deve ser a dinâmica predominante a longo prazo.
Trigo em baixa
O trigo em CBOT segue sob dinâmica de queda. A última alta acentuada ocorreu no pregão diurno da segunda-feira passada (17), após a China confirmar grandes compras de soja americana, que protagonizou os ganhos para o complexo de grãos.
Ademais, os produtores de trigo pelo mundo seguem enfrentando dificuldades mediante tanta competição. O FOB americano criou certo prêmio em relação ao russo, recentemente, o que revela aumentos de competitividade ao Mar Negro.
Na França, o plantio chegou à completude, praticamente, e as condições do grão são ótimas no momento, com cerca de 98% da área semeada adotando condição boa/excelente.
Tanto o Mar Negro quanto a França podem ter sido a origem da compra de cerca de 300 mil toneladas dos sauditas, que está programada para embarque em fevereiro do ano que vem. A operação pode também ter sido feita junto à Argentina, à Austrália ou até mesmo aos Estados Unidos. É um tanto quanto difícil de concluirmos, pois, cada praça possui suas condições competitivas favoráveis no momento.
Hoje, com a divulgação da atualização de safra, será possível entendermos qual o atual estágio do plantio, que deve estar praticamente completo, além da qualidade da safra, que na semana anterior contemplava 45% da área semeada em boa/excelente condição, 1 p.p. acima da média dos últimos três anos, mas 4 p.p. abaixo da última safra para a cultura de inverno.

Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro.

Fonte: CommodityNetwork Traders-Pro em relação ao fechamento do dia anterior.

Fonte: **Estimativas StoneX.