
Mercado Externo: Qual o rumo da política monetária nos EUA?
Os principais índices acionários norte-americanos registram perdas antes da reunião do Fed nesta quarta-feira.
Embora as expectativas em torno da decisão apontem para uma postura expansionista, entende-se que há, paralelamente, uma ala bastante conservadora no Banco Central norte-americano. Portanto, não é garantido — e é pouco provável — que haverá uma trajetória mais duradoura de cortes nos juros em 2026. Em contrapartida, a iminente escolha de Kevin Hassett deve contribuir para o equilíbrio da ideologia monetária no Fed, fortalecendo a postura dovish.
No segmento de tecnologia, este é mais um momento de decisões importantes, uma vez que Trump liberou as vendas de chips H200 às empresas chinesas de inteligência artificial. Os compradores chineses devem demonstrar grande interesse pelo produto, sabendo que os chips são bastante potentes e ideais para o desenvolvimento de tecnologias artificiais. Ainda assim, a decisão de liberar essas operações é discutida pelo governo chinês, considerando que a Nvidia é a maior fornecedora dos chips e que a disputa tecnológica com os Estados Unidos continua em andamento.
O IPCA subiu 0,18% no mês de novembro, acumulando alta de 4,49% nos últimos 12 meses. A variação mensal ficou abaixo das expectativas do mercado, que apontavam para 0,20%.
O dólar registra perdas nesta manhã, com o índice DXY recuando 0,11%. Em termos de fechamento, a divisa norte-americana não apresentava queda desde o dia 3 de dezembro. Ainda assim, o real continua se depreciando frente à moeda estadunidense, já que a esfera financeira segue temendo os efeitos de uma possível candidatura de Flávio Bolsonaro, paralelamente à preocupação fiscal em torno do atual governo.
Na Ásia, os mercados encerraram majoritariamente em baixa. Na China, os dados de inflação mostraram avanço de 0,7% nos preços ao consumidor, enquanto houve deflação nos preços recebidos pelos produtores. O país asiático deve concentrar grande parte de seus esforços para atenuar a problemática da produção industrial, antes que a deflação aos produtores consolide um sentimento ainda mais desestimulante no âmbito produtivo, atrelado ao excesso de oferta.
Na Europa, os índices também operam em baixa, acompanhando a dinâmica de Wall Street. A decisão do Banco Central inglês sobre os juros ocorrerá apenas na próxima semana.
Soja em baixa
A soja amplia suas perdas na CBOT, à medida que o WASDE de dezembro, divulgado ontem, pouco alterou a dinâmica baixista consolidada no mercado nos últimos dias.
As expectativas em torno dos principais players permaneceram praticamente inalteradas. Assim, será necessário aguardar o mês de dezembro para acompanhar eventuais operações de compra da China junto ao Brasil ou aos Estados Unidos. Nesse contexto, consolidou-se um cenário favorável aos céticos do acordo comercial anunciado no final de outubro entre Trump e Xi.
No âmbito global, os estoques finais foram ajustados para cima, em 380 mil toneladas. Portanto, as poucas mudanças ocorridas nas estimativas carregam, majoritariamente, aspectos baixistas.
Milho em baixa
O milho também recuou nesta sessão, embora o WASDE para o grão tenha gerado menos pressão sobre os futuros em comparação à soja.
As exportações americanas foram ajustadas para cima, com um aumento de 3,17 milhões de toneladas, indicando a continuidade da alta demanda pelo grão norte-americano sob a ótica internacional. Esse ajuste é altista e positivo para os produtores.
De maneira geral, o documento é mais altista do que baixista para o milho, uma vez que os estoques finais diminuíram 0,8% no âmbito global e 5,8% no principal player, os Estados Unidos. Para equilibrar um pouco as expectativas sobre os preços, a Argentina deve demonstrar maior competitividade, à medida que seus estoques foram revisados para cima.
Trigo em baixa
O trigo acompanhou o complexo de grãos e recuou no pregão noturno desta quarta-feira.
O WASDE foi baixista para o trigo, conforme esperado. O relatório reforça o grande potencial das safras na Argentina, Austrália, Rússia e Canadá, o que deve pressionar os futuros em Chicago à medida que o nível de competitividade aumenta. A estimativa para a produção mundial aumentou em aproximadamente 9 milhões de toneladas nesta previsão de dezembro.
Ainda que a demanda pelo grão esteja em bom nível nos EUA — e provavelmente também para o trigo argentino e australiano, considerando o ajuste positivo nas exportações —, é bastante provável que o excesso de oferta continue predominante, uma vez que a estimativa para os estoques globais foi revisada para cima em 1,3%, e a relação estoque/uso ajustada em 0,8%, paralelamente.

Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro.

Fonte: CommodityNetwork Traders-Pro em relação ao fechamento do dia anterior.

Fonte: **Estimativas StoneX.