
Mercado Externo: Mercado absorve decisão de política monetária do Fed
Como já antecipado pelo mercado, o Fed cortou a taxa de juros dos EUA em 25 pontos base nesta quarta-feira (dia 10), terceiro recuo seguido, com a faixa ficando entre 3,5% e 3,75% a.a., menor nível desde setembro de 2022. Já o comunicado após a reunião ainda trouxe alguma cautela, o que gera dúvidas sobre futuros cortes.
O Fed apontou que os indicadores econômicos sugerem uma expansão moderada da atividade, enquanto a abertura de vagas criadas caiu e a taxa de desemprego subiu até setembro, com a autoridade monetária estando atenta a ambos os lados. Para ajustes adicionais dos juros nas próximas reuniões, o Fed avaliará a atualização dos dados e os consequentes riscos de qualquer decisão, destacando que a inflação ainda preocupa.
No Brasil, também como esperado, o Copom manteve a Selic em 15% a.a. No comunicado, o Bacen não trouxe muita clareza quanto a um possível início de um ciclo de corte de juros, com os próximos passos da instituição dependendo de dados que forem divulgados. De qualquer forma, a redução na projeção para a inflação pelo Copom para o prazo de cumprimento da meta foi bem recebida pelo mercado. Aqui no Brasil, o Ibovespa recua nesta quinta-feira (dia 11), diante da falta de sinais mais claros do Copom quanto a um recuo futuro da Selic.
A decisão do Fed foi bem recebida pelo mercado, mas os futuros dos índices acionários nos EUA operam com maior cautela nesta manhã, diante de preocupações com investimentos no setor de inteligência artificial, após a divulgação do balanço de uma grande empresa. Há preocupações com o fluxo de caixa, após gastos elevados com IA.
Na Ásia, o fechamento do dia foi misto, com o segmento de inteligência artificial também inspirando atenção. Esse ponto de gastos excessivos no segmento de inteligência artificial já está no radar do mercado há algum tempo. Além disso, no Japão, há expectativa de elevação das taxas de juros na reunião do banco central do país (BoJ), na próxima semana. Na China, o consumo é monitorado, com dados de crédito de novembro indicando queda de novos empréstimos.
Na Europa, as diferentes bolsas também não operam em direção única, mas houve uma melhora em relação à tendência de queda na abertura, com o mercado ainda absorvendo a decisão do Fed e acompanhando os investimentos em IA.
Soja em alta
A soja registrou alta na sessão noturna desta quinta-feira (dia 11), destacando que a oleaginosa ainda está sustentando cerca de metade dos ganhos acumulados no rali desde o final de outubro, após o acordo inicial ente China e EUA.
A alta da oleaginosa foi motivada por ajustes técnicos, após ter atingido o menor valor em seis semanas durante a sessão. Além disso, houve o registro de novas vendas de soja norte-americana para a China, para entrega na safra 25/26. Até o momento, os anúncios de vendas indicam eu a China comprou cerca de 3 milhões de toneladas de soja dos EUA, ainda distante do nível previsto, de 12 milhões de toneladas até o final de fevereiro.
No Brasil, a Conab trouxe um leve corte da produção 25/26 estimada, para 177,12 milhões de toneladas, nível ainda recorde. Destaca-se que as previsões estão mostrando um padrão de chuvas mais favorável, com perspectivas de precipitação em praticamente toda a região produtora de soja.
Milho em alta
O milho também registrou alta, com o mercado do cereal sendo influenciado por fundamentos altistas e baixistas. Ao mesmo tempo que o mercado físico e as exportações norte-americanas mostram força, o lado da oferta se vê diante de uma produção enorme nos EUA.
Além das exportações fortes, destaca-se que o consumo para etanol nos EUA também está aquecido, mas há dúvidas de se a estimativa do USDA para o uso do cereal para a produção do biocombustível será alcançada.
No Brasil, a Conab manteve praticamente estável a estimativa para a produção brasileira de milho 25/26, em 138,88 milhões de toneladas.
Trigo em alta
O trigo também avançou num movimento de correção, acompanhando a soja e o milho, mas não o suficiente para recuperar as perdas de ontem.
As perspectivas de oferta ampla continuam pesando sobre as cotações, enquanto novidades sobre a relação entre Rússia e Ucrânia estão sendo monitoras.
A safra de inverno dos EUA está entrando em dormência e, por enquanto, não há maiores ameaças, com a perspectiva de queda de temperatura no final de semana não sendo uma preocupação.

Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro.

Fonte: CommodityNetwork Traders-Pro em relação ao fechamento do dia anterior.

Fonte: **Estimativas StoneX.