
Mercado Externo: Qual será o direcionamento do mercado após os dados de emprego?
Os principais índices acionários norte-americanos iniciaram o dia em baixa à medida que as expectativas para o payroll eram pessimistas.
O payroll foi publicado às 10h30, e os resultados apontaram para a criação de 64 mil vagas de emprego em novembro. A recuperação diante das perdas de outubro (-105 mil vagas devido ao shutdown) ocorreu acima das expectativas de mercado, que projetavam a criação de 40 mil vagas, aproximadamente. Mesmo assim, o mercado de trabalho segue pouco aquecido, e o desemprego está em 4,6%.
Mesmo que dados fracos referentes ao mercado de trabalho tendam a condicionar potenciais atos expansionistas no âmbito da política monetária – o que é pode ser altista às ações –, o mercado também sente a desaceleração da economia a curto-prazo. Veremos qual será a interpretação dos agentes e qual será a dinâmica sob os ativos financeiros.
O índice DXY do dólar recuou em 0,1% na sessão de ontem. Hoje, estendia as perdas com as expectativas baixas para o payroll que foram confirmadas (portanto, o comportamento baixista se manteve). O real, por sua vez, inicia em baixa frente à moeda norte-americana.
Na Ásia, encerraram em baixa, acompanhando a dinâmica de Wall Street. Na Europa, mercados operam de maneira mista em semana bastante decisiva com a decisão de juros na zona do euro e no Reino Unido.
Soja em alta
No início do pregão, a soja apresentava uma pequena recuperação das perdas registradas ontem, impulsionada por ajustes técnicos de mercado, algum suporte de compra e pelas vendas de exportação da semana encerrada em 20 de novembro, que totalizaram 2,32 milhões de toneladas. A maior parte dessas vendas teve como destino a China, seguida pelo México.
Pouco antes do encerramento da sessão, a soja reduziu os ganhos, mas ainda assim encerrou em alta.
A retroatividade dos dados de exportação faz com que o mercado reaja pouco aos números expressivos de quase um mês atrás. As inspeções do USDA, por outro lado, são mais recentes e indicam resultados decepcionantes para as exportações de soja americana na última semana: foram embarcadas 800 mil toneladas, ante 1,7 milhão no mesmo período do ano passado. Dessa forma, percebe-se que o ritmo exportador está aquém do esperado pelos produtores. A China permanece pouco ativa sob a ótica importadora — menos do que o necessário para sustentar os futuros na CBOT e reverter a tendência baixista.
Além disso, as safras no Brasil e na Argentina se desenvolvem bem. O plantio está praticamente concluído nos dois países, e as condições climáticas têm sido favoráveis. No Brasil, a previsão indica volumes consideráveis de chuva no Centro-Oeste, podendo chegar a 120 mm em algumas regiões. No Mato Grosso, especialmente, são esperadas precipitações intensas, o que contribui para o bom desenvolvimento da cultura. Na Argentina, a previsão também indica umidade significativa, embora menor que no Brasil.
As expectativas de grandes produções nas safras sul-americanas já pressionam os futuros em Chicago, somando-se aos demais fatores baixistas absorvidos pelo mercado.
Milho em baixa
O milho estende as perdas no pregão noturno. O grão acompanha os estímulos de baixa da soja no momento e permanece bastante volátil na CBOT.
As inspeções do USDA confirmam a continuidade do bom ritmo de exportações: na semana passada, foram embarcadas cerca de 1,6 milhão de toneladas, ante 1,15 milhão no mesmo período do ano anterior. A demanda aquecida pelo lado das exportações limita quedas mais acentuadas, que poderiam ocorrer devido à ampla oferta global, às grandes safras e à alta competitividade de outros players, como o Brasil, que também mantém um bom ritmo de exportações dentro dos padrões sazonais.
Trigo em baixa
Os contratos de março/26 de trigo na CBOT ampliam as perdas e se aproximam dos patamares mais baixos dos últimos três meses, registrados em meados de outubro. A pressão sobre os futuros continua vindo da ótica da oferta e das perdas no complexo de grãos como um todo.
O volume de exportações dos EUA para o trigo segue positivo, acima do ritmo dos últimos anos. As inspeções do USDA revelaram que 490 mil toneladas foram exportadas na semana anterior, ante 300 mil toneladas na mesma semana do ano passado. Embora esse volume tente oferecer algum suporte aos futuros pelo lado da demanda, ele ainda é insuficiente para reverter a tendência baixista no momento.
A França revisou para cima as exportações de trigo para a Europa em 340 mil toneladas, o que contribui para reduzir as expectativas de estoques finais do país. Esses ajustes são relevantes, pois indicam maior competitividade por parte do grande exportador europeu.

Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro.

Fonte: CommodityNetwork Traders-Pro em relação ao fechamento do dia anterior.

Fonte: **Estimativas StoneX.