
Mercado Externo: Decisões dos Bancos Centrais balanceam mercados pelo mundo
Os principais índices acionários norte-americanos iniciaram esta quinta-feira em alta à espera dos dados de inflação, que foram divulgados às 10h30. O CPI de novembro subiu 2,6% em relação ao mesmo mês no ano passado. O comportamento inflacionário foi abaixo das expectativas de 3,1%, o que indica sinais de estabilidade inflacionária à economia americana, ainda que o rtimo produtivo e o mercado de trabalho estejam desempenhando abaixo. Os números do CPI contribuem para uma postura mais conservadora do Fed quanto a novos cortes de juros em janeiro.
Como pontuado ontem, o aumento das tensões entre os EUA e a Venezuela promoveu suporte aos futuros do petróleo no Brent.
No Reino Unido, o Banco Central optou por cortar os juros em 25 p.p. após uma votação acirrada (5-4). Agora, os patamares das taxas correspondem a 3,75%. O ato expansionista pode promover alguma volatilidade aos ativos europeus, uma vez que o mercado financeiro tende a reagir positivamente aos cortes de juros à medida que são estimulantes à economia. A inflação na Inglaterra, paralelamente, encontra-se controlada, ainda que este seja um ponto de atenção que justifica os quatro votos contra a redução das taxas. Isto é, a margem para novos cortes é curta pois a inflação, ainda que controlada, segue ameaçando a economia local (a inflação do Reino Unido é a maior do Grupo dos Sete).
Na Zona do Euro, o Banco Central Europeu optou por manter as taxas em 2%, de modo que a economia europeia demonstra ainda certa resiliência e solidez, além de que a inflação segue sob controle, oscilante em torno da meta. No momento, há pouca margem para variações nos juros nesta localidade e, portanto, as ações da política monetária estão tendo pouco impacto sobre os principais índices nos mercados financeiros. As bolsas avançam nesta quinta-feira, aproveitando-se dos estímulos altistas do ato expansionista na Inglaterra.
Na Ásia, as bolsas demonstraram alta hoje, com exceção ao Nikkei, do Japão, que recuou em 1,03% à medida que o Banco Central japonês deve subir os juros em 25 p.p, elevando as taxas para o patamar de 0,75%. A reunião do órgão monetário se inicia hoje, e a decisão será anunciada amanhã no horário local (hoje à noite, entre 23h e 1h, no horário de Brasília).
Soja em baixa
O óleo de palma demonstra bastante competitividade em detrimento do óleo de soja neste momento. Consequentemente, a demanda pelo óleo de palma cresce em função do produto da oleaginosa. Desta maneira, a soja tende a absorver estímulos baixistas desta relação, uma vez que a demanda pela oleaginosa pode ser afetada pelas esmagadoras. Os estoques de óleo de palma na Indonésia caíram 10% em outubro mesmo com um aumento na produção, o que evidencia o aquecimento da demanda pelo produto.
A Argentina também contribui para os recuos da soja americana na CBOT à medida que aumentou sua competitividade no mercado de soja através da redução das tarifas de exportação. Para a oleaginosa, a redução foi de 2 p.p, de 26% para 24%. Há rumores de que a China cancelou operações no complexo de grãos junto aos EUA para comercializar a preços mais acessíveis junto ao país sul-americano.
Em contrapartida, as oscilações no petróleo – em meio às tratativas de paz na Ucrânia e as tensões na Venezuela - passam a ser um ponto de atenção. As commodities tendem a apresentar uma relação diretamente proporcional, uma vez que o aumento no preço do petróleo encarece os combustíveis fósseis e, portanto, barateia os biocombustíveis indiretamente. Desta maneira, com os biocombustíveis mais competitivos, espera-se um aumento na demanda por esses produtos e, consequentemente, pelas matérias-primas, dentre elas o óleo de soja, que impacta a soja. No momento, a tendência para a commodity energética segue baixista pela iminente resolução no conflito na Ucrânia (ainda que haja bastante pendências nas negociações) e pela alta expectativa de oferta mundial para 2026. Entretanto, as tensões na Venezuela atreladas ao bloqueio naval norte-americano de navios petroleiros previamente sancionados ofereceram estímulos altistas ao mercado nesta quarta-feira. Seguiremos acompanhando.
Milho em alta
O milho segue oscilando entre o intervalo de US¢430/bu e US¢450/bu. Nesta última sessão, apresentou uma nova alta, estendendo os ganhos do dia anterior.
O grão americano segue sendo suportado pela ampla demanda. As vendas de exportação referentes à semana do dia 27 de novembro configuraram 1,79 milhão de toneladas exportadas.
Na Europa, a produção de milho está prevista em 58,5 milhões de toneladas para a safra 2026/27, ante 56,6 milhões nessa temporada. Pode haver, portanto, o aumento da pressão sobre os futuros no próximo ano devido a esse ajuste. Ainda assim, os números estimativos continuam abaixo da média.
Trigo em alta
O cancelamento da compra de 132 mil toneladas de trigo americano pela China promoveu pressão aos futuros no mercado. Há rumores de que a China preferiu comercializar com a Argentina, que possui o FOB mais barato do mundo e reduziu a tributação sobre as exportações de trigo em 2 p.p, de 9,5% para 7,5%.
Na Europa, a produção de trigo deve cair 6,2% para a safra 2026/27. As quantidades de produção estão estimadas em 128,3 milhões de toneladas, ante 136,8 milhões da safra 2025/26. A perspectiva de redução dos rendimentos deve promover certo alívio aos futuros e aos produtores, caso a tendência de redução seja confirmada.
As vendas de exportação vieram em bom nível, mais uma vez. Na semana do dia 27 de novembro, foram exportadas 460,7 mil toneladas do grão norte-americano, 27% acima das 361,7 mil da semana passada.

Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro.

Fonte: CommodityNetwork Traders-Pro em relação ao fechamento do dia anterior.

Fonte: **Estimativas StoneX.