
Mercado Externo: Quais as perspectivas para o front macroeconômico e geopolítico para o início de 2026?
Os principais índices acionários norte-americanos iniciam o dia com pequenas perdas, considerando o baixo nível de operações devido às festividades de final de ano.
O ouro e a prata devolvem alguns ganhos após atingirem as máximas históricas na semana passada. Os metais continuam fortes no mercado de futuros à medida que o dólar se mantém instável vide o comportamento do índice DXY. Algumas incertezas em torno da economia americana e a possibilidade de um novo corte de juros ao final de janeiro do ano que vem seguem pressionando a divisa norte-americana, o que estimula a busca pelo ouro e prata, reservas intrínsecas de valor.
Ouro e Prata | Evolução do contrato contínuo em 2025 (dólares/onça)

Fonte: Reuters | Elaboração: StoneX
Para 2026, o mercado aposta em um abrandamento da política tarifária empreendida pelo governo americano, o que, na visão de alguns analistas pode ser um fator de pressão inflacionária a menos no novo ano. Uma postura mais apaziguadora, se concretizada, poderá ser explicada por uma vontade do governo de entregar uma economia mais estável frente às eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, no final do ano que vem, o que pode mudar a dinâmica de maioria republicana no legislativo americano. Ainda assim, a inflação seguirá como um ponto de atenção, principalmente em meio a um avanço do Produto Interno Bruto nos últimos tempos. O crescimento da economia americana, embora por vezes surpreendente, ainda demonstra uma certa fraqueza do ponto de vista do mercado de trabalho, o que pode ser um fator de atenção importante para as decisões de política monetária vindouras. Ainda assim, teremos o anúncio de um novo presidente do Federal Reserve nas próximas semanas e uma personalidade mais expansionista pode alterar a dinâmica pela qual os ciclos de cortes são precificados no momento.
Outra temática principal são os avanços nas tratativas de paz na Ucrânia. Donald Trump conversou com Zelesnkyy nesta tarde de domingo em um resort na Florida, onde o presidente americano passa suas férias. Os noticiários apontaram para novos avanços, sobretudo no que tange às concessões de segurança dos EUA à Ucrânia. Ainda assim, há muitas questões em aberto, como, sobretudo, a pauta territorial, que é o principal entrave para um acordo no momento, e o financiamento para a reestruturação da Ucrânia pela América e pela Europa.
Tanto Putin quanto Zelenskyy se mantém pouco flexíveis em relação à reivindicação/concessão da região de Donbas, ao leste da Ucrânia. A Rússia detém, também, o controle da parte litorânea da Ucrânia ao leste da Crimea, e reivindica a posse da usina nuclear de Zaporizhzhia.
A percepção de que o conflito deve perdurar por mais tempo voltou a promover suporte aos futuros do petróleo Brent, assim como as tensões na costa venezuelana.
Soja em baixa
A soja havia contemplado perdas no pregão pouco líquido da última sexta-feira. Hoje, a commodity expande o movimento de queda após uma escalada de 2,6% entre os dias 19 e 24.
Neste momento, as quantidades de soja comercializadas entre China e EUA desde o acordo de outubro devem estar abrangidas no intervalo entre 8 e 9 milhões de toneladas, considerando a retroatividade dos dados de vendas de exportação ainda existente.
O mercado está bastante dividido neste momento, o que fez com que uma tendência baixista se instaurasse após um mês de euforia após a confirmação do acordo de 12 milhões de toneladas. Fato é que, de modo geral, os agentes, compradores e fundos esperavam maior atividade importadora da China no contexto, sobretudo pela ótica política e pelos avanços nos diálogos entre os dois países. Desta maneira, o sentimento predominante ainda é majoritariamente pessimista.
Milho em baixa
Sem muitas novidades, o milho acompanhou as perdas da soja nesta sessão noturna.
O próximo relatório de vendas de exportação será publicado dia 31, quando checaremos a continuidade da alta demanda por milho. Além do mais, será divulgado hoje o relatório semanal de produção de etanol pela EIA.
Trigo em baixa
O trigo segue acompanhando o complexo de grãos e demonstrou perdas na sessão.
Com o eco no mercado devido ao fim do ano, as novidades são poucas também à commodity.
O clima nos Estados Unidos já passa a contemplar nevascas intensas, com a chegada do inverno, sobretudo nas planícies mais ao norte. A cobertura de neve é bastante relevante para as lavouras, uma vez que funciona como uma camada de proteção ao grão.

Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro.

Fonte: CommodityNetwork Traders-Pro em relação ao fechamento do dia anterior.

Fonte: **Estimativas StoneX.