
Mercado Externo: Qual o destino da Groenlândia?
Os principais índices norte-americanos operam em baixa nesta quinta-feira.
Os dados de emprego da ADP, divulgados ontem (07), trouxeram poucas novidades para a situação do mercado de trabalho. Foram criadas 41 mil vagas no setor privado em dezembro, compensando as 29 mil perdas registradas em novembro. Nos últimos quatro meses, o saldo líquido é de +19 mil vagas, indicando que o setor empregatício oscila dentro de uma margem, sem apresentar movimentos mais acentuados de contratações ou demissões.
Observando os dados das empresas norte-americanas, nota-se um bom comportamento dos índices de empregabilidade. Tanto nas pequenas quanto nas médias e grandes empresas, o saldo líquido de criação de vagas foi positivo. Em relação aos setores, o aumento dos empregos em dezembro concentrou-se nas áreas de educação e saúde, além de lazer e hotelaria.
De modo geral, sob a ótica do setor privado, entende-se que a economia está morna, mas não demonstra sinais de calamidade ou falta de solidez. Assim, interpreta-se que há pouco espaço para uma tendência prolongada de cortes de juros pelo Fed, ainda que uma nova redução das taxas no final do mês seja provável.
O payroll, que será publicado amanhã (08), trará maior clareza sobre a situação do emprego, sobretudo no âmbito público.
Mesmo com a possibilidade iminente de corte de juros, o dólar continua em recuperação gradual desde o final de dezembro. A variação intradiária foi de 0,1%, e a evolução desde 23/12 é de 0,7%. Hoje, a divisa norte-americana estende os ganhos em 0,06%.
Os metais registram perdas nesta quinta-feira: a prata apresenta queda de 3,5% e o ouro, de 0,5%. Este é o segundo dia consecutivo de recuos, reflexo da pressão vendedora após fortes volatilidades positivas que impulsionaram os metais nas últimas semanas. A dinâmica altista esteve associada às incertezas geopolíticas, às preocupações com a economia americana e ao próprio enfraquecimento do dólar. O algodão recua em meio a ajustes técnicos semelhantes aos dos metais, enquanto o petróleo avança 1,8%, devido às expectativas de aumento da oferta com o plano norte-americano de aproveitamento das reservas venezuelanas.
Na Ásia, as bolsas fecharam em queda, enquanto na Europa os mercados também recuam à medida que as tensões entre Estados Unidos e Dinamarca aumentaram nos últimos dias, após declarações de Trump sobre a Groenlândia. Na próxima semana, Marco Rubio deve se reunir com representantes dinamarqueses para promover maior diplomacia à situação.
Soja em baixa
A soja apresentou ligeiro recuo na sessão, mediante ajustes técnicos, após ganhos de 2% nos primeiros três dias desta semana.
O mercado precificou a venda de 10 carregamentos norte-americanos à China, anunciados no início da semana, o que deu suporte aos futuros. No pregão de hoje, os preços ficaram praticamente estáveis, com leves perdas.
O USDA finalmente encerrou a retroatividade dos dados de vendas de exportação. Assim, os números tendem a influenciar de forma mais significativa a dinâmica dos preços novamente.
Na semana passada, até 01 de janeiro, foram comercializadas 877,9 mil toneladas de soja, um volume expressivo, considerando que na última safra haviam sido exportadas apenas 149,6 mil toneladas no mesmo período. Além disso, as quantidades vendidas corresponderam a quase três vezes a média dos últimos cinco anos. O ritmo das exportações acelerou após o avanço das tratativas entre EUA e China, sendo que a nação asiática foi responsável pela compra de 470,1 mil toneladas, mais da metade do total da semana. Ainda assim, o ritmo das vendas está longe do necessário para que a meta do USDA seja atingida.
Milho em baixa
O milho acompanhou a soja e apresentou baixa na sessão.
As exportações de milho americano na semana passada foram bastante reduzidas. No período, foram comercializadas 378 mil toneladas, 49% a menos em relação à semana anterior. Ainda assim, este comportamento é relativamente normal devido ao Natal, já que historicamente as vendas caem nesta época. No ano passado, foram comercializadas 445 mil toneladas no período, e a média dos últimos anos é de 438,6 mil toneladas para a semana. Veremos se o mercado absorverá os números nas próximas precificações, considerando que a demanda segue aquecida sob a ótica das exportações e o ritmo das vendas está acima do necessário para o atingimento da meta do USDA em julho.
A produção de etanol nos Estados Unidos foi de 1,098 milhão de barris por dia na semana passada, queda de 2% em relação à semana anterior e 1,2% a menos em comparação à mesma semana do ano passado. Mesmo com o recuo, a produção se mantém elevada, sendo que o volume da semana só foi inferior ao de 2024 nos últimos cinco anos. A demanda por milho para esta destinação segue bastante aquecida.
Trigo estável
O trigo também teve um fechamento com variações pouco acentuadas, sendo que foram observados pequenos ganhos, praticamente tangentes à estabilidade.
O grão contemplava alta no decorrer do pregão, diferentemente do milho e da soja. Entretanto, os ganhos foram devolvidos no final da sessão após os dados de exportação estadunidenses, que foram novamente pouco animadores para o trigo. Foram apenas 119 mil toneladas comercializadas na semana passada. Todavia, assim como para os outros grãos, este é um período de poucas comercializações, o que explica as baixas quantidades.
De modo geral, o ritmo das vendas continua acima do necessário para o atingimento da meta do USDA em julho. A esfera das exportações vem proporcionando algum suporte ao trigo em Chicago ante um cenário pouco favorável sob a ótica dos fundamentos, dada a alta oferta em âmbito global.

Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro.

Fonte: CommodityNetwork Traders-Pro em relação ao fechamento do dia anterior.

Fonte: **Estimativas StoneX.