
Mercado Externo: Dados de emprego nos EUA vêm abaixo das expectativas
Os índices acionários norte-americanos operam sem direção única após a divulgação do “Payroll” nos EUA.
O relatório de emprego do BLS trouxe interpretações mistas sobre o mercado de trabalho, e um novo corte de juros na reunião do final de dezembro segue em aberto.
Quanto às vagas não agrícolas de dezembro, registrou-se um saldo positivo de 50 mil, abaixo das 66 mil esperadas pelo mercado. Em novembro, o saldo foi de 56 mil vagas, o que indica desaceleração na criação de empregos no segmento. A divulgação desses números intensifica as chances de cortes de juros em janeiro, dado que o mercado de trabalho aparenta continuar morno, apesar de não demonstrar uma performance essencialmente ruim.
A taxa de desemprego, todavia, caiu para 4,4%, abaixo dos 4,5% esperados pelo mercado. Dessa forma, também há estímulos baixistas à esfera financeira, já que o recuo do desemprego abaixo do esperado pode dificultar a decisão de corte de juros pelo Fed.
Nos dados da ADP, também houve saldo positivo na criação de vagas, conforme mencionado na Chamada de Abertura de ontem. Entretanto, os números foram pouco expressivos, de modo que não devem impactar significativamente a decisão do Banco Central norte-americano.
De modo geral, as chances de redução das taxas ao final do mês continuam mais altas em relação a uma possível manutenção ou elevação. Ainda assim, a decisão segue imprevisível.
O dólar permanece estável nesta manhã, mas devolveu os ganhos obtidos ao longo da sessão. Isso provavelmente ocorreu porque o mercado interpretou que as chances de corte de juros pelo Fed aumentaram após a divulgação do Payroll. Assim, o real também apresenta apreciação frente à moeda norte-americana nesta manhã, apesar dos estímulos altistas no âmbito doméstico, associados às incertezas políticas e ao início do ano eleitoral.
Os metais sobem em meio a ajustes técnicos. O ouro avança 0,7%, enquanto a prata registra ganhos de 3,8%. O petróleo mantém o comportamento de alta da sessão anterior, e os futuros sobem 0,8% no momento. O algodão apresenta ligeiro recuo de 0,25%.
Na Ásia, as bolsas fecharam de forma mista. Na Europa, os mercados operam predominantemente em alta nesta manhã de sexta-feira.
Soja em alta
A soja encerrou a sessão em alta após registrar perdas no pregão de ontem. O comportamento dos preços em Chicago é oscilante neste momento, em torno da faixa de 1.060 a 1.070 dólares por bushel.
A oleaginosa foi a única entre os grãos a apresentar ganhos na sessão.
Coincidentemente, foi a que melhor se destacou no último relatório de vendas para exportação dos EUA. Como mencionado anteriormente, as 878 mil toneladas da semana passada foram muito superiores às quantidades comercializadas no mesmo período do ano anterior e à média dos últimos três anos.
O compromisso com a China (12 milhões de toneladas) parece estar bem encaminhado, e o mercado demonstra maior otimismo nesse sentido, o que fornece suporte aos futuros.
Por outro lado, as produções na América do Sul, especialmente no Brasil e na Argentina, apresentam ótimo desenvolvimento, com rendimentos bastante expressivos esperados, o que é entendido como fator baixista.
A estimativa da CONAB aponta para mais de 177 milhões de toneladas de soja brasileira nesta safra, número acima do divulgado na última previsão do USDA (175 milhões). Portanto, há expectativas de um possível ajuste para cima na produção brasileira no WASDE de segunda-feira, assim como aumento nas estimativas para a safra argentina.
Milho em baixa
O milho encerrou o pregão noturno com pequenas perdas.
O grão apresenta comportamento bastante oscilante dentro da faixa de 440 a 450 cents por bushel em Chicago nos últimos dias. A coexistência de estímulos altistas – alto volume de exportações e demanda interna (associada aos biocombustíveis) – e baixistas – ampla oferta – explica a volatilidade em meio a um cenário de poucas atualizações nos fundamentos e sob a ótica técnica.
A produção de milho nos EUA deve ser ajustada para baixo no WASDE da próxima segunda-feira. Já para a safra 26/27, há expectativa de queda da semeadura, o que tende a reduzir a oferta e pode dar suporte aos preços. Ainda assim, o ajuste pode ser pouco expressivo, e a área plantada deve ficar entre 38 e 39 milhões de hectares. Portanto, entende-se que o mercado pode absorver a queda da área plantada de maneira altista, mas um potencial aumento dos preços pode não ser tão acentuado e duradouro.
Trigo em baixa
O trigo encerrou em baixa após uma sessão praticamente toda em estabilidade.
A preocupação com o desenvolvimento do trigo de inverno nos EUA continua devido à escassez de chuvas. Nesta semana, algumas regiões de planícies no sul e no norte devem receber níveis maiores de precipitação, o que pode contribuir para as culturas. Ainda assim, o fator pluviométrico segue sob a atenção dos agentes e produtores e pode impactar os rendimentos, o que seria altista para os futuros em Chicago.
Os relatórios trimestrais do USDA podem revelar uma redução da área do trigo, isto por que alguns produtores devem dar preferência à soja e ao milho, economicamente mais rentáveis no momento, em regiões capazes de abranger estas culturas.
Na China, o clima também segue sendo um ponto de atenção, visto que o mau-desenvolvimento da cultura pode estimular as comercializações junto aos Estados Unidos, o que favoreceria às exportações americanas e contribuiria com o sustento dos futuros.

Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro.

Fonte: CommodityNetwork Traders-Pro em relação ao fechamento do dia anterior.

Fonte: **Estimativas StoneX.