
Mercado Externo: Economia norte-americana no radar
Os principais índices acionários norte-americanos iniciaram o dia em baixa, em meio ao inquérito criminal aberto contra Jerome Powell e ao plano de Donald Trump de impor um teto para as taxas de juros cobradas pelas empresas de cartão de crédito no país.
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) abriu investigações sobre Jerome Powell, que, em junho de 2025, teria supostamente mentido às autoridades norte-americanas e ao Congresso acerca dos valores da reforma do edifício do Fed, em Washington.
Segundo as acusações, os valores apresentados pelo presidente do Fed ao Congresso estariam significativamente acima das quantias reais para o projeto de reedificação, o que indicaria um orçamento superfaturado. Powell defendeu-se ontem, por meio de um vídeo, alegando que as investigações (e as potenciais acusações) são pretextos para pressionar o Banco Central americano a agir conforme os desejos do presidente Donald Trump: reduzir consideravelmente as taxas de juros, para níveis próximos de 1%. Powell tem mandato até maio deste ano e reiterou que seguirá firme no cargo, apesar das pressões, e continuará tomando decisões para garantir o bom funcionamento da economia, considerando o contexto atual e pensando no bem do povo norte-americano.
Os EUA seguem lutando contra a inflação, ainda que o mercado de trabalho demonstre sinais de fraqueza. A coexistência desses fatores dificulta as previsões sobre a próxima decisão do Fed, prevista para o final deste mês. Diante dessas incertezas e das polêmicas envolvendo Donald Trump e Jerome Powell, os mercados reagiram negativamente neste início de pregão.
Paralelamente, Trump anunciou que as empresas de cartão de crédito têm até o dia 20 de janeiro para limitar as taxas de juros a 10%. O plano consiste em estabelecer um teto para os juros nessas operações financeiras, sob a justificativa de que as taxas atuais são abusivas. A determinação foi pouco detalhada pelas autoridades norte-americanas, mas deve vigorar por pelo menos um ano. Os bancos reagiram mal à notícia, o que contribuiu para o comportamento baixista das ações e de outros ativos nesta manhã. Muitas companhias do setor alegaram que a medida é prejudicial ao funcionamento da esfera financeira, pois investidores de alto risco teriam operações comprometidas com a limitação das taxas nos patamares de 10%.
As tensões entre EUA e Irã voltaram a aumentar após as autoridades norte-americanas anunciarem que estão dispostas a ajudar a população iraniana diante da repressão às manifestações no país asiático.
O Irã enfrenta um momento economicamente difícil, sobretudo em termos inflacionários. Parte da população tem ido às ruas para protestar contra o governo. Os norte-americanos afirmaram que oferecerão suporte militar em caso de repressão massiva aos protestos e não hesitarão em iniciar uma operação violenta.
O Irã já começou a reforçar sua estrutura bélica, o que indicaria preparação para um possível ataque norte-americano de maior escala. Os mercados e os segmentos financeiros absorvem estímulos negativos diante da possibilidade de escalada nos conflitos, o que contribui para a queda dos ativos globais de maior volatilidade neste início de semana.
O Relatório Focus desta segunda-feira revelou alterações de baixa magnitude na SELIC para 2028, que passou de 9,75% para 9,88%. Além disso, foi revisado o IPCA para 2026, de 4,06% para 4,05%.
Outros Mercados:
O risco em torno da economia americana aumentou significativamente nos últimos dias, levando os agentes a retirar parte do capital da divisa norte-americana. O índice DXY recua nesta manhã, com perdas de 0,4% (número significativo considerando a volatilidade padrão da moeda). Esse movimento explica os ganhos robustos dos metais — reservas de capital alternativas ao dólar — nesta manhã. O ouro avança 2%, enquanto a prata registra alta de 6%. Os metais atingem as máximas históricas hoje.
Ouro e Prata | Contrato Contínuo

Com a baixa do dólar, o câmbio brasileiro recua, apesar dos estímulos altistas e depreciativos em torno da divisa nacional, associados às incertezas políticas domésticas.
O petróleo Brent apresenta perdas de 0,3% nesta manhã, enquanto o algodão demonstra resistência e estabilidade na faixa entre US¢64/lb e US¢65/lb.
Na Ásia, as bolsas fecharam em alta, impulsionadas pelos ganhos no setor de tecnologia avançada. Na Europa, os mercados absorvem as incertezas político-econômicas dos Estados Unidos e operam em baixa nesta segunda-feira.
Soja em alta
A soja estendeu os ganhos nesta manhã, após operar em alta nas últimas duas sessões.
A alta do mercado neste momento tem algumas explicações. Inicialmente, destacam-se as compras da China junto aos EUA. Na última sexta-feira, houve relato de compra de mais 10 carregamentos do produto americano pela China, totalizando cerca de 600 mil toneladas. O acordo de 12 milhões está próximo de ser cumprido, e o ceticismo quanto a essas operações começa a cair por terra. Estima-se que já tenham sido comercializadas entre 10 e 10,5 milhões de toneladas, o que corresponde a 85% a 90% das quantias acordadas. Os avanços nas negociações oferecem suporte aos futuros em Chicago pela ótica da demanda.
Paralelamente, há a demanda por farelo e a questão da Argentina. O país sul-americano é um dos grandes esmagadores do grão e um dos maiores exportadores de farelo, derivado do processo de esmagamento. O período final do ano e o início do ano seguinte é tradicionalmente uma janela de grandes vendas. Entretanto, como grande parte da soja argentina em estoque foi comercializada após a suspensão das retenciones e outras reduções nas tarifas de exportação, há uma pequena redução de estoque para produção de farelo, o que contribui para sustentar a oleaginosa.
O WASDE de janeiro, que será publicado hoje às 14h (horário de Brasília), pode revelar um ajuste para baixo na produção mundial. Essa é a expectativa do mercado no momento, o que também sustenta os contratos de soja na CBOT.
Milho em alta
O milho acompanhou o comportamento da soja e encerrou o pregão noturno com ganhos.
Em termos de fundamentos, os agentes aguardam a divulgação do WASDE, às 14h. A expectativa é de que a produtividade nos EUA recue. Entretanto, como explorado no Resumo Semanal de Milho desta segunda-feira, componentes da demanda do produto norte-americano devem sofrer reajustes para baixo, o que dificulta a previsão do comportamento dos futuros para os próximos dias/semanas.
Trigo em alta
O trigo foi o grão que apresentou a maior alta da sessão.
Há expectativa de redução dos estoques e área do trigo nos Estados Unidos, devido à competitividade com o milho e o algodão em algumas regiões produtoras. As condições climáticas secas também são um ponto de atenção para a cultura de inverno no país, e o mercado absorve estímulos altistas desses fatores.
Paralelamente, o cenário continua amplamente baixista, sendo que o WASDE deve indicar possíveis revisões para cima na produção e nos estoques mundiais, sobretudo para a Rússia e para a Argentina.

Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro.

Fonte: CommodityNetwork Traders-Pro em relação ao fechamento do dia anterior.

Fonte: **Estimativas StoneX.