
Mercado Externo: Petróleo despenca após falas de Trump
Os principais índices acionários norte-americanos operam em queda nesta manhã após a divulgação dos balanços trimestrais do Wells Fargo, Citigroup e Bank of America ontem. Os números foram considerados modestos pelo mercado, e as ações destas companhias vieram abaixo na sessão de quarta-feira (14), injetando estímulos baixistas aos principais indicadores financeiros. Uma nova rodada de balanços é esperada, e serão contemplados os relatórios do Goldman Sachs, Morgan Stanley e BlackRock nesta quinta-feira.
Ademais, a determinação do teto de juros às empresas creditícias por Trump continua limitando os ganhos das bolsas estadunidenses, isto porque a rentabilidade na esfera financeira pode ser limitada. Operações de alto risco, que abrangem patamares maiores de juros, atraem um nicho de investidores mais ousados, e as companhias temem que esta parte da clientela possa ser perdida com a medida requerida pelo presidente.
Houve, nesta manhã, a divulgação de dados econômicos na Zona do Euro. A Alemanha divulgou o crescimento do PIB em 2025, correspondente a 0,2%. O número é bastante modesto, o que implica no comportamento um tanto quanto neutro do DAX, que permanece tangente à estabilidade nesta manhã. Ainda assim, o resultado no país é o melhor desde 2022, uma vez que se observou recessão econômica em 2023 e 2024.
PIB da Alemanha | Variação anual (%)

Fonte: DESTATIS | Elaboração: StoneX
Na Inglaterra, o crescimento foi de 0,3%, acima dos 0,1% esperados pelo mercado. A FTSE 100 teve os melhores resultados entre os principais índices acionários do continente nesta manhã.
Na Ásia, tivemos comportamentos divergentes dentre os principais indicadores, sendo que o Nikkei devolveu parcialmente os ganhos da sessão anterior. No Japão, Sanae Takaichi detém grande aprovação popular, e as recentes altas na esfera financeira refletem um sentimento positivo em torno da possibilidade de adiantamento das eleições.
Outros Mercados:
A prata continua apresentando ganhos expressivos (+6,2%) diante das incertezas macroeconômicas e geopolíticas globais, além da restrição das exportações do metal pela China. O ouro também segue em dinâmica altista, registrando alta de 1% nesta manhã.
O petróleo Brent estende os ganhos na sessão (+0,8%), após as tensões entre EUA e Irã fornecerem amplo suporte aos futuros nos últimos dias. O algodão também avança, absorvendo os ganhos do petróleo e os estímulos altistas do WASDE de janeiro. A pluma finalmente supera a resistência de US¢65/lb, atingindo os maiores níveis desde o início de novembro de 2025.
Soja em alta
A soja apresentou ganhos na sessão, em meio a ajustes técnicos do mercado.
Novas compras chinesas de soja americana somaram 334 mil toneladas, elevando o acumulado de importações para aproximadamente 10,5 milhões de toneladas desde o acordo entre Trump e Xi, firmado ao final de outubro.
As vendas de exportação norte-americanas da semana passada indicam uma retomada do bom ritmo de comercialização. Foram 2,06 milhões de toneladas vendidas até o dia 8 de janeiro — mais do que o dobro em relação à semana anterior (877,9 mil toneladas) e cerca de duas vezes acima da média das últimas três semanas.
A safra brasileira continua demonstrando bom desenvolvimento, o que mantém a alta competitividade do país sul-americano no mercado e pressiona os futuros em Chicago.
Milho em alta
O milho também registrou ganhos na sessão.
A produção de etanol na semana passada foi a maior de todos os tempos. Foram 1,196 milhão de barris por dia, ante 1,098 milhão na semana anterior e 1,102 milhão na mesma semana do ano passado. O elevado nível de produção do biocombustível segue oferecendo suporte ao milho e limitando as perdas em um cenário de ampla oferta.
Após o WASDE extremamente baixista, o sentimento dos agentes foi ajustado diante do mercado. A safra 2025/26 nos Estados Unidos foi excepcionalmente volumosa, a maior de todos os tempos. Ainda que a demanda pelo grão norte-americano esteja sendo impulsionada pelas exportações, pelo etanol e pelas possíveis liberações de utilização do E15, entende-se que isso pode não ser suficiente para equilibrar o mercado sob a ótica dos fundamentos. Isso implica uma provável redução de área na próxima semeadura, com o milho perdendo espaço para a soja, que, no momento, apresenta um balanço um pouco mais equilibrado — ainda que o cenário também seja predominantemente baixista para os preços da oleaginosa.
A proposta da EPA para aumentar os níveis obrigatórios de biocombustíveis e, por consequência, do biodiesel segue em análise e, caso a determinação seja validada, pode potencializar significativamente o consumo de óleo e a demanda por soja.
O alto preço dos fertilizantes também favorece a escolha pelo plantio de soja, uma vez que o milho é uma cultura mais intensiva em adubos.
As vendas de exportação dos EUA na semana passada, até o dia 8 de janeiro, totalizaram 1,14 milhão de toneladas, configurando um aumento substancial em relação aos valores da semana anterior (377,6 mil toneladas). As comercializações estão retornando a patamares superiores aos observados no fim do ano passado, uma vez que as vendas foram impactadas pelas festividades.
Trigo em alta
O trigo registrou os maiores ganhos no pregão noturno entre os grãos. Os futuros em Chicago avançaram com suporte de compras, após os preços terem recuado consideravelmente depois do WASDE de segunda-feira (12).
A próxima safra de trigo de primavera nos EUA, cujo plantio começa por volta de abril, deve apresentar alguma redução de área, em uma tentativa de sustentar os preços.
As vendas de exportação referentes à semana de 8 de janeiro voltaram a registrar volumes bastante modestos. Foram 156,3 mil toneladas, quantidade 69,6% menor em comparação à mesma semana do ano passado (513,4 mil toneladas) e 56,6% abaixo da média das últimas três semanas.

Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro.

Fonte: CommodityNetwork Traders-Pro em relação ao fechamento do dia anterior.

Fonte: **Estimativas StoneX.