
Mercado Externo: Discurso de Trump e independência do Fed no radar
Os principais índices acionários norte-americanos iniciam o dia (21) em alta, mediante ajustes técnicos de mercado, após apresentarem uma dinâmica de queda livre nesta terça-feira (20).
Donald Trump está discursando no World Economic Forum, na Suíça. Potenciais volatilidades podem ocorrer no mercado nesta tarde, sobretudo caso haja algum anúncio em torno da pauta da Groenlândia.
Ademais, um evento relevante do dia é audiência acerca da tentativa de demissão da diretora do Federal Reserve, Lisa Cook, que ocorrerá 12h (horário de Brasília). A audiência é impactante pois pode gerar novas interpretações aos agentes acerca do grau de independência do Fed, que já fora contestado após as ameaças criminais da justiça norte-americana contra o atual presidente do órgão monetário, Jerome Powell. O entendimento de que a integridade do Banco Central norte-americano está sendo reduzida pode acarretar uma queda dos principais ativos acionários nos EUA, e os efeitos podem transbordar às commodities.
Os mercados asiáticos encerraram o dia de maneira mista, no aguardo de novidades no front macroeconômico e geopolítico global, enquanto Takaichi deve dissolver a Câmara Baixa no dia 23 de janeiro, “preparando o terreno” para convocar as eleições parlamentares no dia 8 de fevereiro. O Nikkei, do Japão, operou em baixa mediante quesito técnicos e uma preocupação de parte do segmento financeiro acerca das potenciais políticas fiscais expansionistas. Ainda assim, o recorte recente contempla altas históricas do índice, dada a alta popularidade da governante.
Na Europa, os mercados também operam em baixa, mediante as tensões geopolíticas e o anúncio das tributações sobre os produtos de alguns países europeus por Trump no início da semana.
Soja em alta
A soja encerrou as operações com ganhos de mais de 1% neste pregão noturno, após apresentar perdas associadas a ajustes técnicos e à absorção de estímulos baixistas do segmento financeiro como um todo, dadas as questões e tensões geopolíticas que promoveram as maiores perdas às bolsas norte-americanas desde outubro do ano passado.
Scott Bessent, Secretário do Tesouro Americano, afirmou que a China atingiu o volume de compras de 12 milhões de toneladas de soja. A confirmação contribui para as altas da soja na sessão, uma vez que se cria a expectativa de uma continuidade da demanda chinesa pela oleaginosa norte-americana.
Ainda assim, os estímulos altistas do cumprimento da operação podem ser limitados, uma vez que não há garantia de que a China continuará demandando o produto americano nos próximos períodos – mesmo que estejam acordados 25 milhões de toneladas comercializadas nos próximos três anos. Os preços no Brasil são bastante atrativos, dado o potencial competitivo e a grande safra deste ano, que está começando a ser colhida neste momento.
Soja | Exportações norte-americanas à China por ano (milhões de toneladas)

Fonte: USDA | Elaboração: StoneX
2025*: Quantidades exportadas entre janeiro de 2025 até o acordo comercial em outubro. Toda a soja vendida no período é referente a safra 2024/25.
2025**: Quantidades exportadas após o acordo comercial (out/25) até o dia 20 de janeiro de 2026. Toda a soja é referente à safra 2025/26.
2026/2027/2028: Quantias de comercialização acordadas em out/25 para os correspondentes anos.
As inspeções do USDA, referentes à semana passada, revelaram um aumento do ritmo de exportações de soja americana em detrimento do mesmo período no ano passado. Foram 1,33 milhões de toneladas, 34,41% a mais em comparação as 989,49 mil de 2025. O retorno de comercializações mais ativas com a China – que foi a principal destinação da semana – após o acordo comercial de outubro continua oferecendo sustento aos futuros em Chicago.
Milho em alta
O milho encerrou a sessão com ganhos significativos, assim como a soja, de quase 1%.
As inspeções do USDA reforçaram o bom ritmo das exportações americanas para o grão. Foram 1,48 milhões de toneladas para a semana, um pouco a menos em detrimento da semana passada (1,50 milhões) e da mesma semana em 2025 (1,54 milhões). Ainda assim, entende-se que as vendas vêm contribuindo para oferecer suporte ao milho na CBOT.
Trigo em alta
O trigo também contemplou ganhos de mais de 1% na sessão, seguindo o movimento de alta dos grãos após as perdas robustas de ontem.
As inspeções do USDA referentes à semana anterior revelaram valores interessantes ao trigo, ainda que as vendas não tenham sido tão volumosas. Foram 392,61 mil toneladas na semana, 23,48% a mais em comparação a semana passada, e 49,98% a mais em detrimento da mesma semana no ano anterior.
A Arábia Saudita também movimentou o mercado no início desta semana, realizando uma operação de compra de cerca de 907 mil toneladas de trigo. Não foi tão impactante para os preços CBOT, à medida que a grande maioria dos grãos devem ter sido negociados junto ao Mar Negro.
Outros Mercados:
O ouro segue em alta nesta quarta-feira, estendendo o protagonismo neste cenário de incertezas e tensões políticas, considerando sua alta capacidade de reserva de capital. É possível que nos próximos dias ocorrera alguma correção técnica mais acentuada, mas, ainda assim, a tendência segue apontando para uma alta mais longeva da commodity. A prata contempla uma pequena correção já nesta manhã de quarta-feira, operando com ligeiras perdas técnicas.

Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro.

Fonte: CommodityNetwork Traders-Pro em relação ao fechamento do dia anterior.

Fonte: **Estimativas StoneX.