
Mercado Externo: Dados econômicos nos EUA movimentam mercados
Os principais índices acionários norte-americanos estendem os ganhos nesta quinta-feira (22), após amplas altas na sessão anterior.
O presidente Donald Trump anunciou ontem, em seu discurso no Fórum Econômico Mundial e pelas redes sociais, que os EUA não executarão mais o plano tarifário sobre produtos de oito países europeus, que haviam sido taxados anteriormente e cujas tarifas estavam previstas para começar em fevereiro. Além disso, o representante norte-americano recuou da posição ameaçadora de invadir a Groenlândia utilizando força bruta, alegando que as negociações pacíficas em torno do território estão avançando.
Todas essas ações de Donald Trump foram recebidas de maneira surpreendente pelo segmento financeiro, ainda que parte do mercado já esteja acostumada com as mudanças repentinas de direção do presidente. O saldo geral foi bastante positivo para os mercados, que avançam substancialmente desde ontem.
O Bureau of Economic Analysis (BEA) divulgou às 10h30 que o crescimento anualizado do PIB americano para o terceiro trimestre de 2025 foi de 4,4%. O número indica que a variação entre o terceiro e o segundo trimestre do ano passado, em caso de estendida pelos próximos quatro trimestres, convergiria para um crescimento anualizado de 4,4%. Esta foi a última atualização do índice, e a próxima divulgação, no dia 20 de fevereiro, deve abranger já o período do quatro trimestre de 2025. O crescimento de 4,4% veio acima das expectativas de mercado (4,3%), o que indica sinais positivos à economia americana, que passa por um momento de altos e baixos, mas que demonstra resiliência. A divulgação deve confirmar a manutenção dos juros na próxima reunião do Fed, na semana que vem.
Crescimento (%) anualizado do PIB norte-americano por trimestre desde 2023:

Fonte: BEA | Elaboração: StoneX
Além disso, será divulgado ao meio-dia (horário de Brasília) o Índice de Preços das Despesas de Consumo Pessoal (PCE). O indicador é bastante relevante para as análises inflacionárias, uma vez que mede a participação do consumo doméstico no PIB, utilizando números do próprio CPI.
Os mercados europeus avançam de maneira significativa nesta manhã, com várias bolsas operando em alta superior a 1%, após a diminuição das tensões entre o continente e os Estados Unidos. O Banco Central Europeu divulgou a ata da última reunião, na qual os diretores afirmam que não há pressa para alterar os juros na Zona do Euro, uma vez que a inflação se encontra consideravelmente controlada em torno da meta de 2%, e à medida que os países demonstram resiliência após períodos economicamente mais enfraquecidos nos últimos anos – como no caso alemão.
Na Ásia, as bolsas também fecharam em alta, impulsionadas pela euforia em Wall Street e às vésperas da dissolução da Câmara Baixa, por Sanae Takaichi.
Soja em alta
A soja estende os ganhos na sessão após admitir uma dinâmica altista nos últimos dias. A confirmação das compras chinesas, que atingiram as 12 milhões de toneladas acordadas, segue promovendo alta à oleaginosa.
Os agentes seguem na expectativa pelo aumento do potencial de comercialização da soja americana, que pode tornar o movimento altista ainda mais longevo. Ainda assim, é uma tendência pouco provável, dada a competitividade brasileira, como mencionado nos relatórios anteriores.
Milho em alta
O milho dividiu os ganhos com a soja e encerrou as operações em alta na sessão.
O auxílio financeiro de 15 bilhões de dólares pode não acontecer nos Estados Unidos. A medida foi duramente criticada pela Federação de Agências Agrícolas, que considerou o suporte governamental insuficiente para assegurar uma melhora das condições produtivas dos agricultores a longo prazo, uma vez que os custos de produção vêm aumentando significativamente em detrimento dos preços das commodities agrícolas. A federação também alegou que as perdas dos produtores ultrapassam consideravelmente a casa dos 15 bilhões de dólares.
Além disso, o E15 deve seguir com suas restrições sazonais, o que é bastante negativo para o equilíbrio da oferta e demanda no mercado de milho neste momento de amplas safras pelo mundo, sobretudo nos EUA. Esse fator deve atuar como estímulo baixista nos próximos períodos ou, minimamente, a indefinição sobre a utilização em maior escala do E15 deve continuar limitando ganhos mais acentuados no mercado, ainda que a demanda doméstica e externa pelo milho esteja aquecida.
Algumas vendas anunciadas pelo USDA, referentes a esta quarta-feira, contribuíram para a alta da commodity na sessão, oferecendo suporte aos futuros em meio às atualizações que tendem a oferecer estímulos baixistas. Foram cerca de 150 mil toneladas vendidas à Colômbia e 195 mil toneladas exportadas para destinos desconhecidos.
Trigo em alta
O trigo se destacou na sessão, tendo os maiores ganhos dentre os grãos (+0,94%).
O clima nos Estados Unidos deve ser o principal responsável pela alta do trigo na sessão, do ponto de vista dos fundamentos. As temperaturas médias no território norte-americano estão muito baixas nos últimos dias, e esta é a tendência para as próximas duas semanas. Entretanto, a cobertura de neve está consideravelmente baixa, o que pode prejudicar a proteção do grão contra o frio excessivo. Podemos ter uma queda dos rendimentos, a partir disso, o que sustenta os futuros em Chicago. Potenciais revisões nos números produtivos podem ocorrer no próximo WASDE, em fevereiro, caso o cenário realmente se estenda por mais tempo.
A Índia anunciou que deve realizar a exportação de 500 mil toneladas do grão após três anos com uma participação bastante restrita no mercado. Há a expectativa de aumento na oferta doméstica nos próximos períodos, o que leva a necessidade de uma atuação mais ativa na ponta exportadora. A injeção dos grãos indianos deve aumentar a oferta no âmbito mundial, o que pode oferecer pressão aos futuros em Chicago nos próximos momentos.
Outros Mercados:
O dólar segue praticamente lateralizado nesta manhã, com pequenas perdas que contribuem para a apreciação do real brasileiro. O câmbio brasileiro registra um recuo de 0,2% neste início de pregão. Ontem, houve uma queda de 1,05%, marcando uma forte valorização intradiária do real, à medida que o discurso de Trump no Fórum Econômico Mundial reduziu a percepção de alguns riscos globais significativos. Além disso, é possível notar uma dinâmica baixista para o câmbio neste mês de janeiro do ponto de vista técnico, o que é plausível considerando o avanço de 3% no último mês, dezembro de 2025.
O ouro apresenta pequenas perdas nesta manhã – cerca de 0,1% –, operando de maneira praticamente lateral. As limitações nos ganhos podem estar associadas ao discurso de Trump e a fatores técnicos. A prata, por outro lado, registra alta de aproximadamente 1% neste início de sessão, após pequenas perdas na quarta-feira.
O petróleo Brent apresenta um recuo significativo nesta quinta-feira, após o registro de fortes avanços nos estoques nos EUA. Para entender mais detalhadamente, acesse o Diário de Petróleo de hoje. O algodão mostra leves ganhos nesta manhã, após quatro sessões consecutivas em baixa.

Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro.

Fonte: CommodityNetwork Traders-Pro em relação ao fechamento do dia anterior.
Fonte: **Estimativas StoneX.