
Mercado Externo: Mercados absorvem manutenção de juros por bancos centrais
Os principais índices acionários norte-americanos apresentam comportamento misto nesta quinta-feira (29), após a decisão do Federal Reserve e a divulgação de resultados financeiros de grandes companhias. O Nasdaq contempla os maiores ganhos, enquanto o Dow Jones e o S&P 500 operam de maneira mais lateralizada.
Os resultados corporativos divulgados nesta quarta-feira (28) foram bons, de modo geral. Companhias dos setores de saúde, indústria e materiais/eletrônicos apresentaram bom desempenho em termos de receita e lucro por ação. Ainda assim, as big techs tiveram uma performance um pouco mais contida, com exceção à Meta, que entregou números acima do esperado pelo mercado. A Microsoft registrou as maiores quedas nos papeis, de 6%.
O Fed optou por manter as taxas inalteradas na reunião desta quarta, como esperado pelo mercado. Powell reiterou a solidez da economia americana no momento em seu diálogo após a decisão. Factualmente, temos um momento de resiliência da economia americana em termos de mercado de trabalho, que demonstra uma melhora gradual, e em termos de crescimento, uma vez que o crescimento do PIB 3º trimestre de 2025 foi o maior desde o 3º trimestre de 2023. A inflação segue sendo um ponto de atenção, pois, ainda que consideravelmente controlada, permanece acima da meta de 2%. Desta maneira, entendo que, para Powell, parece um momento propício para cessar a dinâmica de cortes e observar o comportamento da economia norte-americana nos próximos meses. Abaixo, segue uma visualização referente ao crescimento do PIB americano nos últimos trimestres.
EUA | Variação (%) do PIB por trimestre

Fonte: BEA | Elaboração: StoneX
O Copom também manteve a taxa Selic inalterada, em 15% a.a, sendo que Gabriel Galípolo não se pronunciou após o anúncio. Contudo, o comitê comunicou que deve começar a flexibilizar a política monetária no próximo encontro, em março. Ainda assim, o órgão salientou que deve agir de maneira cautelosa, considerando a manutenção da tendência inflacionária rumo a meta de 3%, e as tensões geopolíticas internacionais, que aumentam o risco sobre ativos econômico-financeiros dos países emergentes.
Na Ásia, os mercados operaram em alta em meio ao compartilhamento dos balancetes. Na Europa, o comportamento das bolsas também é altista nesta manhã.
Soja em alta
A soja estendeu os ganhos na sessão.
As expectativas sobre o 45Z continuam sustentando a oleaginosa, ainda que Trump não o tenha mencionado em seu discurso no IOWA.
As vendas de exportação do USDA revelaram 819 mil toneladas de soja americana exportadas na semana passada, 86% a mais em comparação ao ano-passado e 48,2% a mais em detrimento da média dos últimos cinco anos. A China foi a principal destinação, com 233 mil toneladas importadas, seguida do Egito, com 171 mil t. Analisando estes números, é possível concluir que as vendas foram ótimas por parte da soja, nesta semana - o que é contribui para a recente dinâmica altista da oleaginosa no mês de janeiro. Até aqui, a variação do contrato contínuo - desde o dia 2 de janeiro – é de 2,8%.
Milho em alta
O milho acompanhou a oleaginosa e encerrou a sessão em alta.
As vendas de exportação revelaram 1,65 milhão de toneladas exportadas pelos Estados Unidos na semana passada. Os valores são 21,4% maiores em comparação ao mesmo período em 2025, e 11,2% maiores em detrimento da média dos últimos 5 anos-safra, ainda que as vendas tenham caído 58,9% em relação a semana passada. O volume de exportações continua bom para os EUA, o que oferece sustento aos futuros do grão em Chicago.
A produção de etanol na semana passada foi de 1,11 milhões de barris por dia, 0,4% a menos em comparação a semana anterior. Ainda assim, os volumes produzidos deste início de ano são os maiores de toda a história, no acumulado de janeiro. Esta vem sendo mais uma via de injeção de estímulos altistas ao milho sob a ótica de demanda.
O cenário continua predominantemente baixista, sobretudo ao analisarmos a ótica da oferta e as grandes safras pelo mundo e no próprio EUA. Em um recorte de duas semanas, porém, a variação do milho na CBOT foi de 2,3%.
Trigo em alta
O trigo acompanhou o complexo de grãos e encerrou a sessão em alta.
As vendas de exportação do USDA também foram ótimas ao trigo, assim como para outros grãos. O dólar enfraquecido parece ser uma justificativa bastante plausível para explicar as boas quantias associadas às vendas. Foram 558 mil toneladas exportadas de trigo americano, 22,3% a mais em detrimento do mesmo período no ano safra passado, e 19,4% a mais em comparação à média dos últimos cinco anos.
Outros Mercados:
Os metais estendem os ganhos, permanecendo na máxima histórica - ouro (+4,5%) e prata (+5,8%). O petróleo Brent também toma os holofotes para si nesta sessão, contemplando ganhos de 3,5% em meio as tensões geopolíticas no Oriente Médio, entre Irã e Estados Unidos. O algodão opera de maneira lateralizada nesta manhã.
odityNetwork Traders’ Pro.

Fonte: CommodityNetwork Traders-Pro em relação ao fechamento do dia anterior.
Dollar Index: 96,24 | Dif. (%) = 0,22
Fonte: **Estimativas StoneX.