
Mercado Externo: Temporada de balanços movimenta o mercado nos EUA
Os principais índices acionários norte‑americanos iniciam o dia em alta, com o mercado seguindo balanços animadores das empresas de tecnologia americanas. Além disso, um maior otimismo com relação à confiança na política monetária norte-americana após a indicação de Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve também favorece um movimento de redolarização de portfólios, entregando suportes aos ativos americanos.
A temporada de balanços das empresas americanas se aproxima do final, entregando um ambiente de relativa calmaria hoje. Essa falta de manchetes deve ser reforçada pela falta de publicação de dados oficiais sobre a situação da economia americana. Hoje, era esperada a publicação do JOLTS de janeiro. No entanto, a publicação deste relevante relatório, bem como do relatório de emprego, previsto inicialmente para esta sexta-feira (06), está suspensa por período indeterminado. O motivo disso é uma nova paralisação parcial das atividades do governo americano após o congresso não ter atingido um consenso para a aprovação de um novo orçamento até a última sexta-feira (30). Congressistas democratas defendem uma suspensão do financiamento do Departamento de Segurança Interna (DHS), após a morte de dois cidadãos americanos pela Polícia Anti-imigração (ICE) no estado de Minessota. Essa atitude da oposição tem dificultado a formação de consenso no congresso, mas, ao que tudo indica, um novo orçamento deve ser aprovado nas próximas horas.
Domesticamente, o Copom divulgou a ata da reunião de 28 de janeiro. O documento ressaltou a decisão de manter a taxa básica em 15% a.a. e indicou que um novo ciclo de corte de juros pode se iniciar na próxima reunião, em março. Ainda assim, o Comitê permanece bastante atento ao ambiente político e econômico dos Estados Unidos, que abrange incertezas no momento e pode impactar os segmentos financeiro, econômico e monetário de países emergentes. Além disso, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, destacou o quadro geopolítico conturbado, salientando que esse fator também pode restringir a flexibilidade da política monetária doméstica.
Os mercados asiáticos encerraram com ganhos expressivos após o anúncio, por Donald Trump, de um acordo comercial entre Estados Unidos e Índia. As tarifas bilaterais, que até então giravam em torno de 50%, devem ser reduzidas para cerca de 18%. A decisão tende a estimular o setor produtivo e o ambiente econômico‑financeiro em ambas as economias. Uma das condições do acordo é a redução, por parte da Índia, das importações de petróleo russo — estratégia de Trump para enfraquecer um adversário geopolítico e pressioná‑lo em direção a um eventual cessar‑fogo na Ucrânia.
Na Europa, os mercados operam sem direção única, ainda que com ganhos predominantes, em especial pela maior propensão ao risco nos mercados globais.
Soja em alta
A soja apresenta ganhos no pregão, e o mercado parece absorver estímulos altistas apoiados por uma estrutura de suporte no curto prazo.
De acordo com o USDA, o volume de soja esmagada em dezembro do ano passado segue indicando um cenário positivo para a demanda: foram 6,26 milhões de toneladas processadas, 4,3% a mais em relação a nov/25 e 5,6% acima de dez/24.
O acordo comercial entre Estados Unidos e Índia prevê o aumento das compras de produtos agrícolas norte‑americanos pelo país asiático. Ainda assim, a Índia é reconhecida principalmente como importadora de óleo de soja. Considerando que a demanda doméstica norte‑americana por óleo segue bastante elevada, é pouco provável que o acordo se traduza, no curto prazo, em exportações significativamente maiores para o complexo soja.
As inspeções de exportação do USDA vieram dentro das expectativas na última semana: 1,31 milhão de toneladas embarcadas — 2% abaixo da semana anterior, mas 15% acima do mesmo período do ano passado, reforçando a tendência de recuperação das exportações e da demanda pela soja norte‑americana após o acordo comercial com a China.
Milho em alta
O milho acompanhou a soja e encerrou o pregão noturno em alta.
Assim como a oleaginosa, a destinação do milho à produção de biocombustível aumentou em dez/25 nos Estados Unidos: foram 12,4 milhões de toneladas destinadas à produção de etanol, ante 11,8 milhões em nov/25 (+5,2%) e 12,2 milhões em dez/24 (+1,9%). Se avançar o fim das restrições sazonais relacionadas ao E15, a tendência é que esse volume cresça ainda mais, oferecendo suporte adicional e prolongado aos futuros em Chicago.
O acordo com a Índia também deve favorecer a demanda pelo milho norte‑americano. O grão pode se beneficiar significativamente, principalmente porque a Índia está expandindo a produção de etanol a partir de grãos, em um contexto no qual o E20 já está implementado no país.
As inspeções semanais do USDA mostraram 1,14 milhão de toneladas exportadas — 27% abaixo da semana anterior e 9,9% abaixo do mesmo período do ano passado. Ainda assim, as vendas permanecem robustas, acima do ritmo necessário para cumprir a estimativa atual de embarques do USDA.
Trigo em alta
O trigo acompanhou o complexo de grãos e encerrou em alta.
As inspeções do USDA revelaram 326,8 mil toneladas exportadas na semana passada, 14% abaixo da semana anterior e 29% acima do mesmo período do ano passado. Os números vieram dentro das expectativas, e o ritmo de vendas segue oferecendo algum sustento aos futuros em Chicago, à medida que evolui em linha com as metas do USDA para exportações.
As condições climáticas adversas na Rússia têm comprometido o funcionamento dos portos e, consequentemente, a logística de exportação do país, refletindo‑se na queda do número de embarcações e no aumento dos preços FOB no Mar Negro. Embora as preocupações com winterkill tenham diminuído na região — com exceção da Ucrânia, como apontado no Resumo Semanal de Trigo —, os entraves logísticos reduziram a competitividade russa nas últimas semanas, o que foi benéfico aos futuros em Chicago, que apresentaram avanço no fechamento de janeiro.
Outros Mercados
Os metais operam em recuperação, depois de uma sessão mais lateralizada – com pequenas perdas – após a correção no final da última semana. O movimento está associado ao comportamento mais estabilizado do Índice DXY, que começa o dia com os ganhos limitados após duas sessões em alta. Além disso, o presidente Donald Trump planeja expandir a reserva de minerais críticos, como a prata, sendo que o investimento inicial deve corresponder a 12 bilhões de dólares. Desta maneira, entende-se que a demanda por commodities metálicas deve se manter dinâmica, o que pode oferecer uma nova tendência de suporte aos futuros. O objetivo do presidente é garantir o abastecimento de segmentos de alta tecnologia, como o setor automobilístico e de microchips.
O petróleo Brent e o algodão operam em alta, nesta manhã, conjuntamente.
odityNetwork Traders’ Pro.

Fonte: CommodityNetwork Traders-Pro em relação ao fechamento do dia anterior.
Fonte: **Estimativas StoneX.