
Mercado Externo: Decisões de juros pelo mundo
Os principais índices acionários norte-americanos abrem de forma mista, com perdas predominantes, à medida que a temporada de balanços segue proporcionando volatilidade. Os resultados da Alphabet nesta quarta-feira (4) foram sólidos, em termos de receita e lucro por ação. Ainda assim, o segmento financeiro segue liquidando contratos associados à tecnologia avançada, uma vez que os temores acerca de uma queda mais acentuada voltam à tona.
No Brasil, os resultados do Itaú, que também saíram nesta quarta-feira, foram bem recebidos pelos mercados. Todavia, de maneira semelhante à Wall Street, a B3 opera majoritariamente em baixa nesta quinta-feira, sobretudo devido a ajustes técnicos do mercado e realocação das expectativas em meio à temporada de balanços. Após o encerramento do pregão, teremos os balancetes do Bradesco para o 4T25.
Na Inglaterra, o Banco Central decidiu por manter os juros inalterados em 3,75% na reunião de hoje, apesar de que quatro dos nove membros votaram para reduzir as taxas em 0,25p.p. O órgão continua observando a inflação, que se manteve estável no mês de dezembro e mostra sinais de desaceleração para os próximos meses. Ainda assim, dados do mercado de trabalho e o nível da demanda corroboram para um novo ciclo de cortes nos próximos períodos.
Na Europa, as bolsas operam majoritariamente em baixa, enquanto o Banco Central Europeu manteve os juros inalterados em 2%, e este cenário de manutenção deve perdurar pelos próximos períodos. Na Ásia, o dia também foi de queda, à medida que os mercados acompanharam o comportamento de Wall Street.
Soja em alta
A soja estendeu os ganhos após uma grande sessão na última quarta-feira.
Donald Trump anunciou que teve uma conversa bastante produtiva com Xi Jingping, via telefone. O presidente norte-americano revelou que a China deve comprar cerca de 8 milhões de toneladas até o dia 31 de agosto de 2026. Esta operação, de antemão, pode ser interpretada como pouco econômica por parte dos chineses, uma vez que a soja brasileira é mais acessível no mercado. Ainda assim, entende-se que este pode ser mais um acordo comercial essencialmente político de ambas as partes, mais do que propriamente econômico ao comprador. Caso a China cumpra o acordo, podemos alimentar a tese de que é relevante, para o governo chinês, que esta relação junto aos EUA se mantenha de pé. Desenvolvendo, pode-se imaginar que, por trás deste acordo comercial, estão relacionadas outras temáticas importantes aos dois países, como as terras-raras, tecnologia avançada e assuntos militares. O mercado absorveu a notícia de maneira bastante entusiasmada, e a soja contemplou alta de 2,49% no pregão de ontem.
Conforme o USDA, as vendas de exportação referentes à semana do dia 29 de janeiro revelaram 437 mil toneladas vendidas de soja americana, 12,7% a mais em comparação ao mesmo período no ano anterior, e 24,6% a menos em detrimento da média dos últimos cinco anos. Entende-se que o atual ritmo de exportação continua abaixo do que é tipicamente observado, mas, ainda assim, segue acima do último ano. A aproximação comercial com a China pode elevar novamente os volumes negociados, como comentado anteriormente.
Milho em baixa
O milho encerrou a sessão em baixa, diferentemente da soja.
A produção de etanol dos EUA na semana passada recuou para 956 mil barris por dia, 13% a menos em comparação aos 1,11 milhão da semana anterior – e 5,3% a menos em detrimento do mesmo período no ano anterior. Acredita-se que o clima excessivamente frio no território norte-americano tenha sido responsável por desacelerar a produção, sob o ponto de vista operacional das usinas. O clima deve permanecer pouco inalterado nos próximos sete dias e, portanto, este deve ser um ponto de atenção aos agentes para a produção de etanol nesta semana também. A queda na produção de etanol pode ter contribuído para limitar os ganhos do milho em Chicago na última sessão, e neste pregão noturno também, ainda que este não deve ser um estímulo tão intenso para eventuais volatilidades aos futuros nos próximos momentos.
As vendas de exportação referentes à semana passada revelaram 1,04 milhão de toneladas exportadas no período, 29,5% a menos em comparação ao mesmo período no último ano, e 58,2% a menos em detrimento da média dos últimos cinco anos. Os resultados abaixo do esperado para as vendas na última semana contribuem para a conclusão de que o milho recebeu uma injeção de estímulos baixistas nos últimos dias, sob a ótica da demanda.
O USDA anunciou que exportadores norte-americanos venderam 130 mil toneladas de milho para destinações desconhecidas nesta quarta-feira, operação que possui impacto diretamente altista aos futuros, ainda que pouco acentuado.
Trigo estável
O trigo encerrou o pregão de maneira estável.
As vendas de exportação do USDA revelaram 374 mil toneladas exportadas na última semana, 14,8% a menos em comparação ao mesmo período no ano passado, mas 13% acima da média dos últimos cinco anos. O ritmo de vendas de trigo continua dentro das expectativas, e este componente da demanda mostra resiliência, apesar do cenário amplamente baixista aos futuros sob a ótica da oferta.
Outros Mercados
O ouro e a prata voltaram a operar em queda, evidenciando uma fragilidade técnica neste momento após a grande correção da última sexta-feira (30). Além disto, o DXY operou em leve alta, o que contribui para a perda dos metais. A escolha por Kevin Warsh, e o recente discurso de Scott Bessant fomentaram as expectativas por um dólar mais forte, ou de perdas limitadas, ainda que Donald Trump defenda a desvalorização da moeda neste momento em troca incentivos à atividade econômica americana – via redução de juros, por exemplo.
O petróleo Brent recuou a mais de 1% na sessão, ignorando potenciais estímulos altistas de um balanço mais folgado nos EUA. O algodão acompanhou a commodity energética e estendeu as baixas, renovando os patamares mínimos dos últimos cinco anos.
odityNetwork Traders’ Pro.

Fonte: CommodityNetwork Traders-Pro em relação ao fechamento do dia anterior.
Fonte: **Estimativas StoneX.