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Inventário de emissões: o que é e como funciona a metodologia

By: Isabela Garcia, Market Intelligence Analyst

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Inventário de emissões: o que é e como funciona a metodologia

O inventário de emissões de gases de efeito estufa (GEE) é o instrumento que as organizações possuem para estimar e monitorar as emissões resultantes da sua atividade. A partir desse mapeamento, é possível identificar os principais segmentos da organização que contribuem para emissões, sendo uma ferramenta importante para planejar ações de redução e compensação, além de trazer transparência para os investidores, instituições financeiras e sociedade civil. 

O mecanismo foi inicialmente estabelecido em 1998, após a assinatura do Protocolo de Kyoto e a necessidade de uma padronização da metodologia para reportar emissões. Assim, foi estabelecido o GHG Protocol, que conta com uma estrutura de três escopos para classificar as emissões corporativas, englobando as diretas e indiretas. 

Desde então, a metodologia foi evoluindo, com alguns países contando com adaptações para o contexto de cada região. No Brasil, a sua própria versão do GHG Protocol foi implementada em 2008, por exemplo. Em algumas regiões, a divulgação esse reporte já é obrigatória para as empresas, especialmente em países onde já se tem mercados de carbono regulados.

Vale destacar que existem diferentes metodologias para realização do inventário corporativo, mas o GHG Protocol é a mais utilizada atualmente, sendo compatível com as normas da International Organization for Standardization (ISO) e com as metodologias de quantificação do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC).

Explicando os escopos de emissões

Para avaliar o impacto climático, as empresas precisam medir as emissões geradas em suas próprias operações (direto), mas também das matérias primas utilizadas no processo e as emissões resultantes do uso dos bens/serviços comercializados. Além disso, os escopos das emissões englobam os principais gases do efeito estufa, ou seja, as empresas devem especificar os poluentes derivados daquelas atividades, além do carbono.

Assim, são definidos três escopos que juntos englobam a totalidade desse indicador:

Resumo - Escopos para inventário corporativo:

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Fonte: GHG Protocol. Elaboração: StoneX.

Escopo 1:

As emissões de escopo 1 são os gases de efeito estufa que uma empresa ou organização emite diretamente, decorrente de suas atividades operacionais sob controle dessa companhia. Dentro do escopo 1, ainda se tem quatro categorias de classificação: Combustão Estacionária, Combustão Móvel, Emissões Fugitivas e Processos Industriais.

  1. Combustão estacionária: Emissões diretas resultantes da queima de combustíveis em fontes fixas, como caldeiras, fornos e geradores;
  2. Combustão móvel: Emissões liberadas pelos veículos a combustíveis fósseis pertencentes ou controlados por uma empresa, como carros, vans e caminhões. 
  3. Emissões fugitivas: Emissões não intencionais de gases de efeito estufa, por exemplo, de sistemas de refrigeração ou unidades de ar-condicionado;
  4. Processos Industriais: Emissões resultantes de reações químicas em processos de fabricação, como a produção de cimento, alumínio, ferro e aço.

Em geral, por estarem sob controle direto da empresa, as emissões de Escopo 1 podem contar com estratégias de descarbonização com melhor direcionamento, e ações imediatas e concretas. Ao contrário das emissões de Escopo 3, que dependem da cadeia de suprimentos, por exemplo, as ações de descarbonização do Escopo 1 estão dentro da jurisdição da própria companhia, o que torna sua redução mais rápida e de impacto direto.

Escopo 2:

As emissões de Escopo 2 são aquelas geradas indiretamente pelas empresas, especificamente associadas à compra de energia elétrica, vapor e aquecimento que são consumidos pela companhia. Trata-se das emissões geradas fora das instalações da empresa, mas que resultam do uso de energia adquirida para operações – ou seja, o consumo de energia que provoca emissões, logo, mesmo que as empresas não tenham produzido diretamente, ainda são responsáveis por esse volume emitido.

Para estimar as emissões de Escopo 2, tem-se a metodologia baseada no local (location-based), que utiliza um fator médio de emissão da matriz elétrica da região que a empresa está localizada. De maneira complementar, também se tem o método baseado no mercado (market-based), que considera as fontes de energia contratadas pela empresa, incluindo contratos de energia renovável.

Uma das ações para reduzir as emissões desse escopo é a partir de projetos de eficiência energética e aumento da contratação de energia de fontes menos poluentes, por exemplo, via mercado livre de energia. Há também a possibilidade de recorrer para o mercado de carbono a fim de adquirir títulos que compensem essas emissões.

Vale destacar que, considerando a metodologia baseada no local, as emissões de Escopo 2 de empresas no Brasil tendem a serem menores quando comparadas com outros países. Isso porque a matriz elétrica brasileira é composta majoritariamente por fontes renováveis, com essas representando 88,2%. Assim, o fator médio de emissão do Brasil em 2024 foi de 0,0545 tCO2/MWh de acordo com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Em termos comparativos, nos Estados Unidos esse indicador alcançou 0,3674 tCO2/MWh, enquanto na Alemanha era de 0,321 tCO2/MWh.

Escopo 3:

Por fim, as emissões de Escopo 3 englobam todas as demais emissões indiretas associadas às atividades de uma empresa ao longo de sua cadeia de valor, ou seja, aquelas que não estão sob controle direto da organização. Nessa categoria, incluem-se as emissões relacionadas à compra de bens e serviços, transporte e distribuição, deslocamento de funcionários, além do uso e descarte dos produtos comercializados.

Em geral, o Escopo 3 representa a maior parcela das emissões totais de uma empresa e exige maior esforço de mensuração e cálculo, justamente por sua abrangência e complexidade. De acordo com o GHG Protocol, o Escopo 3 é composto por 15 categorias oficiais, divididas em duas áreas principais: atividades upstream (ligadas à cadeia de fornecimento) e atividades downstream (relacionadas à distribuição, uso e etapas finais do ciclo de vida dos produtos).

Categorias de emissões de Escopo 3:

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Fonte: GHG Protocol. 

A partir do mapeamento dessa categoria, as empresas têm maior capacidade de reconhecer os pontos que mais contribuem para as suas emissões e definir objetivos para o atingimento das metas de ESG. 

Por que mais empresas divulgam seus inventários de emissões?  

A realização do inventário de emissões corporativas tem sido uma atividade cada vez mais requirida, com as empresas sendo incentivadas a elaborar esse acompanhamento por governos, instituições financeiras e sociedade civil. 

Diversos países já exigem a divulgação, como o caso dos membros da União Europeia, Reino Unido, Estados Unidos e China. Ainda que de maneira difusa e por vezes restritas a alguns setores, observa-se uma tendência crescente de aumento dos reportes de emissões pelas empresas, de forma voluntária.

No Brasil, a contabilidade das emissões pelas empresas privadas não é obrigatória, mas o Programa Brasileiro GHG Protocol é amplamente utilizado de forma voluntária e reconhecido como referência. Até 2023, o programa brasileiro contou com a publicação de 985 inventários, com a maior parte desses contendo as emissões de escopo 1 e 2. A tendência é de que esse volume siga crescente nos próximos anos, especialmente com a regulamentação do mercado de carbono brasileiro – o qual prevê reportes obrigatórios para grandes emissores até 2030.

A StoneX Soluções Sustentáveis, por sua vez, oferece serviços especializados na elaboração de Inventários Corporativos de Emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE), incluindo o mapeamento de fontes emissoras, cálculos detalhados dos Escopos 1, 2 e 3, análise de incertezas e elaboração de relatórios técnicos completos, prontos para auditoria ou publicação em registros oficiais. O objetivo é ajudar empresas a quantificar, compreender e gerenciar suas emissões, fortalecendo sua estratégia de ESG, sustentabilidade e descarbonização de forma transparente e alinhada às melhores práticas internacionais.

Para saber mais sobre as Soluções Sustentáveis da StoneX, entre em contato com Graziella Salvoni pelo e-mail graziella.salvoni@stonex.com.
 

 

 

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