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Panorama Semanal de Câmbio

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Panorama de câmbio: principais eventos da semana

 
Leonel Oliveira Mattos
Vitor Andrioli
Dólar deve refletir “payroll” americano e possibilidade de intervenção cambial, percepção de riscos fiscais e PIB no Brasil
  • Fatores baixistas
  • Alta moderada do emprego nos EUA pode reforçar percepção de “pouso suave” da sua economia e contribuir para o apetite global por riscos, o que favoreceria o real.
  • Crescimento do PIB brasileiro no segundo trimestre deve manter cenário de “desconforto” para o Banco Central e consolidar apostas de alta para a taxa básica de juros (Selic), fortalecendo o real.
  • Fatores altistas
  • Ambiente de estresse e ceticismo de investidores com a condução das políticas fiscal e monetária no Brasil pode manter a exigência de prêmios de riscos elevada e contribuir para o enfraquecimento do real.
  • Detalhamento do Orçamento de 2025 pode realimentar temores de que o Executivo não fará um controle mais rigoroso das contas públicas, o que resultaria em maior percepção de riscos fiscais e enfraqueceria o real.

Resumo da semana passada

A semana foi marcada enfraquecimento notável do real, o que levou a duas intervenções consecutivas pelo Banco Central na sexta-feira (30). O desempenho do real foi influenciado por receios entre investidores com a condução das políticas monetária e fiscal brasileiras e por fatores técnicos, como um fluxo de saída mais volumoso após um rebalanceamento do índice EWZ iShares MSCI Brazil. No exterior, o dólar também se fortaleceu após dados para o PIB e para inflação nos EUA reforçarem a percepção de “pouso suave” da economia.

O dólar negociado no mercado interbancário terminou a semana em alta, encerrando a sessão desta sexta-feira (30) cotado a R$ 5,6363, variação de +2,8% na semana, -0,3% no mês e de +16,2% no ano. Já o dollar index fechou o pregão desta sexta cotado a 101,7 pontos, alta semanal de 1,0% e anual de 0,3%, porém recuo mensal de 2,3%.

Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)image 99938

Fonte: StoneX cmdtyView. Elaboração: StoneX.

 

O MAIS IMPORTANTE: Volatilidade do real e atuação do BC

Impacto esperado no USDBRL: altista

O foco das atenções na próxima semana deve se manter sobre o desempenho da taxa de câmbio, que apresentou alta consistente durante a semana passada. Na última sexta-feira (30), a moeda brasileira apresentou forte volatilidade, flutuando entre R$ 5,5756 e R$ 5,6926, e terminou o pregão com enfraquecimento do real mesmo depois de duas intervenções seguidas pelo Banco Central, algo bastante raro. O BC vendeu US$ 1,5 bilhões no mercado à vista e, posteriormente, emitiu mais US$ 765 milhões em contratos de swap cambial (15.300 contratos). Nesse dia, antes do anúncio da segunda intervenção, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, havia afirmado em evento que a autoridade monetária havia identificado um fluxo cambial “atípico” durante a semana, provavelmente influenciado pelo rebalanceamento do índice EWZ iShares MSCI Brazil, principal ETF (Exchange Traded Fund) brasileiro negociado no mercado de capitais estadunidense. Campos Neto também havia alertado que o objetivo do Banco Central era atuar somente em caso de “disfuncionalidade”, isto é, quando há um desbalanceamento desproporcional entre ofertas de compras e ofertas de vendas (bid e ask) e que “se for preciso fazer mais intervenções, assim faremos”. Dessa forma, em meio ao estresse repentino no ambiente de negócios e piora das expectativas futuras, os investidores devem se manter atentos às comunicações de integrantes da autarquia e continuar monitorando a possibilidade de novas intervenções no mercado cambial.

 

“Payroll” de agosto

Impacto esperado no USDBRL: baixista

A divulgação de números menores que o previsto para a geração de postos de trabalho em julho, uma elevação inesperada para a taxa de desemprego e uma redução significativa nos número de empregados nos EUA após revisão periódica anual evidenciaram que o mercado de trabalho americano está se desacelerando e perdendo dinamismo, o que, por sua vez, gerou temores de que a economia americana pudesse estar enfraquecendo mais rápido que o esperado e levou a uma diminuição global no apetite por riscos. Estes temores se reduziram após dados para produção e para a inflação nos EUA sugerirem que a economia do país ainda permanece saudável e resiliente. Dessa forma, investidores acompanharão a divulgação de dados para o mercado de trabalho no mês de agosto buscando calibrar expectativas para a evolução econômica do país e, por consequência, para a trajetória da taxa de juros americana. A estimativa mediana aponta para a geração de 165 mil empregos no mês, o que reforçaria a interpretação de “pouso suave” para o país e favoreceria o desempenho de ativos arriscados, como ações, commodities e moedas de países emergentes, como o real.

 

Riscos fiscais no Brasil

Impacto esperado no USDBRL: altista

Os temores com o desempenho fiscal brasileiro prejudicaram o desempenho do real nesta semana, e o tema pode voltar a repercutir na segunda-feira (02). O Ministério do Planejamento e Orçamento deve enviar o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2025 apenas na noite do dia 30 (o prazo legal se encerra à meia noite do sábado, 31), adiando a entrevista coletiva para às 11h00min de segunda (02). Apesar de diversas falas de autoridades buscando ressaltar que o Orçamento de 2025 será “compatível” com o atendimento das metas estipuladas pelo arcabouço fiscal, a preocupação de investidores com os detalhes e projeções de despesas, receitas e endividamento público se manteve elevada ao longo da semana e pioraram após o anúncio de que o déficit primário do setor público em julho foi pior do que o antecipado, em R$ 21,3 bilhões. Ainda na sexta-feira (31), o Executivo encaminhou para o Congresso Nacional projetos de lei que propõem aumento nas alíquotas do Imposto de Renda incidente nos juros sobre capital próprio (JCP) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), medidas que devem fazer parte do esforço legislativo do governo federal para elevar a arrecadação em 2025.

 

PIB do 2º trimestre

Impacto esperado no USDBRL: baixista

O Produto Interno Bruto (PIB) deve ter acelerado suavemente sua taxa de crescimento, passando de uma alta trimestral de 0,8% no primeiro trimestre de 2024 para cerca de 1,0% no segundo trimestre. Se confirmado, o dado deve reforçar a percepção de desempenho robusto da economia pelo segundo trimestre consecutivo, superando as expectativas iniciais, com impulso de todas as categorias de demanda, como consumo pessoal, investimento de empresas e exportações. Embora a maior parte da piora das expectativas inflacionárias possa ser atribuída a uma desconfiança mais elevada de investidores em relação à condução das políticas fiscal e monetária, o dinamismo acima do esperado da atividade produtiva e do mercado de trabalho contribuem para manter as expectativas inflacionárias mais altas no Brasil, por representarem uma possibilidade de pressões maiores sobre os preços no futuro. Isto, por sua vez, pode contribuir para o “desconforto” do Comitê de Política Monetária e ajudar a solidificar as apostas de aumento da taxa básica de juros (Selic) em sua próxima decisão, em 18 de setembro.

 

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TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e StoneX cmdtyView.
  • Moedas

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