Panorama de câmbio: principais eventos da semana
- Fatores baixistas
- Alta moderada do CPI americano deve reforçar percepção de “pouso suave” da economia americana e favorecer o apetite global por ativos arriscados, fortalecendo o real.
- Fatores altistas
- Crescimento moderado do IPCA e do IBC-Br podem reduzir apostas de alta para a taxa básica de juros (Selic), prejudicando a atração de capital estrangeiro e enfraquecendo o real.
- Dados econômicos chineses devem reforçar perspectiva de desaceleração do crescimento econômico no país e prejudicar o desempenho de ativos arriscados, como ações, commodities e moedas de países emergentes, como o real.
Resumo da semana passada
A semana foi marcada pelo enfraquecimento global do dólar em meio a uma percepção de enfraquecimento do mercado de trabalho americano, embora os dados da semana tenham sido ambíguos e suavizaram temores de uma possível recessão. No Brasil, um crescimento maior que o esperado do Produto Interno Bruto no segundo semestre reforçou apostas de uma alta na taxa básica de juros (Selic) no curto prazo ao se somar a um quadro de “desconforto” para a estabilização de preços pelo Banco Central.
O dólar negociado no mercado interbancário terminou a semana em queda, encerrando a sessão desta sexta-feira (06) cotado a R$ 5,5895, variação de -0,8% na semana, -0,8% no mês e de +15,2% no ano. Já o dollar index fechou o pregão desta sexta cotado a 101,2 pontos, recuo semanal e mensal de 0,5% e anual de 0,2%.
Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)
Fonte: StoneX cmdtyView. Elaboração: StoneX.
O MAIS IMPORTANTE: CPI de agosto nos EUA
Impacto esperado no USDBRL: baixista
A mediana das estimativas para o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) de agosto aponta para alta idêntica à de julho, com aumento de 0,2% tanto no indicador cheio como em seu núcleo, que exclui os voláteis componentes de alimentação e energia. Após uma breve reaceleração inflacionária no primeiro trimestre, há um consenso crescente tanto entre analistas como entre as autoridades do Federal Reserve (Fed) de que os preços estão se estabilizando gradualmente no país. Assim, se as projeções se confirmarem, a leitura do CPI deve cristalizar as apostas de que o Fed deve iniciar um processo de cortes de juros na decisão de 18 de setembro.
Vale ressaltar, entretanto, que as preocupações quanto ao vigor do mercado de trabalho estão crescendo tanto entre investidores como entre os integrantes do Fed. Por exemplo, Jerome Powell, presidente do banco central americano, declarou em discurso recente que “parece improvável que o mercado de trabalho possa ser uma fonte de pressões inflacionárias elevadas no curto prazo. Nós não buscamos nem saudamos desacelerações adicionais nas condições do mercado de trabalho”, e que “os riscos para cima da inflação diminuíram. E os riscos para baixo do desemprego aumentaram”. Os dados divulgados na semana passada se mostraram ambíguos. Por um lado, a redução na quantidade de vagas abertas em julho, a revisão para baixo do número de empregos gerados em julho e o saldo menor que o estimado para os empregos em agosto apontam claramente para uma desaceleração progressiva. Por outro lado, outros indícios sugerem que o mercado de trabalho continua saudável e resiliente, como a expansão do saldo de empregos gerados entre julho e agosto, a redução na taxa de desemprego, de 4,3% para 4,2%, e o aumento na remuneração média da hora trabalhada. Assim, o cenário de estabilização gradativa de preços e de enfraquecimento gradual do mercado de trabalho ainda aponta para um “pouso suave” da economia americana, de forma que as apostas atuais de investidores antecipando uma redução de 2,50 p.p. nos juros do país em um ano, equivalente a dez cortes tradicionais de 0,25 p.p. em oito decisões, parecem excessivas.
EUA: Histórico e expectativa para a taxa de juros – 06 de setembro de 2024

Fonte: CME FedWatch Tool. Elaboração: StoneX. Refere-se à aposta com maior probabilidade no mercado futuro de juros na data indicada.
Razão entre vagas em aberto e desempregados nos EUA

Fonte: U. S. Bureau of Labor Statistics (BLS). Elaboração: StoneX.
Variação no total de empregos urbanos (em mil pessoas) e da taxa de desemprego (%) nos Estados Unidos

Fonte: U. S. Bureau of Labor Statistics (BLS). Elaboração: StoneX.
Inflação e crescimento no Brasil
Impacto esperado no USDBRL: altista
No Brasil, o principal evento da semana será a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do mês de agosto, enquanto investidores ajustam suas apostas para a trajetória da política monetária no país. Após uma alta considerável de 0,38% em julho do indicador cheio e de 0,44% de seu núcleo, o IPCA deve moderar seu ritmo de alta para cerca de 0,30%, impulsionado pela rara combinação provável de queda nos preços de alimentos e combustíveis. Se confirmada, tal leitura pode reduzir parcialmente as pressões sobre o Banco Central (BC) para realizar um aumento na taxa básica de juros (Selic) em sua decisão de 18 de setembro. Entretanto, o cenário de “desconforto” deve permanecer em meio a dados mais aquecidos que o esperado para a atividade econômica e o mercado de trabalho e frente a uma elevação das expectativas inflacionárias pelos agentes do mercado financeiro, enquanto o processo de estabilização de preços “diminuiu em intensidade”, como mencionou recentemente o presidente do BC, Roberto Campos Neto. Nesse contexto de sinais de interrupção no processo de desinflação em meio a atividade econômica e mercado de trabalho ainda aquecidos cresce a relevância dos indicadores econômicos a serem divulgados nesta semana, como as Pesquisas Mensais de Serviços e do Comércio, publicadas pelo IBGE, e o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) do Banco Central, que são utilizados para avaliar a saúde econômica do país. Após uma expansão maior que o antecipado em junho, de 1,4%, o IBC-Br deve crescer em torno de 0,6% em julho, também colaborando para diminuir suavemente as apostas para uma alta da Selic, o que, por sua vez, pode reduzir a perspectiva de diferencial de juros brasileiro ante os EUA e prejudicar a atração de capitais estrangeiros, enfraquecendo o real.
Dados econômicos na China
Impacto esperado no USDBRL: altista
A semana será carregada de indicadores econômicos para a China, com novas leituras para inflação, balança comercial, produção industrial e vendas do varejo. Em geral, estes dados devem reforçar uma percepção de ritmo mais lento para o crescimento do país por conta do enfraquecimento da demanda interna, enquanto as vendas externas devem apresentar números mais robustos. Ainda assim, o desempenho melhor das exportações e do segmento industrial não deve ser suficiente para compensar o baixo dinamismo da atividade doméstica. A prolongada tendência de desaceleração do crescimento econômico chinês deve reduzir as expectativas por demanda por commodities pelo país, prejudicando o desempenho de moedas de países exportadores de produtos primários, como o real.
TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS





