Panorama de câmbio: principais eventos da semana
- Fatores baixistas
- FOMC provavelmente reduzirá sua taxa de juros em 0,25 p.p., reforçando a percepção de que a economia americana permanece resiliente e favorecendo o apetite global por ativos arriscados, fortalecendo o real.
- Copom deve aumentar a taxa Selic em 0,25 p.p., melhorando o diferencial de juros brasileiro e contribuindo na atração de capitais estrangeiros, fortalecendo o real.
- BoJ deve manter sua taxa de juros inalterada e contribuir para uma estabilidade no valor do iene, o que pode favorecer o desempenho do real.
- Fatores altistas
- Relatório bimestral de receitas e despesas primárias deve exigir novo contingenciamento de gastos do governo e pode resultar em piora na percepção de riscos fiscais de ativos brasileiros, enfraquecendo o real.
Resumo da semana passada
A semana foi marcada pela divulgação de números um pouco mais aquecidos que o antecipado para a inflação americana, que ajudaram a afastar apostas de cortes de juros mais agressivos pelo Federal Reserve. No Brasil, o pessimismo de investidores frente à condução da política econômica manteve as apostas por altas na Selic e dificultaram um fortalecimento maior do real.
O dólar negociado no mercado interbancário terminou a semana em queda, encerrando a sessão desta sexta-feira (13) cotado a R$ 5,5675, variação de -0,4% na semana, -1,2% no mês e de +14,7% no ano. Já o dollar index fechou o pregão desta sexta cotado a 101,1 pontos, recuo semanal de 0,1%, mensal de 0,6% e anual de 0,2%.
Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)
Fonte: StoneX cmdtyView. Elaboração: StoneX.
O MAIS IMPORTANTE: Decisão de juros do Fed
Impacto esperado no USDBRL: baixista
Como disse o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, em seu discurso em Jackson Hole, “chegou o momento para ajustar a política monetária”. Há consenso entre analistas de que o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) reduzirá sua taxa básica de juros pela primeira vez desde março de 2020. Entretanto, ainda há dúvidas entre investidores sobre a magnitude do corte, entre 0,25 p.p. e 0,50 p.p. Neste momento, parece mais provável uma redução de 25 pontos-base, passando o nível de juros do intervalo entre 5,25% e 5,50% a.a. para o intervalo entre 5,00% e 5,25% a.a., visto que os indicadores mais recentes, embora ambíguos, de maneira geral parecem indicar que a economia americana desacelera de maneira gradativa, e não de maneira brusca e intensa. Adicionalmente, um corte de 50 pontos-base poderia acentuar receios entre investidores de que a instituição avalia que há riscos de uma recessão econômica no curto prazo e, dessa forma, gerar aversão ao risco e estimular uma “busca pela qualidade”, isto é demanda por ativos considerados líquidos e seguros.
Por outro lado, na última sexta-feira (13), houve uma recuperação das apostas de uma redução mais agressiva após reportagem do Wall Street Journal (WSJ) e fala de um antigo membro do Federal Reserve. Nick Timiraos, influente repórter e analista do WSJ, relatou sobre preocupações dentro do Fed sobre a manutenção de um nível de aperto monetário excessivamente rígido e sugeriu que seus integrantes podem preferir um começo mais rápido, isto é, uma redução de 0,50 p.p. Por sua vez, Will Dudley, ex-presidente do Federal Reserve de New York por nove anos, declarou em palestra que “acho que há um forte argumento para [um corte de] 50 [pontos-base]” e que “a lógica sugere que eles deveriam ir mais rápido”. Como consequência, as apostas de investidores para uma redução mais agressiva se elevaram, e o mercado futuro de juros se dividiu de maneira muito próxima entre as duas possibilidades. Aqueles que defendem o corte de 50 pontos-base argumentam que seria vantajoso concentrar as reduções de juros no início do ciclo, além de se mostrarem mais preocupados de que a economia americana se desacelerará abruptamente. Nesse sentido, o próprio Powell apontou, em Jackson Hole, que o FOMC deve se mostrar mais sensível aos riscos de desaceleração, ao afirmar que “os riscos para cima da inflação diminuíram. E os riscos para baixo do desemprego aumentaram” e que “Parece improvável que o mercado de trabalho possa ser uma fonte de pressões inflacionárias elevadas no curto prazo. Nós não buscamos nem saudamos desacelerações adicionais nas condições do mercado de trabalho”.
Apostas para a decisão de juros do Federal Reserve de 18 de setembro

Fonte: CME FedWatch Tool. Elaboração: StoneX. Probabilidades no mercado futuro de juros com referência a 13 de setembro de 2024
EUA: Histórico e expectativa para a taxa de juros – 13 de setembro de 2024

Fonte: CME FedWatch Tool. Elaboração: StoneX. Refere-se à aposta com maior probabilidade no mercado futuro de juros na data indicada.
Contudo, a entrevista coletiva de Jerome Powell e a atualização das projeções macroeconômicas do FOMC devem ser tão importantes quanto à decisão de juros e seu comunicado. Primeiramente, Powell habitualmente complementa e contextualiza as decisões do Comitê e pode contribuir para influenciar a interpretação de analistas e o humor de investidores. Além disso, e mais relevante neste momento, as Projeções Econômicas Sumarizadas devem atuar como um guia futuro para sinalizar a velocidade de cortes e o nível final dos juros no fim do processo de afrouxamento monetário, fundamentais para calibrar as expectativas de investidores sobre a trajetória de juros nos EUA. Dessa forma, estas projeções podem ser mais importantes para influenciar o apetite por riscos e a influenciar a interpretação de investidores sobre a conjuntura econômica americana do que a magnitude do corte desta quarta-feira.
Nesse sentido, vale ressaltar que as apostas majoritárias no mercado futuro parecem excessivas, antecipando 5 cortes (1,25 p.p.) em 2024 e outros cinco em 2025, o que parece improvável neste momento. Assim, é provável que as Projeções Econômicas Sumarizadas apontem um ritmo mais moderado de baixas, o que pode reduzir as expectativas de redução do nível de juros americanos.
Decisão de Juros do Copom
Impacto esperado no USDBRL: baixista
Cabe destaque, também, à decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), na quarta-feira (18), que definirá o novo patamar da taxa básica de juros (Selic). Embora existam argumentos para uma manutenção da taxa básica de juros, como um cenário externo menos adverso e um leituras moderadas para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), quase 80% das apostas de investidores no mercado futuro antecipam um aumento de 0,25 p.p., de 10,50% a.a. para 10,75% a.a. A semana começou com uma elevação notável da projeção mediana de instituições financeiras divulgadas no boletim Focus, que deixou de prever uma estabilidade na Selic e passou a antecipar quatro aumentos consecutivos de 25 pontos-base.
Nas últimas semanas, houve piora contínua nas expectativas inflacionárias entre os investidores, impulsionada por dados mais robustos para atividade econômica e mercado de trabalho no país e por uma percepção mais elevada de riscos fiscais. Nesse cenário, o Banco Central buscou sinalizar certa preocupação com a “desancoragem” das expectativas e com a desaceleração do processo de estabilização de preços. Tal quadro de desconforto provavelmente resultará em uma alta de 0,25 p.p. na taxa Selic, o que, por sua vez, deve melhorar a expectativa para o diferencial de juros brasileiro frente a outras economias e contribuir na atração de capitais estrangeiros, fortalecendo o real.
Brasil: Histórico e expectativa para a taxa de juros – Focus 06 de setembro de 2024

Fonte: Banco Central do Brasil. Elaboração: StoneX. Refere-se à mediana das estimativas apontada pelo boletim Focus na data indicada.
Riscos fiscais no Brasil
Impacto esperado no USDBRL: altista
A divulgação do Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias do quarto bimestre, na sexta-feira (20), provavelmente exigirá a elevação da contenção de gastos para 2024, de R$ 15 bilhões para algo próximo a R$ 25 bilhões, por conta da pressão dos gastos obrigatórios e reduções nas estimativas para receitas extraordinárias. Isto, por sua vez, pode reforçar preocupações de investidores com o equilíbrio das contas públicas brasileiras e aumentar a percepção de riscos para ativos brasileiros, enfraquecendo o real.
Decisão de juros do BoJ
Impacto esperado no USDBRL: baixista
Após se fortalecer em 10,8% entre 03 de julho e 05 de agosto e prejudicar o desempenho de moedas utilizadas em operações de “carrego” (carry trade), o iene reduziu seu ritmo de valorização, acumulando ganho de apenas 2,3% até treze de setembro. Ainda assim, investidores permanecem alertas ao risco de novos desmontes dessas operações caso a moeda volta a se valorizar rapidamente. Na decisão do Banco Central do Japão (BoJ) desta quarta-feira, a maior parte dos analistas acredita que a autoridade irá manter inalterada sua taxa de juros, em 0,25% a.a., e repetir comunicações recentes de que antevê um aperto gradual das condições financeiras no futuro se os preços e os salários continuem avançando conforme suas expectativas. Dessa forma, não se antecipa um impacto considerável de sua decisão sobre o valor da divisa japonesa, o que pode contribuir levemente no fortalecimento do real.
TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS





