Panorama de câmbio: principais eventos da semana
- Fatores baixistas
- Boletim Focus deve apontar para estimativas mais elevadas para a taxa básica de juros (Selic), aumentando a expectativa para o diferencial de juros brasileiro e contribuindo na atração de capitais estrangeiros, fortalecendo o real.
- Fatores altistas
- Dados de emprego nos EUA devem mostrar alta moderada em setembro, diminuindo as apostas de cortes mais agressivos pelo Federal Reserve, o que pode contribuir para um fortalecimento do valor global do dólar.
- Divulgação de números fiscais para o Brasil em agosto pode reforçar a preocupação de investidores com as contas públicas do país e resultar em maior exigência para prêmios de riscos, enfraquecendo o real.
- Após forte otimismo com as expectativas econômicas para a China, os números do Índice Gerente de Compras (PMI) de setembro devem reforçar a percepção de desaceleração do crescimento econômico do país e prejudicar o desempenho de ativos arriscados, enfraquecendo o real.
Resumo da semana passada
A divulgação de dados suaves para a inflação americana em agosto e a postura mais firme do Banco Central do Brasil em sua ata da última decisão de política monetária e em seu relatório trimestral de inflação ampliaram as expectativas para o diferencial de juros brasileiro e levou a um fortalecimento do real. Adicionalmente, a divulgação de um amplo pacote de estímulos econômicos na China favoreceu o desempenho de ativos arriscados, como ações, commodities e moedas de países exportadores de produtos primários, como a brasileira.
O dólar negociado no mercado interbancário terminou a sessão desta sexta-feira (27) em queda pela quarta semana consecutiva, cotado a R$ 5,4363, variação de -1,5% na semana, -3,5% no mês e de +12,0% no ano. Já o dollar index fechou o pregão desta sexta cotado a 100,4 pontos, recuo semanal de 0,3%, mensal de 1,2% e anual de 0,9%.
Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)
Fonte: StoneX cmdtyView. Elaboração: StoneX.
O MAIS IMPORTANTE: Mercado de trabalho nos EUA
Impacto esperado no USDBRL: altista
Os dados para o mercado de trabalho esta semana apresentarão importância ampliada, visto que há uma percepção entre investidores de que o Federal Reserve, em sua decisão de política monetária do dia 18, se mostrou significativamente mais preocupado com o enfraquecimento do mercado de trabalho do que com a resiliência inflacionária. Dessa forma, alguns analistas avaliam que o Federal Reserve deve repetir um corte de juros mais agressivo, de 0,50 p.p., caso os números para criação de emprego e para a taxa de desemprego no país continuem piorando.
Entretanto, apesar das evidências de enfraquecimento do mercado de trabalho, como uma redução no número de vagas em aberto, ainda não há indícios de uma aceleração nas demissões de trabalhadores, o que sugere que o mercado de trabalho permanece resiliente e desacelera de forma gradual. Por isso, a mediana das projeções de especialistas aponta para certa estabilidade, com o saldo líquido da criação de empregos passando de 142 mil em agosto para 145 mil em setembro, ao passo que a taxa de desemprego subiria discretamente no período, de 4,2% para 4,3%. Case estas estimativas se confirmem, elas devem conferir maior grau de liberdade ao Federal Reserve ao reduzir a impressão de que a economia está se desacelerando abruptamente e que há urgência para reduzir o nível de juros americano, o que, por sua vez, deve fortalecer o dólar globalmente e prejudicar o real.
EUA: Histórico e expectativa para a taxa de juros – 27 de setembro de 2024
Fonte: CME FedWatch Tool. Elaboração: StoneX. Refere-se à aposta com maior probabilidade no mercado futuro de juros na data indicada.
Expectativa para a taxa Selic
Impacto esperado no USDBRL: baixista
O boletim Focus da segunda-feira (30) deve repercutir o posicionamento mais firme na comunicação recente do Banco Central (BC), que reforçou a mensagem de um ciclo de altas para a taxa básica de juros (Selic) por conta de um balanço de riscos inflacionários assimétrico e com viés de alta em sua ata da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) e projetou inflação mais elevada e acima do centro da meta (3,0%) até 2026 em seu Relatório Trimestral de Inflação por conta de atividade econômica mais forte, depreciação cambial e desancoragem das expectativas inflacionárias. As taxas do mercado futuro de juros (DI), por exemplo, se elevaram durante a semana e apontam para uma taxa de 12,75% a.a. no final do ciclo de aperto monetário. Por isso, é provável que o relatório de segunda antecipe um nível mais elevado para a Selic, o que, por sua vez, deve ampliar a perspectiva de diferencial de juros brasileiro, tornando os títulos domésticos mais rentáveis e contribuindo na atração de investimentos estrangeiros, fortalecendo o real.
Brasil: Histórico e expectativa para a taxa de juros – Focus 20 de setembro de 2024

Fonte: Banco Central do Brasil. Elaboração: StoneX. Refere-se à mediana das estimativas apontada pelo boletim Focus na data indicada.
Dados fiscais no Brasil
Impacto esperado no USDBRL: altista
Investidores devem reagir, também, à divulgação dos números fiscais para o setor público em agosto, que deve apresentar novo déficit primário de cerca de R$ 20 bilhões, o que manteria o resultado primário em 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB) – ainda bem distante do limite de tolerância para este ano, de 0,25% do PIB. Caso a projeção se confirme, pode resultar em uma percepção de riscos fiscais mais elevada para ativos brasileiros, o que pode dificultar a atração de capitais externos e enfraquecer o real.
PMIs na China
Impacto esperado no USDBRL: altista
Na semana passada, a China surpreendeu ao realizar um amplo pacote de estímulos econômicos, com cortes nas taxas referenciais de juros de um e de cinco anos, na taxa de juros para compromissos de recompra (reverse repo) de sete dias, na taxa de depósitos compulsórios e na taxa de juros média para hipotecas, além de anunciar a emissão de 2 trilhões de yuans (cerca de US$ 283,43 bilhões) em títulos de dívida para estimular a demanda interna e para ajudar governos locais a enfrentar um sobre-endividamento. Adicionalmente, veículos de imprensa especializada afirmaram que novos estímulos fiscais devem ser divulgados em breve. Como consequência, investidores passaram a avaliar que as autoridades chinesas estão determinadas a acelerar o crescimento econômico do país, que mostra sinais de enfraquecimento há meses, e resultou em um forte apetite global por ativos arriscados, beneficiando ações, commodities e moedas de países exportadores de produtos primários, como o real.
Estes estímulos econômicos, no entanto, dificilmente devem se refletir nos indicadores econômicos de 2024, por conta de uma defasagem habitual entre a adoção de um estímulo e seus impactos na atividade econômica. Essa defasagem é difícil de ser estimada e varia por instrumento, porém é comum considerar um prazo entre seis e nove meses como o tempo necessário para os efeitos de uma política ser totalmente transmitida para a economia. Assim, os números da próxima semana para o Índice Gerente de Compras (PMI) de setembro no país, tanto o calculado pelo NBS como o calculado pela S&P Global / Caixin, devem mostrar um resultado bastante similar ao de agosto, isto é, crescimento suave da atividade produtiva, com números melhores para serviços que para indústria, porém que apontam para a possibilidade de o país não atingir sua meta oficial de expansão de 5% para o Produto Interno Bruto no ano. Caso estas estimativas se confirmem, pode haver uma inversão no otimismo recente entre investidores e elevar a aversão global a riscos., prejudicando o real.
Taxa Ptax de fim de mês
Impacto esperado no USDBRL: indefinido
Após uma valorização acumulada de 3,5% em setembro, a taxa de câmbio do real deve apresentar volume de negócios e volatilidade mais elevados na próxima segunda-feira (30), dentro das janelas de horários utilizadas pelo Banco Central para o cálculo da taxa Ptax de fim de mês, ou seja, entre 10h00min e 13h10min. A Ptax é uma referência divulgada diariamente pelo BC e seu valor de fim de mês é muito utilizado em contratos de câmbio e derivativos. Desta forma, os operadores do mercado intensificam suas operações durante estes intervalos, disputando a sua definição.
TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS





