Panorama de câmbio: principais eventos da semana
- Fatores baixistas
- FOMC deve reduzir sua taxa de juros em 0,25 p.p., o que diminui a perspectiva de rentabilidade de títulos denominados em dólar e pode contribuir para o enfraquecimento da moeda americana.
- Copom deve aumentar a taxa Selic em 0,50 p.p., melhorando o diferencial de juros brasileiro e contribuindo na atração de capitais estrangeiros, fortalecendo o real.
- Aceleração do IPCA de outubro pode fortalecer a perspectiva de um ciclo rígido de altas para a taxa Selic e favorecer a atração de investimentos estrangeiros, fortalecendo o real.
- Fatores altistas
- Disputa acirrada e imprevisível para a eleição presidencial americana deve estimular a busca de ativos de segurança, favorecendo o desempenho do dólar.
- Crise de credibilidade da política fiscal brasileira deve piorar a percepção de riscos de ativos brasileiros, resultando em maior exigência de prêmios de risco por investidores e enfraquecendo o real.
- Balança comercial chinesa pode reforçar percepção de desaceleração da demanda interna no país e prejudicar o desempenho de ativos arriscados, como commodities e moedas de países exportadores de produtos primários, como o real.
Resumo da semana passada
O real se enfraqueceu pela quinta semana consecutiva, pressionado pelo elevado pessimismo e ceticismo de investidores com a condução da política fiscal e com a sustentabilidade da dívida pública no Brasil, bem como pelo ambiente global de aversão a riscos causado pela aproximação da eleição presidencial americana, que permanece acirrada e imprevisível.
O dólar negociado no mercado interbancário terminou a sessão desta sexta-feira (01) em alta, cotado a R$ 5,8699, avanço semanal de 2,9%, mensal de 1,5% e anual de 21,0%. Já o dollar index fechou o pregão desta sexta cotado a 104,3 pontos, variação de +0,1% na semana, 0,3% no mês e de +3,0% no ano.
Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)

Fonte: StoneX cmdtyView. Elaboração: StoneX.
O MAIS IMPORTANTE: Eleição presidencial americana
Impacto esperado no USDBRL: altista
Nas últimas semanas, o apetite por riscos de investidores globais se manteve reduzido enquanto aguardam pela eleição presidencial americana, que termina em 05 de novembro e deve ser uma das mais acirradas das últimas décadas. A poucos dias do fim, as intenções de voto continuam praticamente empatadas e seu resultado permanece imprevisível. Seis estados americanos que podem ser decisivos mostram uma diferença nas intenções de voto entre Donald Trump e Kamala Harris menor que dois pontos percentuais, e em três deles a diferença é menor que um ponto percentual. Como a diferença de votos entre ambos deve ser bastante pequena, a confirmação do resultado eleitoral pode demorar vários dias, visto que provavelmente será preciso esperar que todos os estados terminem sua contagem e, possivelmente, aguardar o resultado da auditoria e recontagem dos estados com votações muito próximas entre os candidatos. Este cenário de incerteza prolongada sobre o quadro político americano e, consequentemente, sobre a evolução das políticas econômicas do país para os próximos quatro anos deve manter o ambiente de negócios avesso ao risco e estimular a busca de ativos de segurança, que são menos voláteis e mais líquidos, como a moeda americana.
Crise de credibilidade da política fiscal brasileira
Impacto esperado no USDBRL: altista
Nas últimas semanas, uma profunda crise de confiança dos investidores em relação à condução da política fiscal brasileira penalizou o desempenho de ativos brasileiros, como a taxa de câmbio do real e a taxa dos contratos futuros de juros (DI). Na última sexta-feira (01), o dólar negociado no mercado interbancário encerrou o pregão no maior valor desde 13 de maio de 2020 (5,9012), enquanto a taxa do DI para janeiro de 2029 rompeu a barreira dos 13% a.a. pela primeira vez desde 16 de março do ano passado. Ainda que o governo federal tenha prometido reiteradamente medidas de “ajuste estrutural” dos gastos públicos, predomina entre os agentes do mercado financeiro uma percepção de que o Palácio do Planalto demonstra pouca urgência e pouca importância para o tema, o que resulta em um crescente pessimismo de que o Executivo possa ajustar o nível de despesas públicas. Isto, por sua vez, eleva continuamente a exigência por prêmios de risco e contribui para o enfraquecimento do real, cenário que deve permanecer inalterado sem medidas concretas do governo federal para amenizar os temores fiscais, algo improvável para esta semana em função de viagem do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para o exterior.
Variação semanal de moedas selecionadas contra o dólar

Fonte: Refinitiv. Elaboração: StoneX.
Brasil: taxa dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2029 (% a.a.)

Fonte: Refinitiv. Elaboração: StoneX.
Decisão de juros do FOMC
Impacto esperado no USDBRL: baixista
Há quase unanimidade entre analistas de que o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do Federal Reserve (Fed) deve reduzir a taxa básica de juros americana em 0,25 p.p., da faixa entre 4,75% e 5,00% a.a. para a faixa entre 4,50% e 4,75% a.a. Depois do Comitê surpreender em sua decisão de juros de setembro com um corte de 0,50 p.p., a maior parte dos indicadores econômicos nos Estados Unidos mostrou um desempenho acima do esperado, o que sugere que a economia permanece resiliente e a estabilização inflacinária pode demorar um pouco mais que o antecipado. Assim, não há motivos aparentes para o FOMC repetir um corte de juros mais agressivo. Por outro lado, ainda há uma percepção de que o país passa por uma desaceleração gradual e que os riscos de uma reaceleração inflacionária parecem mais baixos que os riscos de uma queda abrupta da atividade econômica, o que justificaria uma nova redução de 0,25 p.p. dos juros. Por fim, investidores darão foco o comunicado da decisão e a entrevista coletiva do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, buscando maior clareza sobre a evolução da política monetária estadunidense.
Apostas para a decisão de juros do Federal Reserve de 07 de novembro

Fonte: CME FedWatch Tool. Elaboração: StoneX. Probabilidades no mercado futuro de juros com referência a 01 de novembro de 2024.
EUA: Histórico e expectativa para a taxa de juros – 01 de novembro de 2024

Fonte: CME FedWatch Tool. Elaboração: StoneX. Refere-se à aposta com maior probabilidade no mercado futuro de juros na data indicada.
Decisão de juros do Copom
Impacto esperado no USDBRL: baixista
Em meio a um quadro de piora cumulativa na percepção de riscos fiscais de ativos brasileiros, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) deve aumentar a taxa básica de juros (Selic) pela segunda decisão consecutiva. A mediana das estimativas aponta para uma alta de 0,50 p.p., de 10,75% a.a. para 11,25% a.a., além de antecipar mais elevações até o patamar de 12,00% a.a. Em sua última decisão, o Copom reiterou seu “firme compromisso com a convergência da inflação à meta”, endurecendo o tom quanto à necessidade de uma política monetária mais restritiva para lidar com o balanço de riscos inflacionário assimétrico e com viés de alta, “caracterizado por resiliência na atividade, pressões no mercado de trabalho, hiato do produto positivo, aumento nas projeções de inflação e expectativas desancoradas”. A postura firme do Banco Central e a perspectiva de elevação para a taxa Selic ao mesmo tempo em que o Federal Reserve realiza um ciclo de cortes de juros amplia a expectativa para o diferencial de juros brasileiro, o que torna os títulos domésticos mais rentáveis e contribui na atração de investimentos estrangeiros, fortalecendo o real.
IPCA de outubro
Impacto esperado no USDBRL: baixista
Dois dias após a decisão do Comitê de Política Monetária, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de outubro deve acelerar de uma alta de 0,44% em setembro para cerca de 0,50% em outubro, impulsionado pelo aumento dos preços de alimentos e de energia elétrica. Se confirmada a projeção, o índice acumularia alta de 4,50% em 12 meses, atingindo o limite de tolerância da meta de inflação do Banco Central. O dado deve aumentar os receios de que a estabilização de preços no país esteja se enfraquecendo (o Banco Central projetou em setembro um risco de 36% do IPCA ultrapassar o limite máximo este ano) e reforçar a perspectiva de um ciclo rígido de altas para a taxa Selic pelo Copom, o que pode favorecer a expectativa para ampliação do diferencial de juros brasileiro e contribuir na atração de capitais externos, fortalecendo o real.
Balança comercial chinesa
Impacto esperado no USDBRL: altista
Nos últimos meses, os números de exportação na China têm apresentado um desempenho mais vigoroso que os dados para demanda doméstica no país, impulsionados pelos segmentos de chips e veículos elétricos. Assim, a projeção mediana para a variação anual das exportações mostra evolução de +2,4% em setembro para cerca de +5,5% em outubro, ao passo que a estimativa mediana para a variação anual das importações mostra um recuo de +0,3% para -0,3% no mesmo período. Tais dados, se confirmados, podem piorar as expectativas de investidores para crescimento econômico chinês, o que reduziria as perspectivas para o crescimento da demanda de commodities pela segunda maior economia global e prejudicaria o desempenho de moedas de países exportadores de produtos primários, tal como o real.
TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS





