Panorama de câmbio: principais eventos da semana
- Fatores baixistas
- Aceleração intensa do IPCA-15 pode consolidar expectativas de altas firmes para a taxa básica de juros (Selic), o que contribui para atrair investimentos estrangeiros e tende a fortalecer o real.
- Fatores altistas
- Incertezas sobre a aplicação de tarifas de importação pelo governo americano e sobre o processo de negociação de paz entre Rússia e Ucrânia podem resultar em maior aversão ao risco, o que tende a fortalecer o dólar globalmente.
- Índice PCE pode reforçar percepção de uma inflação mais persistente nos EUA, o que tende a ampliar as apostas de que os juros americanos se manterão mais altos por mais tempo, fortalecendo o dólar globalmente.
Resumo da semana passada
A semana foi marcada pela volatilidade no mercado de moedas, em meio a novas ameaças de tarifas de importação pelo presidente americano, Donald Trump, e por tensões geopolíticas após EUA e Rússia se reunirem para discutir o conflito na Ucrânia sem a sua participação.
A taxa de câmbio do real terminou a sessão desta sexta-feira (21) cotada a 5,7302, variação de +0,6% na semana, -1,8% no mês e -7,2% no ano. Já o dollar index fechou o pregão desta sexta cotado a 106,6 pontos, recuo semanal de 0,1%, mensal de 1,7% e anual de 1,4%.
Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)

Fonte: StoneX cmdtyView. Elaboração: StoneX.
O MAIS IMPORTANTE: Volatilidade e imprevisibilidade dos EUA sob Trump
Impacto esperado no USDBRL: altista
Nas últimas semanas, a percepção de que o presidente dos EUA, Donald Trump, apresenta uma postura menos firme que o antecipado na aplicação de tarifas de importação sobre outras economias tem levado a um enfraquecimento amplo da moeda americana. A leitura de investidores é de que Trump usa as ameaças de impostos como ferramenta de negociação a fim de obter concessões de outros países em temas prioritários para o novo governo, não necessariamente ligados às relações comerciais. Por isso, as ameaças feitas na semana passada de imposição de tarifas de aproximadamente 25% sobre a importação de automóveis, semicondutores, produtos farmacêuticos, madeira e produtos florestais a partir de abril surtiram pouco efeito sobre os investidores, que parecem apostar que essas tarifas serão atenuadas, restringidas ou suspensas antes de entrarem em vigor. Ainda assim, há elevada incerteza sobre a evolução da política comercial dos EUA nas próximas semanas, e parece provável que ao menos algumas dessas tarifas entrarão em vigor, o que tende a prejudicar o desempenho de ativos arriscados, como ações, commodities e moedas de países emergentes.
Adicionalmente, o governo de Donald Trump elevou as percepções de riscos geopolíticos na semana passada por conta de tensões e atritos com aliados na condução de uma negociação para o fim do conflito entre Rússia e Ucrânia. Primeiramente, diplomatas de alto escalão da Rússia e dos EUA se reuniram na Arábia Saudita para discutir o tema sem a participação da Ucrânia e sem o conhecimento de líderes de países aliados, como os europeus. Na sequência, o presidente americano acusou a Ucrânia de ter iniciado a guerra, classificou o presidente do país, Volodymir Zelensky, como um “ditador sem eleições” e afirmou que “não considera muito importante que [Zelensky] esteja presente nas negociações [de paz]” porque “ele fez um péssimo trabalho de negociação até o momento”. A percepção de investidores é de que os EUA tentam forçar a Ucrânia a aceitar um acordo apressado, o que eleva a insegurança sobre a estabilidade geopolítica de tal acordo liderado por Washington, o que também favorece o desempenho de ativos de segurança, como o dólar.
Inflação nos EUA
Impacto esperado no USDBRL: altista
A mediana das estimativas para o Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal (PCE) apontam para um avanço de 0,3% no mês de janeiro no índice cheio, repetindo o aumento de dezembro, como para o seu núcleo, que exclui os voláteis componentes de alimentação e energia, acima do aumento de 0,2% de dezembro. Se essas projeções se confirmarem, elas reforçariam a percepção de que a inflação nos EUA se mostrou mais elevada em janeiro, o que, em tese, aponta para um esgotamento do processo de estabilização de preços no país. Contudo, desde a pandemia de Covid-19, a inflação americana tem apresentado uma pressão mais elevada no primeiro trimestre de cada ano, um efeito sazonal que não se transmitiu para os demais meses. Dessa forma, é possível que os investidores evitem reagir ao dado e optem por aguardar mais indicadores que complementem a avaliação da conjuntura de 2025, particularmente em meio a números ambíguos observados em janeiro.
EUA: Histórico e expectativa para a taxa de juros – 21 de fevereiro de 2025

Fonte: CME FedWatch Tool. Elaboração: StoneX. Refere-se à aposta com maior probabilidade no mercado futuro de juros na data indicada.
IPCA-15 e dados de emprego no Brasil
Impacto esperado no USDBRL: baixista
No Brasil, O destaque da semana será o Índice de Preços ao Consumidor – 15 (IPCA-15) de fevereiro, cuja estimativa mediana é de um aumento de 1,38%, uma aceleração significativa em comparação à alta de 0,11% registrada em janeiro. Entretanto, no mês passado, fatores pontuais contribuíram para essa leitura mais moderada, em especial o chamado “bônus de energia” de Itaipu. A alta de 0,67% do núcleo do indicador, que exclui os voláteis componentes de alimentação e energia, e de 0,81% nos preços de serviços já apontavam para uma pressão inflacionária mais intensa em janeiro. Por isso, se confirmada a previsão para o número de fevereiro, o IPCA-15 deve piorar as expectativas para a inflação ao longo de 2025 e reforçar a perspectiva de altas firmes para a taxa básica de juros (Selic), o que, por sua vez, melhora a rentabilidade dos títulos brasileiros e pode ajudar na atração de capitais externos, fortalecendo o real.
TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS





