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Panorama Semanal de Câmbio

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Panorama de câmbio: principais eventos da semana

 
Leonel Oliveira Mattos
Vitor Andrioli
Dólar deve refletir incerteza elevada e CPI nos EUA, IPCA no Brasil e expansão fiscal na Alemanha
  • Fatores baixistas
  • Incerteza ampliada da condução das políticas econômicas dos EUA amplia receios de desaceleração do crescimento econômico americano, o que pode aumentar as apostas de cortes de juros pelo Federal Reserve e enfraquecer o dólar.
  • Alta moderada da inflação americana pode reforçar percepção de “pouso suave” da economia americana, aumentando as apostas de cortes de juros pelo Federal Reserve e enfraquecendo o dólar.
  • Aceleração intensa do IPCA de fevereiro pode consolidar expectativas de altas firmes para a taxa básica de juros (Selic), o que contribui para atrair investimentos estrangeiros e a fortalecer o real.
  • Expectativa de “mudança fiscal radical” da Alemanha eleva as perspectivas de crescimento do país e favorece o desempenho do euro, o que tende a enfraquecer o dólar indiretamente.
  • Fatores altistas

 

Resumo da semana passada

A semana foi marcada pelo recuo expressivo do dólar em meio a preocupações com o crescimento econômico americano e à inconsistência, incerteza e imprevisibilidade da política comercial do país após os EUA efetivarem as tarifas de importação de 25% sobre México e Canadá e suspender a maior parte dessas tarifas após dois dias.

A taxa de câmbio do real terminou a sessão desta sexta-feira (07) cotada a 5,7892, recuo semanal de 2,1%, mensal de 2,1% e anual de 6,3%. Já o dollar index fechou o pregão desta sexta cotado a 103,8 pontos, variação de -3,5% na semana, de -3,5% no mês e de -4,0% no ano.

Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)

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Fonte: StoneX cmdtyView. Elaboração: StoneX.

 

O MAIS IMPORTANTE: Volatilidade e imprevisibilidade dos EUA sob Trump

Impacto esperado no USDBRL: baixista

Desde a posse de Donald Trump como presidente dos EUA, os mercados financeiros globais experimentam ampla volatilidade em função da elevada incerteza sobre a condução das políticas econômicas no país e de mudanças bruscas de postura do novo governo. Por exemplo, o governo retirou do ar uma lista de 440 propriedades federais que pretendia fechar ou vender por não serem essenciais às operações do setor público um dia após sua publicação, encerrou o uso de aeronaves militares para deportação de imigrantes após apenas um mês e tentou recontratar centenas de funcionários federais demitidos em massa de programas de gestão de armamento nuclear, de prevenção a doenças e de saúde e segurança pública.

Em meio a esse ambiente caótico, investidores mostraram forte estresse e pessimismo na semana passada, em especial por conta da elevada imprevisibilidade e incerteza sobre quais tarifas de importação entrarão em vigor nos EUA. Na terça-feira (04), o dólar recuou de maneira generalizada após o governo americano cumprir a ameaça de aplicar uma sobretaxa de 25% sobre as importações vindas do México e Canadá, que haviam sido suspensas inicialmente por 30 dias, bem como de duplicar as tarifas sobre importações vindas da China de 10% para 20%. Na quarta-feira (05), o dólar voltou a recuar de maneira generalizada após o governo suspender novamente a aplicação das tarifas sobre México e Canadá até 02 de abril. Além disso, há uma preocupação que esse ambiente de incerteza elevada reduza a confiança de consumidores e empresários, promovendo uma redução dos gastos em consumo e investimento e, assim, prejudicando o desempenho econômico do país.

Adicionalmente, Trump prometeu tarifas de 25% sobre todas as importações de aço e alumínio a partir de 12 de março e sobre todas as importações de cobre, automóveis, semicondutores, produtos farmacêuticos, madeira e produtos florestais a partir de 02 de abril, mesma data em que seriam adotadas “tarifas de reciprocidade” sobre outros países e encerraria a suspensão das tarifas mencionadas sobre México e Canadá. Mesmo que uma parcela relevantes dessas sobretaxas não entrem em vigor, ainda parece provável que algumas delas serão aplicadas por tempo considerável, o que alimenta temores de que elas prejudicarão tanto o crescimento econômico americano quanto o dos países e setores atingidos, bem como podem resultar em maiores pressões inflacionárias no curto prazo. 

Assim, o atual cenário produz dois efeitos contraditórios para a taxa de câmbio do real. Por um lado, a elevada imprevisibilidade e incerteza do ambiente de negócios americano tende a favorecer o desempenho de ativos considerados “portos seguros”, como o ouro, o franco suíço e o iene japonês, o que, em tese, prejudica o desempenho do real. Por outro, os temores de que o crescimento econômico do país desacelere aumenta as apostas de cortes de juros pelo Federal Reserve, o que tende a enfraquecer o dólar globalmente e, em tese, favorece o desempenho do real. Neste momento, parece prevalecer a tendência de fortalecimento da moeda brasileira frente à americana.

 

Inflação nos EUA

Impacto esperado no USDBRL: baixista

A mediana das projeções para o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) aponta para uma nova alta moderada, com um aumento mensal de 0,3% tanto no indicador geral como em seu núcleo, que exclui os voláteis componentes de alimentação e energia. Caso essa estimativa se confirme, a alta acumulada em 12 meses cairia levemente, passando de 3,3% para 3,2%, mas estaria muito elevada para permitir novos cortes de juros pelo Federal Reserve, com um aumento médio de 3 meses anualizado em 3,9%. Ainda assim, essa projeção pode contribuir para uma interpretação de “pouso suave” da economia americana, o que aumentaria as apostas de cortes de juros pelo Federal Reserve em 2025 e, com isso, enfraqueceria o dólar globalmente.

EUA: Histórico e expectativa para a taxa de juros – atualizado em 07 de março de 2025

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Fonte: CME FedWatch Tool. Elaboração: StoneX.  Refere-se à aposta com maior probabilidade no mercado futuro de juros na data indicada.

 

Inflação e atividade produtiva no Brasil

Impacto esperado no USDBRL: baixista

A mediana das projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de fevereiro aponta para uma alta de 1,35%, uma aceleração expressiva em relação à elevação de 0,16% verificada em janeiro. Essa aceleração deve ser resultado, em grande medida, ao término de fatores pontuais que contiveram a inflação no mês anterior, particularmente o “bônus de energia” de Itaipu. Em janeiro, mesmo com o número mais moderado para o índice cheio, registaram-se altas de 0,67% do núcleo do indicador, que exclui os voláteis componentes de alimentação e energia, e de 0,81% nos preços de serviços. Se confirmado, o avanço em fevereiro deve piorar as expectativas para a inflação ao longo de 2025 e reforçar a perspectiva de altas firmes para a taxa básica de juros (Selic), o que, por sua vez, melhora a rentabilidade dos títulos brasileiros e pode ajudar na atração de capitais externos, fortalecendo o real.

Cabe ressaltar, por outro lado, que tal intepretação pode ser limitada caso as pesquisas de atividade econômica dessa semana reforcem a percepção de desaceleração econômica observada em dados recentes. Esta semana, a interpretação de um desaquecimento na atividade ganhou força após a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) do quarto trimestre de 2024, que mostrou expansão mais lenta que o esperado. Um ritmo de crescimento mais modesto pode reduzir pressões inflacionárias ao arrefecer a demanda, o que pode levar o Banco Central a adotar uma postura mais cautelosa em relação à elevação da taxa Selic, tanto diante de um cenário inflacionário menos adverso quanto para evitar uma desaceleração econômica mais acentuada. Dessa forma, a leitura conjunta do IPCA de fevereiro e dos próximos indicadores de atividade deve ser especialmente relevante para a avaliação do balanço de riscos pelo Banco Central em suas decisões futuras.
 

Expansão fiscal na Alemanha

Impacto esperado no USDBRL: baixista

Vale mencionar, por fim, que investidores devem monitorar o noticiário sobre a expansão dos gastos com defesa pela Alemanha após o futuro primeiro-ministro do país, Friedrich Merz, surpreender na semana passada com um anúncio de “mudança fiscal radical” para ampliar investimentos em infraestrutura e revitalizar as forças armadas no país. Merz, do partido CDU, entrou em acordo com o partido do atual primeiro-ministro, SPD, para formar uma coalizão e aprovar essas mudanças antes da posse do novo Parlamento, em 25 de março, após uma piora das tensões geopolíticas causadas pelos atritos do presidente dos EUA, Donald Trump, com seus aliados europeus, especialmente a Ucrânia. Com isso, a tendência de fortalecimento do euro deve se manter nas próximas semanas, o que contribui indiretamente para um enfraquecimento da moeda americana.

 

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TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e StoneX cmdtyView.
  • Moedas

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