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Panorama Semanal de Câmbio

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Panorama de câmbio: principais eventos da semana

 
Leonel Oliveira Mattos
Vitor Andrioli
Dólar deve refletir amenização das tensões comerciais, cenário fiscal brasileiro, dados chineses e Orçamento americano
  • Fatores baixistas
  • Expectativa de amenização das tensões comerciais pelos Estados Unidos pode estimular a demanda por ativos arriscados e favorecer um fortalecimento do real.
  • Fatores altistas
  • Relatório bimestral de receitas e despesas primárias do Brasil pode elevar percepção de riscos fiscais para ativos nacionais e prejudicar o desempenho do real.
  • Expectativa de desaceleração de indicadores econômicos chineses pode piorar a perspectiva de crescimento do país, o que tende a prejudicar o desempenho de ativos arriscados, como ações, commodities e moedas de países emergentes, como o real.
  • Expectativa de que os EUA estenderão cortes de impostos em seu novo Orçamento pode favorecer a rentabilidade de empresas americanas e contribuir na atração de investimentos para o país, o que tende a fortalecer o dólar globalmente.

 

Resumo da semana passada

A semana foi marcada pelo prolongamento do alívio nas tensões comerciais após Estados Unidos e China concordarem em reduzir suas tarifas de importação por 90 dias, bem como por dados mais fracos que o esperado nos EUA.

A taxa de câmbio do real encerrou a sessão desta sexta-feira (16) cotada a R$ 5,6690, variação de +0,3% na semana, de -0,1% no mês e de -8,2% no ano. Já o Dollar Index (DXY) fechou a semana cotado a 101,1 pontos, ganho semanal de 0,7% e mensal de 1,6%, porém recuo anual de 6,5%.

Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)

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Fonte: StoneX cmdtyView. Elaboração: StoneX.

 

O MAIS IMPORTANTE: Tendência de amenização das tensões tarifárias americanas

Impacto esperado no USDBRL: baixista

Em uma semana de agenda esvaziada, investidores continuarão monitorando notícias vindas de Washington buscando maior clareza para a trajetória da política comercial americana e seus efeitos sobre a economia dos Estados Unidos. Parece mais provável que as tensões comerciais continuem sendo reduzidas e que isso favoreça o desempenho de ativos arriscados, como ações, commodities e moedas de economias emergentes, porém o panorama continua complexo e as bases da recuperação do apetite por riscos parecem frágeis e passíveis de nova reversão.

Desde a posse de Donald Trump como presidente dos EUA, os mercados financeiros globais observam expressivo grau de volatilidade por conta da incerteza, imprevisibilidade e inconsistência na condução das políticas econômicas americanas. Em particular, sua condução contraditória na aplicação de tarifas de importação provocou oscilações abruptas, primeiramente com uma profunda aversão global a riscos na imposição do “choque tarifário” na primeira quinzena de abril, seguido por uma recuperação intensa do apetite por riscos ao buscar reverter ou amenizar várias dessas medidas. Nesse sentido, a trégua temporária entre os Estados Unidos e China reforçou essa tendência ao surpreender em sua magnitude, reduzindo por 90 dias as alíquotas de importação enquanto ambos seguem negociando por um acordo mais amplo, passando de 145% para 30% no caso americano e de 125% para 10% no caso chinês.

Entretanto, o cenário continua de elevada incerteza, imprevisibilidade e inconsistência na condução da política comercial americana, visto que os recuos recentes da Casa Branca foram anunciados como temporários, ainda não houve nenhuma formalização de acordos comerciais e, principalmente, não há clareza sobre os objetivos buscados pelo governo e como as tarifas vão evoluir com o tempo, o que resulta em insegurança entre os agentes econômicos e desestimula a tomada de decisões importantes, como investimentos.

Se, por um lado, as medidas recentes pela Casa Branca reduzem os temores de que as tarifas de importação americanas podem atingir níveis considerados excessivos, por outro há uma leitura majoritária de que elas ainda serão elevadas razoavelmente, provavelmente a uma média superior a 10%, o que deve trazer prejuízos para a economia dos EUA e pressionar sua inflação. Adicionalmente, expressiva maioria das mudanças realizadas pelo governo dos Estados Unidos tem sido através de ordens executivas, amparadas por oito declarações de Estado de Emergência e sem serem acompanhadas de nova legislação, o que aumenta a insegurança de que a Casa Branca pode trocar de direção sem aviso prévio. Por isso, investidores se mostraram preocupados com falas do presidente Trump na última sexta (16), afirmando que não é possível negociar com todos os países ao mesmo tempo e que, por isso, os Estados Unidos irão definir unilateralmente a tarifa de importação para diversos países nas próximas “duas ou três semanas”. Não custa lembrar que isso já havia sido feito no dia 02 de abril, quando o governo utilizou uma fórmula arbitrária para definir as alíquotas para praticamente todos os parceiros comerciais americanos, porém recuando uma semana depois.

Tarifa efetiva de importação pelos EUA (%)

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Fonte: Yale Data Lab. Elaboração: StoneX.

 

Política fiscal no Brasil

Impacto esperado no USDBRL: altista

No Brasil, o foco dos investidores deve recair sobre a divulgação do relatório de avaliação de receitas e despesas primárias do segundo bimestre de 2025 pelo Tesouro Nacional, que ganha atenção destacada após, na última semana, reportagens de imprensa afirmarem que o governo brasileiro prepara um conjunto de medidas fiscais para alavancar a sua popularidade. Entre as medidas supostamente estudadas, estariam um novo Vale Gás, linhas de crédito para entregadores de aplicativo e para reforma de moradias. Em resposta, na quinta-feira (15), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, procurou negar a existência dessas medidas, afirmando que qualquer iniciativa do Executivo estará dentro do Orçamento e que o governo estuda algumas medidas para 2025, porém que elas seriam “pontuais” e que buscariam tanto limitar o nível de despesas federais quanto ampliar a base de arrecadação. Entretanto, mesmo com as declarações de Haddad, a notícia resultou em pessimismo entre investidores e elevou as percepções de riscos fiscais para ativos brasileiros, levando o real ao pior desempenho do dia entre as moedas mais líquidas no mercado de divisas na sessão. Dessa forma, caso a divulgação do relatório ou potenciais novas notícias sobre o tópico reforcem o pessimismo de âmbito fiscal no Brasil, é provável que o real se enfraqueça perante o dólar.

 

Dados da China

Impacto esperado no USDBRL: altista

A próxima semana será marcada, adicionalmente, pela divulgação de importantes indicadores de atividade econômica na China, com destaque para as vendas no varejo e a produção industrial de abril. A leitura desses dados deve capturar os efeitos da intensificação recente das tensões comerciais com os Estados Unidos, que culminaram, no início daquele mês, na imposição de tarifas de importação de 145% por parte dos EUA sobre produtos chineses seguidas por retaliações de até 125% pela China. Ainda que a China tenha recentemente ampliado esforços de diversificação de seus mercados de exportação visando reduzir sua dependência dos Estados Unidos, o país americano continua exercendo papel central em sua pauta comercial, de modo que os choques tarifários tendem a produzir impactos sobre a confiança dos consumidores e a atividade doméstica chinesa. Por outro lado, desde o mais recente avanço na conversa entre os dois países, que resultou na pausa de 90 dias nas tarifas, observa-se a reativação de linhas de produção interrompidas e aumento na demanda por fretes de embarcações chinesas. Por ora, contudo, caso os dados da próxima semana reforcem a percepção de que a economia cedeu mais do que o esperado no período, os indicadores podem reforçar temores de uma desaceleração mais rápida da segunda maior economia do mundo, o que tende a prejudicar moedas de países exportadores de commodities, como o Brasil.

 

Discussões sobre o Orçamento americano

Impacto esperado no USDBRL: altista

Por fim, vale mencionar que o Congresso dos Estados Unidos está debatendo ativamente um novo projeto para o Orçamento público do país. Após a Casa Branca priorizar nos primeiros meses a implantação de tarifas de importação e, no mês de abril, a negociação de acordos comerciais com outros países, o foco atual do governo Trump é de avançar uma nova legislação fiscal. A proposta enviada pelo Executivo do país ao Congresso propõe, entre outros tópicos, estender cortes de impostos aplicados durante o primeiro termo de Donald Trump, isentar alguns rendimentos de imposto de renda (como gorjetas e horas extras) e ampliar o limite de deduções de impostos estaduais, reduzir gastos em áreas não militares em US$ 163 bilhões (-22,6%) e aumentar os gastos em áreas militares em US$ 120 bilhões (+16,4%). No total, a proposta reduziria as despesas federais em US$ 140 bilhões (-7,6%). Embora Trump tenha prometido aprovar esse Orçamento até o dia 04 de julho, as discussões orçamentárias são complexas e costumam demorar meses antes de sua aprovação. Neste momento, a Câmara dos Deputados está debatendo o tema, enfrentando resistências internas dentro do Partido dos Republicanos. Após a aprovação da Câmara, será a vez da proposta passar pelo crivo do Senado, para, então, seguir para ratificação no Executivo. Portanto, embora este tema esteja recebendo bastante foco nas discussões recentes, ainda há um longo caminho até sua conclusão. De maneira geral, espera-se que a aprovação de um novo Orçamento estendendo cortes de impostos favoreça a rentabilidade de empresas americanas e contribua na atração de investimentos para o país, o que tende a fortalecer o dólar globalmente.

 

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TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e StoneX cmdtyView.
  • Moedas

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