Panorama de câmbio: principais eventos da semana
- Fatores baixistas
- Expectativa de divulgação de propostas que substituam o aumento do IOF pode melhorar a percepção de riscos fiscais de ativos brasileiros e contribuir para o fortalecimento do real.
- Maior otimismo quanto às perspectivas econômicas para os EUA favorece o apetite por riscos de investidores e tende a favorecer o desempenho de ativos arriscados, como o real.
- Aumento moderado do IPCA de maio deve aumentar as apostas de novo aumento da taxa básica de juros (Selic) pelo Copom, o que favorece a atração de investimentos estrangeiros e contribui para o fortalecimento do real.
- Fatores altistas
- Leitura mais aquecida para a inflação nos EUA deve reforçar as apostas de que o Federal Reserve irá manter os juros estáveis por mais tempo, o que aumenta as perspectivas de rendimentos para títulos americanos e tende a fortalecer o dólar globalmente.
Resumo da semana passada
A semana foi marcada pelo maior apetite por riscos e otimismo de investidores após avanços nas conversas entre EUA e China por um acordo comercial e dados melhores que o esperado para o mercado de trabalho americano em maio. No Brasil, contribuiu para o fortalecimento do real o aparente consenso entre Congresso e Executivo para alternativas que substituam o recente aumento do IOF.
A taxa de câmbio do real encerrou a sessão desta sexta-feira (06) cotada a R$ 5,5701, recuo semanal de 2,6%, mensal de 2,6% e anual de 9,8%. Já o Dollar Index (DXY) fechou a semana cotado a 99,2 pontos, variação de -0,2% na semana, -0,2% no mês e -8,3% no ano.
Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)

Fonte: StoneX cmdtyView. Elaboração: StoneX.
O MAIS IMPORTANTE: Alternativas ao aumento do IOF
Impacto esperado no USDBRL: baixista
No Brasil, investidores devem repercutir o impasse entre o Ministério da Fazenda e o Congresso Nacional acerca do aumento recente das alíquotas do IOF. Na última terça-feira (03), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, declarou que as alternativas ao aumento do imposto já estão praticamente definidas, tendo sido apresentadas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e posteriormente discutidas em almoço com os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). Segundo o ministro, contudo, as propostas ainda serão detalhadas em reunião com as lideranças do Congresso, marcada para este domingo (08), ocasião na qual poderão ser finalmente anunciadas. Embora seja impossível antecipar quais medidas serão anunciadas, reportagens da imprensa afirmam que a aposta majoritária entre parlamentares é de que será proposto um corte linear de 10% nos benefícios tributários (subsídios creditícios e financeiros pagos pelo governo federal).
O aumento do IOF, anunciado de forma inesperada há duas semanas, gerou forte resistência entre setores produtivos e lideranças políticas. Em reação, parlamentares vinham se mobilizado para articular um Projeto de Decreto Legislativo (PDL) para anular a decisão, dando um prazo de dez dias para que o governo encontrasse uma alternativa de arrecadação “duradoura e consistente”. Nesse contexto, a controvérsia em torno do IOF permanece como um fator relevante de incerteza fiscal, contribuindo para a volatilidade dos ativos brasileiros, sobretudo se a solução apresentada pelo governo for percebida como insuficiente para evitar a revogação da proposta, que previa um aumento na arrecadação federal de R$ 20,5 bilhões em 2025. Cabe lembrar, também, que os temores fiscais no Brasil se acentuaram após a agência de classificação de risco Moody’s ter rebaixado a perspectiva para a nota de crédito soberana do Brasil de “positiva” para “estável”, mantendo a nota em “Ba1”. Assim, caso as medidas anunciadas sejam consideradas pelos investidores como favoráveis ao equilíbrio orçamentário do governo, elas devem impulsionar o desempenho do real e demais ativos domésticos.
Maior otimismo para a economia americana
Impacto esperado no USDBRL: baixista
Na semana passada, a moeda americana se recuperou parcialmente frente à sua desvalorização recente após dados melhores que o antecipado para o emprego no país e avanços nas tratativas comerciais entre Estados Unidos e China melhorarem as perspectivas para a economia americana. Em particular, investidores se mostraram mais otimistas após uma ligação de quase 90 minutos entre os presidentes dos dois países para alinhar pontos de discordância enquanto negociam um acordo comercial, e, posteriormente, pela emissão de uma licença temporária de importação de metais de terras raras chineses pelas três maiores montadoras americanas.
Adicionalmente, apesar de haver quase consenso entre analistas de que a inconsistência e a imprevisibilidade na condução das políticas econômicas americanas devem resultar em maior pressão inflacionária e desacelerar o crescimento do país, até o momento a maior parte dos indicadores se mostram mais resilientes que o antecipado. Com isto, os cenários mais pessimistas para a economia americana se mostram mais improváveis.
Apesar destas ressalvas, o ambiente de negócios continua bastante vulnerável a mudanças bruscas e repentinas por conta do elevado grau de incerteza e imprevisibilidade sobre a condução das políticas econômicas americanas. A Casa Branca muda de estratégias e prioridades com frequência, todos os recuos recentes sobre a aplicação de tarifas de importação foram anunciados como temporários e ainda não houve nenhuma formalização de acordos comerciais, que habitualmente demoram anos para serem formalizados. Além disso, o governo americano amplifica essa incerteza e imprevisibilidade ao promover um ritmo acelerado de alterações por meio de atos do poder Executivo, desacompanhados de mudanças permanentes na legislação.
Tamanha inconsistência leva muitos investidores a apostarem que a maior parte das mudanças implantadas estão sendo usadas como táticas de negociação diplomáticas e não permanecerão em vigor por muito tempo, especialmente na aplicação das tarifas de importação. Isso, por sua vez, tem favorecido o apetite por riscos de investidores e impulsionado o desempenho de ativos arriscados, como ações, commodities e moedas de países emergentes. Até o momento, parece mais provável que esta tendência continuará preponderante nesta semana – pelo menos, até a próxima surpresa vinda da Casa Branca.
Inflação nos EUA
Impacto esperado no USDBRL: altista
Cabe destaque, também, a divulgação nesta semana de dados para a inflação nos EUA durante o mês de maio. A mediana das projeções aponta para uma leve reaceleração do Índice de Preços ao Consumidor (CPI), que manteria sua alta mensal em 0,2% enquanto o seu núcleo, que exclui os componentes mais voláteis de alimentação e energia, passaria de 0,2% em abril para 0,3% em maio. Essa discreta aceleração deve ser resultado do aumento de preços de algumas categorias de bens industriais mais afetadas pela aplicação de tarifas de importação, como móveis, vestuários, automóveis e peças automotivas, que devem ter repassado em algum grau custos produtivos mais elevados.
A leitura mais aquecida para a inflação nos EUA deve reforçar apostas de investidores de que o Federal Reserve não terá pressa para realizar novos cortes de juros, buscando manter um aperto monetário mais firme para buscar estabilizar a inflação enquanto a economia permanece resiliente. Contribuiu para esta interpretação a divulgação do Relatório da Situação do Emprego americano de maio, que surpreendeu com uma geração líquida de empregos maior que o esperado e um aumento dos ganhos salariais também acima do estimado. Assim, a perspectiva de que os rendimentos de títulos americanos permanecerão mais altos por mais tempo deve ajudar na atração de recursos estrangeiros para os Estados Unidos e contribuir para o fortalecimento global do dólar, o que tende, por sua vez, a prejudicar o desempenho do real.
IPCA no Brasil
Impacto esperado no USDBRL: baixista
A mediana das projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de maio indica uma leve desaceleração da inflação, passando de 0,41% em abril para 0,39% em maio. Caso esse cenário se confirme, a inflação acumulada em 12 meses recuaria de 5,53% para 5,40%, mantendo-se, contudo, significativamente acima do teto da meta de inflação do Banco Central, fixado em 4,50% ao ano. O resultado do IPCA de maio representa o último dado inflacionário relevante antes da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de 17 de junho. As expectativas em relação à decisão permanecem divididas entre os analistas. Enquanto a menor parte das apostas antecipa que o Copom manterá estável a taxa básica de juros, a maior parte projeta uma nova elevação de 0,25 ponto percentual, adiando o fim do atual ciclo de aperto monetário iniciado em setembro. Tal expectativa se baseia especialmente na resiliência observada nos indicadores recentes de atividade econômica, como o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre, que superou as projeções do mercado. Nesse contexto, a divulgação do IPCA ganha relevância, e se o dado sair em linha com o esperado, ele deve elevar a percepção de persistência das pressões inflacionárias, sustentando a expectativa de uma nova elevação da taxa Selic. Isto, por sua vez, melhora a perspectiva de rendimentos de títulos brasileiros e favorecendo a atração de fluxos de capital externo, fortalecendo o real.
TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS





