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Panorama Semanal de Câmbio

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Panorama de câmbio: principais eventos da semana

 
Leonel Oliveira Mattos
Vitor Andrioli
Dólar deve refletir decisões de juros no Brasil e nos EUA, conflito entre Irã e Israel, incerteza sobre tarifas americanas e tensões entre Congresso e governo brasileiro
  • Fatores baixistas
  • Ceticismo quanto à possibilidade de melhora no relacionamento comercial entre EUA e China deve manter os receios elevados quanto à uma desaceleração da economia americana e contribuir para o enfraquecimento global do dólar.
  • Fatores altistas
  • Temores de um conflito militar prolongado entre Israel e Irã pode ampliar aversão global a riscos e estimular demanda por ativos “portos seguros”, o que tende a prejudicar o real.
  • Expectativa de uma postura cautelosa do Federal Reserve em sua decisão de política monetária tende a diminuir apostas de cortes de juros este ano, favorecendo a atração de investimentos financeiros e fortalecendo o dólar.
  • Possibilidade de fim do ciclo de altas para a taxa básica de juros (Selic) no Brasil pode prejudicar a atração de investimentos estrangeiros pelo país e contribuir para um enfraquecimento do real.
  • Resistência do Congresso às medidas que diminuiriam o aumento recente do IOF pode piorar a percepção de riscos fiscais de ativos brasileiros e contribuir para o enfraquecimento do real.

 

Resumo da semana passada

Os destaques da semana foram o acordo preliminar entre Estados Unidos e China para reduzir controles de exportações, o ataque direto de Israel à infraestrutura militar e nuclear do Irã, a inflação mais moderada que o esperado nos EUA e o impasse entre o governo brasileiro e o Congresso sobre medidas alternativas ao aumento do IOF.

A taxa de câmbio do real encerrou a sessão desta sexta-feira (13) cotada a R$ 5,5413, recuo semanal de 0,5%, mensal de 3,1% e anual de 10,3%. Já o Dollar Index (DXY) fechou a semana cotado a 98,2 pontos, variação de -1,0% na semana, -1,2% no mês e -9,2% no ano.

Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)

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Fonte: StoneX cmdtyView. Elaboração: StoneX.

 

O MAIS IMPORTANTE: Temores de conflito entre Israel e Irã

Impacto esperado no USDBRL: altista

Em meio a um ambiente de tensões geopolíticas elevadas no Oriente Médio e receios de que o Irã pudesse desenvolver uma bomba nuclear, Israel lançou um ataque surpresa de larga escala na madrugada da sexta-feira, 13 de junho, bombardeando instalações militares e nucleares e assassinando chefes militares e cientistas do país. Na manhã de sexta-feira, reportagens afirmavam que 20 autoridades militares do país haviam sido assassinadas, como o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas do Irã, general Mohammad Bagheri, e o comandante das forças especiais iraniana, a Guarda Revolucionária Islâmica, general Hossein Salami. Agora, é altamente provável que Teerã buscará retaliar na mesma medida, possivelmente com o lançamento de mísseis balísticos.

Infelizmente, as sinalizações iniciais após os ataques apontam para a possibilidade de um conflito prolongado. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que “esta operação vai demorar o quanto for necessário”, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que o ataque israelense é “uma declaração de guerra” e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que “[a situação] só vai piorar”, que “o próximo ataque planejado será ainda mais brutal”, e que o “Irã precisa fazer um acordo [nuclear], antes que não sobre nada”.

O ataque elevou os temores de um conflito prolongado e de grandes proporções entre Israel e Irã, bem como os receios de que a oferta global de petróleo possa ser reduzida em função de uma retaliação de países do Oriente Médio, ataques a infraestrutura petrolífera da região e/ou bloqueios de rotas logísticas estratégicas. Este cenário tende a aumentar a percepção de riscos geopolíticos e a impulsionar a demanda de ativos considerados “portos seguros” para momento de estresse e imprevisibilidade, como o franco suíço, o iene japonês, o euro e o dólar americano, prejudicando o desempenho do real.

 

Imprevisibilidade da política comercial americana

Impacto esperado no USDBRL: baixista

Na semana passada, autoridades americanas e chinesas concordaram com uma estrutura básica para implantar o “Consenso de Genebra” e remover os controles de exportações entre os dois países, porém a reação dos mercados financeiros foi bastante restrita. Os comunicados dos dois países não divulgaram muitos detalhes, não indica qualquer discussão sobre alíquotas de tarifas de importação e sugerem que o ponto central das discussões foram os controles de exportações aplicados tanto pelos EUA como pela China. Em particular, Washington demandava que a China permitisse mais exportações de minerais de terras raras em troca da anulação de restrições recentes às exportações americanas, como chips avançados, softwares para design de chips, peças para motores a jato, produtos químicos e materiais nucleares. Essas delegações levaram a proposta negociada de volta para seus respectivos líderes para ratificar o acordo antes de efetivá-la.

A aparente ausência de avanços substantivos em um entendimento mais amplo para o comércio entre China e Estados Unidos gerou ceticismo entre investidores quanto à possibilidade de um acordo formal entre os países. Acordos comerciais habitualmente demoram anos para serem formalizados, visto que abrangem uma enorme diversidade de produtos e muitos pontos de interesse para as nações. Mesmo durante a “trégua” de 90 dias até 12 de agosto, as tarifas de importação aplicadas por ambos seguem substantivamente maiores que as vigentes no ano passado, o que mantém elevadas as preocupações quanto à uma desaceleração do crescimento econômico de ambas. Além disso, investidores se mostraram preocupados com novas ameaças de Trump na quarta-feira passada (11) de que aumentaria unilateralmente as tarifas de importação para a maioria dos parceiros comerciais americanos “em duas a três semanas”, uma ameaça que ele já havia feito, mas não se concretizou, em 16 de maio. Por isso, é bastante provável que a insegurança e imprevisibilidade sobre a evolução das tarifas de importação americanas continue estimulando uma redução do peso de ativos americanos nos portfólios de investidores, o que tende a enfraquecer globalmente o dólar e, indiretamente, favorecer o desempenho do real.

 

Decisão de juros do FOMC

Impacto esperado no USDBRL: altista

Há amplo consenso de que o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do Federal Reserve (Fed) deverá manter inalterada sua taxa básica de juros, atualmente no intervalo entre 4,25% e 4,50% ao ano. Espera-se, ainda, que o Comitê reforce em seu comunicado uma postura cautelosa e paciente, em consonância com declarações recentes de dirigentes da instituição, que têm adotado uma abordagem de “esperar para ver”. Essa postura prudente decorre de dois fatores principais. O primeiro está relacionado à condução incerta e imprevisível da política econômica do presidente Donald Trump, especialmente no que tange às medidas comerciais e cujos contornos ainda não estão totalmente definidos. O segundo fator diz respeito aos dados econômicos mais recentes, que ainda não evidenciam impactos claros das políticas protecionistas adotadas. Apesar das expectativas iniciais de que tais medidas poderiam intensificar pressões inflacionárias e desacelerar a atividade econômica, os indicadores divulgados até o momento não confirmam esse cenário. Inclusive, os dados de inflação mais recentes, divulgados nesta semana, surpreenderam para baixo, apontando para uma inflação abaixo do esperado no mês de maio. Diante desse contexto, o FOMC deve argumentar que necessita de mais tempo para avaliar a evolução das variáveis macroeconômicas, e para compreender com maior clareza os possíveis efeitos das medidas propostas pelo governo federal.

Nesse cenário, ganham relevância as Projeções Econômicas Sumarizadas, que acompanharão a decisão do FOMC. Essas projeções trazem as estimativas do Comitê para crescimento econômico, desemprego, inflação e taxa de juros no período de 2025 a 2027, com destaque para o gráfico de dispersão de pontos (“dot plot”), que revela as expectativas individuais dos membros do FOMC quanto à trajetória futura da taxa de juros. Na última projeção, divulgada em março, o documento indicava a expectativa de dois cortes na taxa de juros ainda em 2025, perspectiva que, diante das incertezas, tende a ser mantida. Dessa forma, ao indicar uma postura cautelosa pelo Federal Reserve, a decisão do FOMC pode diminuir as apostas de investidores para a queda dos juros americanos, o que tende a valorizar o dólar globalmente.

 

Decisão de juros do Copom

Impacto esperado no USDBRL: altista

No Brasil, investidores ainda se dividem sobre qual deve ser o próximo passo do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) na reunião desta quarta-feira (18). Por um lado, parte das apostas indica que o Comitê deve elevar novamente a taxa básica de juros (Selic), indo de 14,75% a.a. para 15,00%, estendendo o ciclo de alta que foi iniciado em setembro de 2024. Para estes investidores, o BC deve se alinhar à postura mais firme que tem adotado nos últimos meses, especialmente diante da permanência dos índices de inflação acima da meta do estipulada pelo órgão e pelos dados resilientes para a atividade econômica nacional. Porém, outra parte dos investidores acreditam que o BC pode optar por manter a Selic inalterada, em 14,75% a.a. Tal leitura fortaleceu-se após divulgação, nesta semana, do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de maio, que mostrou uma alta abaixo do esperado para o índice no mês. Apesar de ainda permanecer significativamente acima de meta do BC, a maior moderação do índice levantou dúvidas sobre a continuidade do aperto monetário pelo órgão. Nesse sentido, a manutenção dos juros ou a possibilidade da inclusão no comunicado da decisão de que pode ter encerrado seu ciclo de altas, por sua vez, pode prejudicar a perspectiva de rentabilidade dos títulos domésticos e dificultar a atração de capitais estrangeiros, enfraquecendo o real.

 

Pacote fiscal no Brasil

Impacto esperado no USDBRL: altista

Investidores devem monitorar a forte resistência de parlamentares brasileiros à Medida Provisória publicada pelo governo federal para reduzir parcialmente o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) através do aumento da taxação sobre casas de apostas online, fintechs, aplicações financeiras e Juros sobre Capital Próprio, além de baixar linearmente em 10% os gastos com benefícios tributários. Apesar de haver combinado com líderes partidários quais ações seriam adotadas, as tensões com o Congresso foram se agravando durante a semana, e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, decidiu pautar para segunda-feira (16) o requerimento de urgência do projeto de decreto legislativo (PDL) 314/25, que anula os efeitos dessa medida provisória. Caso os congressistas anulem de fato as propostas do governo, é provável que a percepção de riscos fiscais entre investidores se eleve, o que tende a enfraquecer o real perante o dólar.

 

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TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e StoneX cmdtyView.
  • Moedas

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