O Relatório Trimestral de Perspectivas para Commodities já está disponível gratuitamente.  Faça seu download.  →

Logotipo da StoneX

Panorama Semanal de Câmbio

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Panorama de câmbio: principais eventos da semana

 
Leonel Oliveira Mattos
Vitor Andrioli
Dólar deve refletir tendência de enfraquecimento do dólar, dados econômicos americanos e confronto entre Executivo e Legislativo no Brasil
  • Fatores baixistas
  • Receios de pressões políticas sobre as decisões de política monetária do Federal Reserve aumentam as apostas de cortes de juros nos EUA, prejudicando a atração de investimentos financeiros ao país e contribuindo para o enfraquecimento global do dólar.
  • Dados mais fracos para o mercado de trabalho podem aumentar as apostas de cortes de juros pelo Federal Reserve, prejudicando a atração de investimentos financeiros ao país e contribuindo para o enfraquecimento global do dólar.
  • Fatores altistas
  • Confronto entre Executivo e Legislativo pode dificultar a condução da política fiscal do governo e ameaçar o equilíbrio das contas públicas, o que pode aumentar a percepção de riscos entre investidores para ativos brasileiro e prejudicar o desempenho do real.

 

Resumo da semana passada

A semana foi marcada pelo enfraquecimento global do dólar em meio a uma redução das tensões geopolíticas no Oriente Médio e a um aumento das apostas de cortes de juros pelo Federal Reserve. Porém, os ganhos do real foram limitados pela anulação inesperada dos decretos que aumentaram o IOF pelo Congresso Nacional, ampliando receios sobre a sustentabilidade das contas públicas no Brasil.

A taxa de câmbio do real encerrou a sessão desta sexta-feira (27) cotada a R$ 5,4831, recuo semanal de 0,8%, mensal de 4,1% e anual de 11,2%. Já o Dollar Index (DXY) fechou a semana cotado a 97,3 pontos, variação de -1,5% na semana, -2,0% no mês e -10,0% no ano.

Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)

image 114941

Fonte: StoneX cmdtyView. Elaboração: StoneX.

 

O MAIS IMPORTANTE: tendência de desvalorização global do dólar

Impacto esperado no USDBRL: baixista

EUA: Histórico e expectativa para a taxa de juros – atualizado em 27 de junho de 2025

image 114942

Fonte: CME FedWatch Tool. Elaboração: StoneX.   Refere-se à aposta com maior probabilidade no mercado futuro de juros na data indicada.

Após atingir um pico no começo de janeiro, o Dollar Index, que mede o valor da moeda americana frente a uma cesta de moedas de economias avançadas, passou a desvalorizar de maneira persistente, recuando em mais de 11% desde então. Esse enfraquecimento expressivo do dólar foi impulsionado por diversos fatores, como a inconsistência e imprevisibilidade na condução das políticas econômicas dos Estados Unidos, as preocupações com o equilíbrio das contas públicas do país e sustentabilidade do ritmo de endividamento, receios de uma desaceleração do crescimento econômico americano e uma melhora nas perspectivas econômicas de outros países, em particular da Europa.

Essa tendência se aprofundou na semana passada, após o cessar-fogo entre Israel e Irã reduzir a percepção de riscos geopolíticos, favorecendo a demanda por ativos arriscados, e após investidores aumentarem suas apostas de cortes de juros pelo Federal Reserve, diminuindo a rentabilidade esperada para títulos denominados em dólar. O aumento das apostas, por sua vez, foi resultado, em parte, da divulgação de dados para a economia americana, como leituras mais brandas que o esperado para inflação, uma desaceleração mais rápida que o esperado do consumo pessoal e indícios de um enfraquecimento do mercado de trabalho.

Porém, parte desse aumento das apostas de cortes de juros foi resultado de uma reportagem do Wall Street Journal da última quarta-feira (25), que afirmava que o presidente dos EUA, Donald Trump, estuda nomear antecipadamente o próximo presidente do Federal Reserve (Fed) com o objetivo de influenciar as expectativas de investidores quanto à condução da política monetária americana após o fim do mandato de Powell, em maio de 2026. Habitualmente, os presidentes dos Estados Unidos indicam seu candidato à presidência do Federal Reserve entre três a quatro meses antes do fim do mandato vigente. Contudo, a reportagem afirmava que Trump deseja fazer essa indicação até setembro ou outubro, o que seria sete a oito meses antes do término do mandato do atual presidente do Fed, Jerome Powell, em 15 de maio. Adicionalmente, Trump tem intensificado as críticas a Powell, afirmando, por exemplo, que Powell é “horrível”, tem “baixo QI”, é “muito burro” e que talvez Trump opte por demiti-lo, embora a legalidade dessa medida deva ser questionada. Estes fatos geraram temores entre investidores de que a independência da instituição possa ser prejudicada e que o Federal Reserve possa ser induzido a cortar juros mais cedo e sem fundamentação técnica sólida, reduzindo a credibilidade da política monetária. Isto resultou, por sua vez, tanto em um aumento da percepção de riscos para ativos americanos como em apostas de que os juros do país vão cair a um ritmo mais acelerado, diminuindo a atratividade dos títulos denominados em dólar e enfraquecendo a moeda americana.

Adicionalmente, ainda há incertezas importantes relacionadas à política tarifária dos Estados Unidos com potencial de aumentar a percepção de riscos para os ativos do país. Em primeiro lugar, porque a redução temporária das tarifas de importação para todos os países, com exceção da China, se encerra em 09 de julho, daqui a duas semanas. Além disso, há dúvidas sobre a possibilidade de novos acordos comerciais, pelo menos no curto prazo. Embora a Casa Branca tenha anunciado que “formalizou” o acordo sobre terras raras com a China, os termos desse acordo permanecem desconhecidos e há uma percepção de que as relações com Pequim seguem distantes. Além disso, na última sexta (27), Trump anunciou que todas as negociações com o Canadá estão suspensas por conta de um imposto sobre serviços de tecnologia, que afeta diversas empresas americanas. Por outro lado, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que acredita que o país pode fechar mais de dez acordos comerciais até 01 de setembro.
 

Dados econômicos americanos

Impacto esperado no USDBRL: baixista

Novos pedidos semanais de auxílio-desemprego nos Estados Unidos

image 114946

Fonte: U.S. Department of Labor (DOL), Federal Reserve Bank of St. Louis. Elaboração: StoneX.
Pedidos continuados semanais de auxílio-desemprego nos Estados Unidos

image 114945

Fonte: U.S. Department of Labor (DOL), Federal Reserve Bank of St. Louis. Elaboração: StoneX.

Nesta semana, a divulgação de indicadores importantes nos EUA deve ajudar investidores a calibrarem suas expectativas para a trajetória dos juros do país e influenciar o valor global do dólar. Cabe destaque aos dados para o mercado de trabalho, como o Relatório da Situação do Emprego de junho e a Pesquisa de Abertura de Vagas e Turnover (JOLTS) de maio. Indicadores recentes de tendência apontam para um enfraquecimento das condições do mercado de trabalho. O número de novos pedidos semanais por auxílio-desemprego aumentou ligeiramente, sugerindo uma pequena alta nas demissões. Adicionalmente, o número do total de pessoas que estão recebendo esse auxílio está aumentando rapidamente e atingiu o maior valor desde novembro de 2021, sugerindo uma desaceleração no ritmo de contratações.

A mediana das estimativas aponta para um crescimento líquido de empregos em junho de 129 mil, uma leve desaceleração ante o saldo de 139 mil registrado em maio. Essa estimativa, se confirmada, sugere que os patamares atuais de emprego ainda são saudáveis, porém a tendência é de moderação gradual e persistente nas condições de trabalho, condizente com uma desaceleração do nível de atividade econômica do país.

Assim, após três meses de inflação mais contida, a divulgação de dados mais fracos para o mercado de trabalho deve reforçar as apostas de um ritmo mais acelerado de cortes de juros pelo Federal Reserve, o que, por sua vez, diminui a rentabilidade esperada para títulos denominados em dólar e favorece um enfraquecimento da moeda americana.

 

Revogação do aumento do IOF pelo Congresso

Impacto esperado no USDBRL: altista

Na próxima semana, o embate entre o Executivo e o Congresso Nacional sobre o aumento das alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) pode manter elevada a percepção de risco em relação aos ativos brasileiros. A tensão institucional se intensificou na última semana após a aprovação do Projeto de Decreto Legislativo (PDL) nº 314/2025, que anulou a medida do governo federal responsável pelo aumento das alíquotas do IOF. Em resposta, segundo reportagens, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sinalizou a intenção de contestar judicialmente a decisão no Supremo Tribunal Federal (STF), alegando que o Legislativo estaria infringido a separação dos poderes. Em entrevista na última sexta-feira (27), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, alegou que o Legislativo estaria extrapolando seus limites ao interferir em um instrumento que compete à União, ao passo que a Constituição reserva ao âmbito federal o direito de instituir impostos sobre “operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores mobiliários”.

Por outro lado, prevalecendo a anulação do aumento do IOF, o Executivo pode ser forçado a realizar novos cortes orçamentários em 2025. Estimativas da equipe econômica indicam que a revogação do decreto resulta em uma perda de arrecadação de cerca de R$ 10 bilhões ainda neste ano. Tal valor, segundo a Fazenda, seria significativo dentro do esforço do governo para atingir a meta fiscal. Paralelamente, a Câmara dos Deputados deve pautar na próxima semana um requerimento de urgência para a votação do projeto de lei complementar que propõe um corte em benefícios fiscais. O requerimento de urgência já está sendo articulado pela Câmara dos Deputados, devendo ser adiantado como tentativa de mitigar o desgaste provocado pela rejeição da elevação do IOF e demonstrar compromisso do Congresso com o ajuste fiscal. Caso aprovada, essa medida poderá representar, segundo o governo, um incremento de R$ 20 bilhões na arrecadação em 2026, ajudando a recompor a margem fiscal comprometida pela recente derrota do governo federal. De todo modo, o cenário ainda incerto e o impasse entre Executivo e Legislativo devem continuar gerando apreensão entre os investidores, o que tende a elevar o risco percebido nos ativos brasileiros e pode pressionar o real.

 

Taxa Ptax de fim de mês

Impacto esperado no USDBRL: indefinido

A taxa de câmbio do real deve apresentar volume de negócios e volatilidade mais elevados na segunda-feira (30), dentro das janelas de horários utilizadas pelo Banco Central para o cálculo da taxa Ptax de fim de mês, ou seja, entre 10h00min e 13h10min. A Ptax é uma referência divulgada diariamente pelo BC e seu valor de fim de mês é muito utilizado em contratos de câmbio e derivativos. Desta forma, os operadores do mercado intensificam suas operações durante estes intervalos, disputando a sua definição.

 

image 71959

 

TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

image 114947

Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e StoneX cmdtyView.
  • Moedas

Este documento contém opiniões do autor e não necessariamente reflete as estratégias da StoneX. As previsões de mercado são especulativas e podem variar. O investidor é responsável por qualquer decisão baseada neste material. A StoneX só negocia com clientes que atendem aos critérios legais. O aviso legal completo está em https://www.stonex.com/pt-br/termos-e-condicoes/.

É proibida a cópia ou redistribuição deste material sem permissão da StoneX.

© 2026 StoneX Group, Inc.

Vista por satélite da Terra à noite mostrando cidades iluminadas na Ásia e no Oriente Médio

Descubra mais insights

Nossos assinantes têm acesso às análises de mercado da StoneX, abrangendo commodities, ações, moedas e muito mais.

Abrimos mercados

Utilizamos nosso capital, conhecimento e profunda experiência para proteger as margens de nossos clientes, reduzir custos e fornecer soluções personalizadas para obter sucesso nos mercados globais competitivos de hoje.

Confiança

Valorizamos relacionamentos próximos e de longo prazo com nossos clientes. Ao oferecer o melhor serviço e suporte tecnológico, nossos clientes confiam em nós para entrar nos mercados mais desafiadores e atender aos seus pedidos mais difíceis.

Transparência

Oferecemos preços competitivos e transparentes, além de entrega garantida e segura em mais de 140 moedas em mais de 185 países.

Especialização

Com insights e informações de todo o mundo, fornecemos aos nossos clientes notícias, dados e comentários agregados de todas as vertentes de nossos mercados, desde interconexões de complexos de commodities até fluxos globais de capital.