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Panorama Semanal de Câmbio

By: Leonel Mattos, Market Intelligence Analyst • BRAZIL PRS

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Dólar deve refletir dados econômicos no Brasil e nos EUA

  • Altistas
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  • Dados de inflação, varejo e indústria nos EUA devem reforçar temores de uma “estagflação” do país e aumentar as apostas de cortes de juros pelo Federal Reserve, o que prejudica a atração de investimentos estrangeiros aos EUA e tende a desvalorizar o dólar.
  • Dados de inflação, varejo e serviços no Brasil devem reforçar a expectativa de manutenção da taxa básica de juros (Selic) mais alta por mais tempo, favorecendo a atração de investimentos estrangeiros para o Brasil e fortalecendo o real.

Resumo da semana passada

  • Novo “choque tarifário” americano entrou em vigor, aumentando receios de que as tarifas de importação resultem em uma “estagflação” da economia (isto é, desaceleração do crescimento e aceleração da inflação).
  • Casa Branca indicou Stephen Miran para os últimos meses do mandato de Adriana Kugler, que renunciou ao cargo de membra do Conselho de Governadores do Federal Reserve.
  • Ata da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) reforçou a postura cautelosa do Banco Central ao defender a manutenção da taxa básica de juros (Selic) elevada por um período “bastante prolongado”.

Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)

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Fonte: StoneX cmdtyView. Elaboração: StoneX.

Variações do dólar comercial | No dia: +0,22% | Na semana: -1,99% | No mês: -2,97% | No ano: -12,03% | Em 12 meses: -2,50% |
Variações do Dollar Index | No dia: +0,14% | Na semana: -0,47% | No mês: -1,80% | No ano: -9,12% | Em 12 meses: -4,79% |

 

O MAIS IMPORTANTE: Receios de uma “estagflação” nos Estados Unidos
Impacto esperado no USDBRL: baixista

EUA: Histórico e expectativa para a taxa de juros – atualizado em 08 de agosto de 2025

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Fonte: CME FedWatch Tool. Elaboração: StoneX.   Refere-se à aposta com maior probabilidade no mercado futuro de juros na data indicada.

Investidores estão mais preocupados com os riscos de uma “estagflação” dos Estados Unidos, isto é, de uma desaceleração do crescimento econômico simultaneamente a uma aceleração da inflação.

  • Isto, por sua vez, aumenta as apostas de investidores por cortes de juros mais rápidos pelo Federal Reserve.

Por que isso é importante: A perspectiva de juros mais baixos nos EUA diminui a rentabilidade esperada para os títulos do país, o que dificulta a atração de investimentos estrangeiros e contribui para um enfraquecimento do dólar.

  • Adicionalmente, a perspectiva de crescimento mais lento da economia americana também diminui a rentabilidade esperada de investimentos produtivos no país, o que dificulta a atração de investimentos estrangeiros e contribui para um enfraquecimento do dólar.

Efeitos limitados até julho: Até o fim de julho, investidores se mostravam otimistas em relação às condições econômicas dos Estados Unidos em função de impactos muito sutis das tarifas de importação sobre as variáveis macroeconômicas.

  • Considere, por exemplo, que o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, afirmou em 30 de julho que “temos riscos para as duas metas [estabilidade de preços e máximo emprego], e [a inflação] está mais distante da meta que [emprego]”.
  • Esses impactos sutis provavelmente foram resultado de dois movimentos simultâneos.
  • Primeiramente, empresas anteciparam suas importações no primeiro trimestre para formar estoques antes da entrada em vigor das tarifas de abril, o que evitou repasses imediatos de custos de importação mais elevados.
  • Adicionalmente, consumidores anteciparam compras de algumas categorias de produtos no primeiro trimestre com receios de preços mais altos após abril, o que levou a um fortalecimento temporário da demanda.

Temores após agosto: Esse otimismo se desfez rapidamente após a divulgação do Relatório da Situação do Emprego de julho, em 01 de agosto, que mostrou tanto uma geração líquida de empregos mais fraca que o esperado para o mês como revisou drasticamente para baixo os saldos de maio e de junho.

  • Adicionalmente, os Índices Gerente de Compra (PMI) dos EUA também apontaram para uma desaceleração da produção e do emprego e para pressões inflacionárias em julho, reforçando os temores de “estagflação” do país.

PMI da indústria (esquerda) e de serviços (direita) dos Estados Unidos e subcomponentes selecionados

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    Fonte: Institute for Supply Management (ISM). Elaboração: StoneX.
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    Fonte: Institute for Supply Management (ISM). Elaboração: StoneX.

“No hire, no fire”: Contudo, é preciso considerar que os fluxos migratórios se reduziram drasticamente ao longo de 2025, o que diminui o tamanho da força de trabalho do país. Por isso, uma criação mais lenta de empregos não necessariamente resultaria em maior taxa de desemprego.

  • Nesse mesmo sentido, os dados semanais de auxílio-desemprego sugerem que não há uma aceleração no número de novos pedidos, o que sugere que o ritmo de demissões está aproximadamente estável.
  • Já os pedidos continuados de auxílio-desemprego, isto é, o número de pessoas que continuam recebendo o benefício após a primeira semana, apresenta rápida aceleração, o que sugere que o ritmo de contratações diminuiu significativamente.
  • Esse cenário pode ser chamado de “no hire, no fire”, ou seja, sem contratações nem demissões, um indicativo de que o mercado de trabalho se enfraquece, mas não se encontra em crise.

Novos pedidos semanais (esquerda) e pedidos continuados semanais (direita) de auxílio-desemprego nos Estados Unidos

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    Fonte: U.S. Department of Labor (DOL), Federal Reserve Bank of St. Louis. Elaboração: StoneX.
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    Fonte: U.S. Department of Labor (DOL), Federal Reserve Bank of St. Louis. Elaboração: StoneX.

Novos dados na semana: Esta semana, serão divulgados novos indicadores importantes para investidores avaliarem se as tarifas de importação estão, de fato, prejudicando a economia americana.

  • O Índice de Preços ao Consumidor (CPI), que será divulgado na terça-feira (12), deve apontar que as tarifas continuam pressionando a inflação de segmentos mais expostos ao comércio internacional, com aceleração dos preços de bens industriais e desaceleração dos preços de serviços.
  • Como consequência, a mediana das estimativas aponta que o núcleo do indicador, que exclui os voláteis componentes de alimentação e energia, deve acelerar de 0,2% em junho para 0,3% em julho.
  • Na sexta-feira (15), as vendas do varejo americano devem mostrar crescimento mais lento em julho, enquanto a produção industrial deve se contrair no mesmo mês.

Em resumo: Os dados para a economia americana devem reforçar a preocupação de investidores com a possibilidade de uma “estagflação” no país, o que tende a aumentar as apostas de cortes de juros pelo Federal Reserve e a enfraquecer o dólar globalmente.

 

Dados econômicos do Brasil
Impacto esperado no USDBRL: baixista

IPCA acumulado em 12 meses segundo agrupamentos selecionados (%)

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Fonte: Banco Central do Brasil. Elaboração: StoneX.

No Brasil, o investidores devem observar a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) referente ao mês de julho, bem como para as pesquisas mensais de serviços (PMS) e de comércio (PMC) de junho.

Por que isso é importante: Tanto a divulgação do IPCA quanto os dados de atividade econômica ao longo da semana podem influenciar as expectativas em relação à trajetória dos juros brasileiros.

  • Caso se confirme a aceleração esperada da inflação e a continuidade da resiliência da atividade doméstica, o cenário tende a reforçar a expectativa de níveis elevados para a taxa básica de juros (Selic) por mais tempo.
  • Tal perspectiva, por sua vez, favorece a atração de investimentos estrangeiros e contribui para o desempenho do real.

O que esperar?: A mediana das projeções para o IPCA de julho aponta para uma aceleração da inflação, de 0,24% em junho para 0,34% em julho.

  • Caso confirmado, esse resultado manteria a inflação acumulada em 12 meses em 5,33%, acima do teto da meta de 4,50% ao ano estabelecida pelo Banco Central.
  • A alta da inflação deve estar associada especialmente a preços mais altos de eletricidade e um provável aumento das passagens aéreas.
  • Paralelamente, as pesquisas de serviços e comércio devem continuar mostrando resiliência, em linha com os dados recentes de atividade, como o PIB do primeiro trimestre de 2025 e os últimos indicadores para o mercado de trabalho.

Panorama geral: Conforme destacado na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), os dados desta semana serão observados em meio ao contexto no qual o BC segue avaliando “impactos acumulados do ajuste monetário já realizado, ainda por serem observados, (...) [e se são] suficiente[s] para assegurar a convergência da inflação à meta”.

  • Diante da expectativa de inflação ainda acima do teto da meta e da manutenção de um nível robusto de atividade econômica, os indicadores devem reforçar a postura de cautela adotada pelo Banco Central, sustentando a taxa básica de juros (Selic) em patamar elevado por um “período bastante prolongado”.

 

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TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e StoneX cmdtyView.
  • Moedas

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