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Panorama Semanal de Câmbio

By: Leonel Mattos, Market Intelligence Analyst • BRAZIL PRS

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Dólar deve refletir decisão de juros do FOMC e do Copom, dados do Brasil e dos EUA e possibilidade de retaliações pela Casa Branca

  • Altista
  • Condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo STF pode piorar as relações comerciais e diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos e resultar em novas retaliações pela Casa Branca, o que aumentaria a percepção de riscos para ativos nacionais e prejudicaria o desempenho do real.
  • Baixista
  • Federal Reserve deve cortar a taxa de juros americana em 0,25 p.p. nesta semana e sinalizar novos cortes nos próximos meses, o que diminui a perspectiva de rendimentos de títulos americanos e tende a desvalorizar o dólar globalmente.
  • Comitê de Política Monetária (Copom) deve manter a taxa básica de juros (Selic) inalterada e sinalizar sua estabilidade por um período prolongado, o que favorece a perspectiva de diferencial de juros brasileiro e o fortalecimento do real.

Resumo da semana passada

  • Inflação americana continuou moderada e sem indícios de impactos significativos das tarifas de importação.
  • Dados de emprego nos EUA são revisados para baixo, reforçando temores de desaceleração econômica.
  • Banco Central Europeu mantém seus juros estáveis e projeta otimismo para a economia e inflação do bloco, diminuindo apostas de novos cortes de juros.
  • IPCA apresentou deflação em agosto, mas manteve avanço considerável em seu núcleo e em preços de serviços.
  • Ex-presidente Jair Bolsonaro é condenado pelo Supremo Tribunal Federal, trazendo preocupações de uma piora nas relações comerciais e diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos.

Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)

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Fonte: StoneX cmdtyView. Elaboração: StoneX.
Variações do dólar comercial | No dia: -0,67% | Na semana: -1,10% | No mês: -1,24% | No ano: -13,32% | Em 12 meses: -4,67% |
Variações do Dollar Index | No dia: +0,07% | Na semana: -0,19% | No mês: -0,18% | No ano: -9,75% | Em 12 meses: -3,73% |

 

O MAIS IMPORTANTE: Decisão de juros do FOMC
Impacto esperado no USDBRL: baixista

EUA: Histórico e expectativa para a taxa de juros – atualizado em 12 de setembro de 2025

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Fonte: CME FedWatch Tool. Elaboração: StoneX.  Refere-se à aposta com maior probabilidade no mercado futuro de juros na data indicada.

Há praticamente consenso de que o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do Federal Reserve (Fed) reduzirá sua taxa de juros em sua decisão da quarta-feira (17), do intervalo entre 4,25% e 4,50% a.a. para a faixa entre 4,00% e 4,25% a.a.

 

Por que isso é importante: A expectativa de uma sequência de cortes de juros pelo Federal Reserve nos próximos meses diminui a perspectiva de rentabilidade de títulos americanos e prejudica a atração de investimentos estrangeiros, o que tende a desvalorizar o dólar globalmente.

 

Balanço de riscos: A divulgação de dados econômicos recentes mostrou uma desaceleração mais intensa do mercado de trabalho americano, enquanto não se observou efeitos mais abrangentes das tarifas de importação sobre a inflação.

  • Por isso, o FOMC deve justificar seu corte de juros na mudança do balanço de riscos, isto é, de riscos mais baixos de uma reaceleração inflacionária e riscos mais elevados de enfraquecimento do mercado de trabalho.

 

Foco nas projeções: Como não deve haver surpresa com a decisão do Comitê, o foco de investidores recai sobre a coletiva de imprensa do presidente do Fed, Jerome Powell, e, principalmente, na divulgação das Projeções Econômicas Sumarizadas.

  • Essas projeções trazem estimativas de todos os integrantes do FOMC para crescimento econômico, desemprego, inflação e taxa de juros nos EUA entre 2025 e 2027.
  • Neste momento, investidores apostam que o Federal Reserve realizará três cortes de juros consecutivos neste ano e outros três ao longo de 2026.
  • Porém, é possível que os membros do FOMC enxerguem, em sua mediana, uma trajetória mais lenta de reduções nos níveis de juros, dada a preocupação com o cenário inflacionário mencionada em decisões anteriores.
  • Na projeção divulgada em junho, o documento indicava a expectativa de dois cortes na taxa de juros em 2025 e apenas um em 2026.
  • Se, de fato, as projeções sugerirem cortes mais graduais nos juros, investidores podem diminuir suas apostas por cortes de juros e favorecer uma recuperação global do dólar.

 

Divergências: Embora exista praticamente um consenso de que o FOMC reduzirá seus juros em 0,25 p.p. nesta quarta, é provável que a decisão não será unânime.

  • Por um lado, é possível que alguns integrantes, como Christopher Waller e Michelle Bowman, membros do Conselho de Governadores do Fed, votem por um corte maior, de 0,50 p.p.
  • Também é possível que Jeffrey Schmid vote pela manutenção da taxa de juros.

 

Indicadores da semana: Adicionalmente, investidores devem acompanhar a divulgação de indicadores para calibrarem suas expectativas para a evolução da economia americana nos próximos meses.

  • Vendas do varejo: Em meio a este contexto de desaceleração do mercado de trabalho americano, as vendas do varejo devem moderar seu ritmo de expansão em agosto, com alta mensal de 0,3% tanto do índice cheio como na métrica que exclui vendas de automóveis, sugerindo uma desaceleração gradual da demanda dos consumidores.
  • Produção industrial: A produção industrial americana deve ter se mantido estável em agosto, prejudicada por um cenário de custos crescentes de insumos e desaceleração na demanda do consumidor.

 

Decisão de juros do Copom
Impacto esperado no USDBRL: baixista

Brasil: Histórico e expectativa para a taxa de juros – boletim Focus de 05 de setembro de 2025

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Fonte: Banco Central do Brasil. Elaboração: StoneX.

Há consenso entre investidores de que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manterá a taxa básica de juros (Selic) inalterada na reunião da próxima quarta-feira (17), preservando-a em 15,00% ao ano.

 

Por que isso é importante: A manutenção da Selic em patamar elevado, acompanhada de uma provável nova sinalização de estabilidade por um "período prolongado", tende a elevar as projeções de retorno dos títulos públicos brasileiros.

  • Esse movimento deve favorecer a atratividade dos ativos domésticos, especialmente ao coincidir com o provável início do ciclo de cortes de juros nos Estados Unidos, ampliando o diferencial de juros e contribuindo para a valorização do real.

 

Panorama geral: Na reunião de 30 de julho, chamou atenção no comunicado do Copom a indicação de que a taxa permaneceria no nível atual por um “período bastante prolongado”.

  • Essa postura se justificava pela inflação ainda acima da meta do BC e pela percepção de que o mercado de trabalho seguia moderadamente aquecido.
  • Nas últimas semanas, no entanto, a divulgação de índices de inflação mais moderados aumentou as apostas de que o início do ciclo de cortes possa ser antecipado.
  • Em entrevista recente, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, contudo, ponderou que, embora as projeções de inflação estejam sendo revisadas para baixo, elas permanecem acima da meta para os próximos dois anos e a convergência ocorre de forma lenta.
  • Segundo ele, isso justificaria a manutenção da política monetária restritiva e reforça que o “Banco Central não pode se emocionar com dados pontuais”.

 

Monitoramento da economia: Adicionalmente, a evolução dos efeitos do aperto monetário sobre a atividade produtiva e o emprego também devem influenciar a condução futura da política monetária.

  • Nesse sentido, investidores estarão atentos à divulgação de dados para o mercado de trabalho na terça-feira (16) e do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) de julho na segunda-feira (15), considerado uma prévia do PIB.

 

Retaliação da Casa Branca
Impacto esperado no USDBRL: altista

Investidores devem monitorar, também, a possibilidade de novas retaliações da Casa Branca ao Brasil após a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal na semana passada.

 

Por que isso é importante: Investidores temem que a condenação de Bolsonaro possa piorar as relações comerciais e diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos, o que aumentaria a percepção de riscos de ativos domésticos e enfraqueceria o real.

 

Panorama: A Casa Branca vinculou explicitamente a imposição de tarifas e sanções sobre o Brasil às insatisfações com processos judiciais no país, em particular contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e as plataformas de mídias sociais.

  • Logo após a condenação, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que os EUA “responderão adequadamente a essa caça às bruxas”, enquanto Donald Trump afirmou que a condenação foi “surpreendente” e “terrível para o Brasil”.
  • Mesmo se os Estados Unidos não apliquem nenhuma nova sanção ou tarifa sobre o Brasil, o que é incerto neste momento, a condenação deve dificultar uma reaproximação diplomática e comercial entre os dois países.

 

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TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e StoneX cmdtyView.
  • Moedas

Este documento contém opiniões do autor e não necessariamente reflete as estratégias da StoneX. As previsões de mercado são especulativas e podem variar. O investidor é responsável por qualquer decisão baseada neste material. A StoneX só negocia com clientes que atendem aos critérios legais. O aviso legal completo está em https://www.stonex.com/pt-br/termos-e-condicoes/.

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