O Relatório Trimestral de Perspectivas para Commodities já está disponível gratuitamente.  Faça seu download.  →

Logotipo da StoneX

Panorama Semanal de Câmbio

By: Leonel Mattos, Market Intelligence Analyst • BRAZIL PRS

Banner Currencies

Dólar deve refletir receios fiscais no Brasil, tensões comerciais entre EUA e China, paralisação do governo americano e falas de dirigentes do Fed

  • Altista
  • Receios de uma ampliação dos gastos públicos brasileiros em 2026 pode ampliar a percepção de riscos fiscais para ativos nacionais, o que enfraqueceria o real.
  • Escalada das tensões comerciais entre Estados Unidos e China eleva temores de uma desaceleração econômica global, o que pode estimular a demanda por ativos “portos-seguros” e prejudicar o desempenho do real.
  • Falas de autoridades do Federal Reserve pode sugerir uma postura mais cautelosa entre os integrantes do FOMC e diminuir apostas para cortes de juros mais rápidos nos EUA, o que tende a favorecer a atração de investimentos estrangeiros e valorizar o dólar globalmente.
  • Baixista
  • Paralisação do governo americano suspende a divulgação de indicadores econômicos do país, o que dificulta a compreensão da conjuntura do país e pode prejudicar a atração de investimentos estrangeiros.

Resumo da semana passada

  • Receios de ampliação dos gastos públicos brasileiros em 2026 provocou forte piora no desempenho dos ativos domésticos, como a taxa de câmbio do real e nos mercados de juros futuros.
  • Preocupação com as políticas fiscais da França, Inglaterra e Japão desvalorizou a moeda dessas economias frente ao dólar.
  • Paralisação do governo americano se manteve sem perspectiva de um fim próximo.
  • Conversa entre Trump e Lula aumentou o otimismo por uma diminuição nas tensões comerciais entre os dois países.
  • Leitura benigna do IPCA de setembro aumentou levemente as expectativas de cortes de juros no curto prazo no Brasil.

Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)

image 120852

Fonte: StoneX cmdtyView. Elaboração: StoneX.
Variações do dólar comercial | No dia: +2,40% | Na semana: +3,19% | No mês: +3,41% | No ano: -10,91% | Em 12 meses: -1,45% |
Variações do Dollar Index | No dia: -0,48% | Na semana: +1,25% | No mês: +1,18% | No ano: -8,50% | Em 12 meses: -3,93% |

 

O MAIS IMPORTANTE: Receios fiscais no Brasil
Impacto esperado no USDBRL: altista

Investidores devem se manter atentos ao noticiário de Brasília, após uma intensificação dos temores fiscais em relação ao Brasil ao longo da semana passada resultarem em uma profunda desvalorização de ativos brasileiros, como o real.

 

Por que isso é importante: O surgimento de novas notícias que ampliem a percepção de riscos fiscais pode elevar a exigência de prêmios de risco por investidores, o que dificultaria a atração de capital estrangeiro e provocaria maior volatilidade e enfraquecimento do real.

 

Tarifa zero no transporte público: As preocupações fiscais no Brasil se intensificaram já no início da semana passada, após o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmar em entrevista que a proposta de tarifa zero no transporte público deve integrar a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2026.

  • A fala trouxe duas novidades na comunicação do governo federal, sendo elas uma sinalização mais clara da candidatura de Lula em 2026 e a inclusão de um novo programa de gastos na agenda política.
  • Segundo Haddad, um estudo técnico sobre a viabilidade da medida já está em andamento por determinação do presidente.
  • Há algumas semanas, os rumores sobre a criação do programa já haviam pressionado os ativos locais, em especial a curva de juros, diante do temor de piora da situação fiscal.

 

Derrubada de MP no Congresso: Na quarta-feira passada (08), a Câmara dos Deputados não apreciou a Medida Provisória que substituía a elevação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) por um aumento de alíquotas de outros tributos, anulando seus efeitos.

  • A medida resultaria em aumento de arrecadação de R$ 10,55 bilhões em 2025 e R$ 20,89 bilhões em 2026.
  • Sem esses recursos, a equipe econômica terá de recalcular as projeções de receita no Orçamento de 2025 e reduzir gastos planejados.
  • Lideranças do governo afirmaram que o Executivo dispõe de um “arsenal” de alternativas, como o contingenciamento de até R$ 10 bilhões em emendas parlamentares.

 

Pacote de medidas econômicas: A tensão fiscal se agravou na sexta-feira (10) após o anúncio de um novo modelo de crédito imobiliário e notícias de que o governo prepara um pacote de medidas econômicas com impacto superior a R$ 100 bilhões para 2026.

  • Entre as iniciativas estariam a ampliação da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, a distribuição gratuita de gás de cozinha, a isenção na conta de luz para 17 milhões de famílias e o pagamento de bolsas do programa Pé-de-Meia para estudantes do ensino médio.
  • Embora todos esses programas já tenham sido anunciados anteriormente e constem do projeto orçamentário, agentes de mercado demonstram preocupação de que 2026 seja marcado por uma ampliação das despesas públicas em medidas voltadas a impulsionar a reeleição presidencial, prejudicando a sustentabilidade do endividamento público.

 

Tensões comerciais entre EUA e China
Impacto esperado no USDBRL: altista

Estados Unidos e China voltaram a intensificar as tensões comerciais entre os dois países, gerando receios de um ressurgimento de uma guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo.

 

Por que isso é importante: O aumento das tensões entre os dois países gera receios de um retorno de barreiras comerciais significativas entre as duas maiores economias globais, o que pode causar uma desaceleração mais intensa do crescimento de ambas.

  • A perspectiva de desaceleração da demanda chinesa e americana, por sua vez, pode aumentar a aversão a riscos globais entre investidores, o que prejudicaria o desempenho de ativos arriscados, como o real.

 

Fogo cruzado: Após meses de imposição mútua de barreiras comerciais, EUA e China haviam atingido uma trégua temporária, diminuindo as tarifas de importação de ambos até o dia 10 de novembro.

  • Porém, na semana passada, autoridades chinesas divulgaram um plano de restrição às exportações de minerais críticos de terras raras, essenciais para muitas aplicações industriais.
  • Sob as novas regras, as empresas estrangeiras precisarão de aprovação prévia para exportar esses minerais ou qualquer produto que tenham sido produzidos através de métodos de extração, refino ou tecnologia chineses.
  • Os segmentos mais impactados serão o de baterias, imãs, semicondutores e materiais bélicos.
  • A China responde por cerca de 70% da extração e 90% da separação e processamento mundial dos minerais de terras raras.
  • Essas medidas expandem as restrições a exportações aplicadas em abril e entrarão em vigor em novembro, a dias do fim da trégua tarifária entre os países.
  • Sob Trump, os EUA endureceram suas restrições para exportações à China, em particular para o segmento de chips avançados e suas tecnologias.
  • Na última sexta-feira (10), também, autoridades chinesas afirmaram que aplicar sobretaxas a navios de propriedade, operação, construção ou bandeira de americanos a partir de 14 de outubro, em resposta a sobretaxas idênticas que os EUA aplicarão sobre navios chineses nesse mesmo dia.
  • Em resposta às medidas divulgadas pela China, o presidente dos EUA ameaçou impor “tarifas maciças” sobre as importações de produtos chineses e cancelar um encontro com o presidente chinês, Xi Jinping.
  • Trump havia anunciado o encontro com Xi em Gyeongju, na Coreia do Sul, para o dia 29 de outubro, porém Pequim nunca confirmou o encontro.

 

Paralisação do governo americano
Impacto esperado no USDBRL: baixista

A paralisação do governo americano já dura mais de dez dias, mas não há sinais de que republicanos e democratas progrediram em atingir um meio-termo para aprovar um novo Orçamento no Congresso ou prorrogar o anterior.

  • Por isso, neste momento, a perspectiva é de uma longa paralisação, que se entenda por pelo menos mais uma semana.

 

Por que isso é importante: A paralisação afeta a maior parte do setor público americano, incluindo os departamentos responsáveis pela coleta e publicação de estatísticas econômicas, que suspenderam todas as divulgações de indicadores desde a última quarta-feira.

  • Isto pode resultar em maior percepção de riscos para ativos americanos na medida em que dificulta a leitura de investidores quanto à evolução da conjuntura econômica do país, o que poderia desvalorizar o dólar globalmente.

 

Panorama: São necessários 60 votos de senadores para aprovar um novo Orçamento ou prorrogar o anterior, porém o Senado está dividido entre 53 republicanos e 47 democratas.

  • Os parlamentares dos dois partidos apresentam demandas bastante distintas para os gastos públicos, e não houve progresso até o momento nas negociações entre ambos.
  • Os dois partidos parecem apostar que o prolongado impasse favorecerá seu desempenho eleitoral nas eleições legislativas de novembro do ano que vem.
  • Enquanto não houver uma maior pressão política – por exemplo, pesquisas que apontem que a maior parte do eleitorado culpa mais um dos partidos pela paralisação –, parece pouco provável que eles atinjam um consenso.
  • Alguns analistas apontam que essa pressão pode aumentar em 15 de outubro, data em que deixaria de ser seria pago o salário dos militares.
  • Adicionalmente, os custos para o uso dos programas de saúde pública se elevariam substancialmente em 01 de novembro, o que pode representar outra fonte de pressão.
  • Além disso, a Casa Branca segue ameaçando com demissões em massa e em não pagar retroativamente o período da paralisação para os servidores públicos, apesar desse pagamento estar previsto em lei de 2018.

 

Atraso nos dados: A paralisação ameaça a divulgação de dados para mercado de trabalho, atividade econômica e inflação antes da próxima decisão de juros do Federal Reserve, em 29 de outubro.

  • Nesta semana, seriam divulgados os Índices de Preços ao Consumidor (CPI), ao Produtor (PPI) e as vendas do varejo, todos referentes a setembro.
  • O Departamento de Estatísticas Trabalhistas (BLS, na sigla em inglês) informou na semana passada que o CPI deve ser divulgado em 24 de outubro, pois o dado precisa ser incorporado no reajuste das aposentadorias que, por lei, precisam ser informadas até 01 de novembro.
  • A ausência da divulgação de indicadores oficiais aumenta a importância de dados regionais e privados sobre as movimentações dos mercados financeiros.

 

Falas de autoridades econômicas
Impacto esperado no USDBRL: altista

EUA: Histórico e expectativa para a taxa de juros – atualizado em 10 de outubro de 2025

image 120853

Fonte: CME FedWatch Tool. Elaboração: StoneX.   Refere-se à aposta com maior probabilidade no mercado futuro de juros na data indicada.

Enquanto a paralisação do governo prejudica a divulgação de indicadores econômicos nos EUA, investidores devem buscar pistas sobre a trajetória dos juros americanos em falas de integrantes do Federal Reserve (Fed).

  • Nesta semana, estão programados discursos do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, da vice-presidente de Supervisão do Fed, Michelle Bowman, dos membros do Conselho de Governadores do Fed, Christopher Waller, Michael Barr e Stephen Miran, e dos presidentes do Fed de Boston, Susan Collins, de Richmond, Tom Barkin, de Atlanta, Raphael Bostic, de Philadelphia, Anna Paulson, de Minneapolis, Neel Kashkari, e de St. Louis, Alberto Musalem.

 

Por que isso é importante: Após a ata da última decisão de juros do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) mostrar um dissenso maior que o antecipado, investidores buscam pistas sobre a decisão de juros de 29 de outubro na fala dos dirigentes.

  • Caso as falas dos dirigentes tragam dúvidas sobre a possibilidade de um novo corte de juros em outubro, isto elevaria as perspectivas de rendimentos de títulos americanos, o que tende a fortalecer o dólar globalmente.

 

Panorama: Em 17 de setembro, o FOMC cortou seus juros pela primeira vez no ano, com 11 votos a favor de uma redução de 0,25 p.p. e uma de 0,50 p.p.

  • Em falas após a decisão, os membros do Federal Reserve têm mostrado uma divergência significativa quanto à interpretação do cenário e dos riscos atuais e, consequentemente, da trajetória mais apropriada para os juros americanos.
  • Por um lado, alguns integrantes, como Bowman, Waller e Miran se mostram mais preocupados com o enfraquecimento do mercado de trabalho e devem defender um novo corte em outubro.
  • Já outros presidentes de Federal Reserves regionais se mostram preocupados com o cenário inflacionário e defendem uma postura mais cautelosa, mantendo os juros inalterados nessa decisão.
  • Na coletiva de imprensa após a decisão, Powell afirmou que o corte de setembro representava um “gerenciamento de riscos”, visto que a inflação acelerou menos que o antecipado e com poucos indícios de efeitos das tarifas de importação, enquanto o mercado de trabalho se desacelerou mais intensamente que o previso.

 

image 71959

TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

image 120854

Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e StoneX cmdtyView.
  • Moedas

Este documento contém opiniões do autor e não necessariamente reflete as estratégias da StoneX. As previsões de mercado são especulativas e podem variar. O investidor é responsável por qualquer decisão baseada neste material. A StoneX só negocia com clientes que atendem aos critérios legais. O aviso legal completo está em https://www.stonex.com/pt-br/termos-e-condicoes/.

É proibida a cópia ou redistribuição deste material sem permissão da StoneX.

© 2026 StoneX Group, Inc.

Vista por satélite da Terra à noite mostrando cidades iluminadas na Ásia e no Oriente Médio

Descubra mais insights

Nossos assinantes têm acesso às análises de mercado da StoneX, abrangendo commodities, ações, moedas e muito mais.

Abrimos mercados

Utilizamos nosso capital, conhecimento e profunda experiência para proteger as margens de nossos clientes, reduzir custos e fornecer soluções personalizadas para obter sucesso nos mercados globais competitivos de hoje.

Confiança

Valorizamos relacionamentos próximos e de longo prazo com nossos clientes. Ao oferecer o melhor serviço e suporte tecnológico, nossos clientes confiam em nós para entrar nos mercados mais desafiadores e atender aos seus pedidos mais difíceis.

Transparência

Oferecemos preços competitivos e transparentes, além de entrega garantida e segura em mais de 140 moedas em mais de 185 países.

Especialização

Com insights e informações de todo o mundo, fornecemos aos nossos clientes notícias, dados e comentários agregados de todas as vertentes de nossos mercados, desde interconexões de complexos de commodities até fluxos globais de capital.