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Panorama Semanal de Câmbio

By: Leonel Mattos, Market Intelligence Analyst • BRAZIL PRS

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Dólar deve refletir tensões comerciais entre Pequim e Washington, inflação no Brasil e nos Estados Unidos, preocupações com crédito privado americano e paralisação do governo dos EUA

  • Altista
  • Escalada das tensões comerciais entre Estados Unidos e China eleva temores de uma desaceleração econômica global, o que pode estimular a demanda por ativos “portos-seguros” e prejudicar o desempenho do real.
  • Inflação ao consumidor americano deve apresentar nova alta moderada, o que tende a diminuir as apostas de cortes de juros pelo Federal Reserve nos próximos meses e, assim, fortalecer o dólar globalmente.
  • Leitura moderada do IPCA-15 de outubro pode aumentar as apostas de cortes na taxa básica de juros (Selic) em 2025, o que prejudicaria o rendimento de títulos brasileiros e enfraqueceria o real.
  • Receios de uma crise de crédito nos EUA pode resultar em uma maior aversão global a riscos e estimular a demanda por ativos “portos-seguros”, prejudicando o desempenho do real.
  • Baixista
  • Paralisação do governo americano suspende a divulgação de indicadores econômicos do país, o que dificulta a compreensão da conjuntura do país e pode prejudicar a atração de investimentos estrangeiros.

Resumo da semana passada

  • Intensificação das tensões comerciais entre Estados Unidos e China e problemas no mercado de crédito privado americano resultaram em maior aversão global a riscos entre investidores.
  • Falas de autoridades do Federal Reserve levaram a um aumento das apostas de cortes de juros pelo Fed em outubro.
  • Paralisação do governo americano se manteve, sem perspectivas de um fim próximo.

Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)

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Fonte: StoneX cmdtyView. Elaboração: StoneX.
Variações do dólar comercial | No dia: -0,68% | Na semana: -1,78% | No mês: +1,57% | No ano: -12,49% | Em 12 meses: -4,49% |
Variações do Dollar Index | No dia: +0,10% | Na semana: -0,52% | No mês: +0,65% | No ano: -8,98% | Em 12 meses: -5,20% |

 

O MAIS IMPORTANTE: Tensões comerciais entre EUA e China
Impacto esperado no USDBRL: altista

Nas últimas semanas, Washington e Pequim voltaram a intensificar as tensões comerciais entre os dois países, gerando receios de um ressurgimento de uma guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo.

 

Por que isso é importante: O aumento das tensões entre os dois países gera receios de um retorno de barreiras comerciais significativas entre as duas maiores economias globais, o que pode causar uma desaceleração mais intensa do crescimento de ambas.

  • A perspectiva de desaceleração da demanda chinesa e americana, por sua vez, pode aumentar a aversão a riscos globais entre investidores, o que prejudicaria o desempenho de ativos arriscados, como o real.

 

Idas e vindas: Nas últimas semanas, autoridades chinesas e americanas intercalaram declarações e ações que ora pioravam e ora aliviavam as tensões comerciais entre os dois países.

  • Por exemplo, na semana passada, autoridades chinesas divulgaram um plano de restrição às exportações de minerais críticos de terras raras, essenciais para muitas aplicações industriais.
  • Essas restrições foram uma resposta chinesa às restrições americanas para exportações à China, em particular para o segmento de chips avançados e suas tecnologias.
  • Adicionalmente, as autoridades chinesas passaram a aplicar na última terça-feira (14) sobretaxas a navios de propriedade, operação, construção ou bandeira de americanos em resposta a sobretaxas idênticas que os EUA aplicam sobre navios chineses.
  • Em resposta a essas medidas chinesas, o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou impor tarifas de 100% sobre as importações de produtos chineses e cancelar um encontro com o presidente chinês, Xi Jinping, agendado para 29 de outubro.
  • O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, afirmou que as autoridades chinesas “não podem ser confiadas” e chamou um importante negociador comercial chinês, Li Chenggang, de “desrespeitoso” e “desequilibrado”.
  • Já o ministro do Comércio chinês, Wang Wentao, declarou que os Estados Unidos são culpados pela escalada nas tensões comerciais entre os dois países ao introduzir novas restrições e barreiras comerciais aos chineses após o acordo negociado em setembro.
  • Ao mesmo tempo, Bessent declarou que a “trégua” atual nas tarifas de importação sobre a China poderia ser estendida por um longo prazo em troca do fim às restrições chinesas à exportação de minerais de terras raras.
  • Já Trump afirmou que tarifas de 100% “não são sustentáveis” e que “tudo vai ficar bem” nas negociações com a China.
  • Por sua vez, o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, afirmou que uma “dissociação” entre os dois países não é uma opção realista ou racional, e que os dois países deveriam resolver suas discordâncias de maneira pacífica e respeitosa.

 

Inflação nos Estados Unidos
Impacto esperado no USDBRL: altista

EUA: Histórico e expectativa para a taxa de juros – atualizado em 17 de outubro de 2025

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Fonte: CME FedWatch Tool. Elaboração: StoneX.   Refere-se à aposta com maior probabilidade no mercado futuro de juros na data indicada.

O Índice de Preços ao Consumidor (CPI) de setembro será divulgado, com atraso, na próxima sexta-feira (24) e deve apresentar nova alta moderada no mês, o que pode apontar para pressões inflacionárias maiores.

 

Por que isso é importante: A leitura mais aquecida do CPI pode diminuir as apostas por cortes de juros pelo Federal Reserve e favorecer a perspectiva de rendimentos de títulos americanos, o que tende a fortalecer o dólar globalmente.

 

O que esperar: A mediana das projeções para o aponta para aceleração idêntica a agosto em setembro, com alta de 0,4% no índice cheio e de 0,3% em seu núcleo, que exclui os voláteis componentes de alimentação e energia.

  • Os preços de bens industriais devem continuar se acelerando, anulando um aumento mais brando nos preços de serviços.
  • Caso essa projeção se confirme, o aumento anual do CPI passaria de 2,9% em agosto para 3,1% em setembro, enquanto o aumento anual de seu núcleo se manteria em 3,1% no mesmo período.

 

Panorama: O Federal Reserve persegue duas metas principais, a estabilidade de preços e a manutenção do pleno emprego.

  • Em tese, a estabilização da inflação americana em um patamar distante da meta perseguida pelo Federal Reserve, de 2% anuais, e os riscos de uma pressão inflacionária provocada pelas tarifas de importação diminuem a capacidade de redução de juros pela instituição.
  • Porém, declarações recentes de autoridades do Federal Reserve indicaram, de maneira geral, que eles avaliam que o cenário econômico e o balanço de riscos continuam iguais ao observado na decisão de 17 de setembro, ou seja, que os riscos para uma desaceleração do mercado de trabalho estão maiores e os riscos de uma reaceleração inflacionária estão menores.
  • Por isso, somente uma leitura surpreendentemente aquecida ou generalizada para a inflação americana em setembro seria suficiente para levar o Fed a manter seus juros inalterados em sua decisão de 29 de outubro.
  • Ainda assim, a leitura moderadamente aquecida para o CPI deve reduzir, mesmo que suavemente, as apostas de investidores por um ciclo rápido de cortes de juros nos EUA.

 

Paralisação do governo americano
Impacto esperado no USDBRL: baixista

Duração das paralisações do governo americano desde 1980 (dias)

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onte: U.S. House of Representatives Office of Art and Archives. Nota: considera apenas paralisações superiores a 24 horas.

A paralisação do governo americano segue sem perspectiva de uma solução no curto prazo, em meio a um rígido impasse entre republicanos e democratas quanto a um acordo para aprovar um novo Orçamento no Congresso ou prorrogar o anterior.

  • Por isso, neste momento, a perspectiva é de uma longa paralisação, que se entenda por pelo menos mais uma semana.

 

Por que isso é importante: A paralisação afeta a maior parte do setor público americano, incluindo os departamentos responsáveis pela coleta e publicação de estatísticas econômicas, que suspenderam todas as divulgações de indicadores desde a última quarta-feira.

  • Isto pode resultar em maior percepção de riscos para ativos americanos na medida em que dificulta a leitura de investidores quanto à evolução da conjuntura econômica do país, o que desvalorizaria o dólar globalmente.

 

Panorama: São necessários 60 votos de senadores para aprovar um novo Orçamento ou prorrogar o anterior, porém o Senado está dividido entre 53 republicanos e 47 democratas.

  • Porém, segundo reportagens de imprensa, os líderes no Senado do partido Republicano (John Thune) e do partido Democrata (Chuck Schumer) sequer conversaram entre si na semana passada.
  • Os democratas demandam garantias de que os recursos para os programas de saúde pública nos EUA não serão reduzidos e serão efetivamente gastos.
  • Neste ano, a Casa Branca “rescindiu” diversas despesas aprovadas pelo Congresso americano com consentimento de parlamentares republicanos, que possuem maioria tanto na Câmara quanto no Senado e votaram contrariamente às contestações de congressistas a essas rescisões.
  • Os dois partidos parecem apostar que o prolongado impasse favorecerá seu desempenho eleitoral nas eleições legislativas de novembro do ano que vem.
  • Enquanto não houver uma maior pressão política – por exemplo, pesquisas que apontem que a maior parte do eleitorado culpa mais um dos partidos pela paralisação –, parece pouco provável que se atinja um consenso.
  • Alguns analistas apontam que essa pressão pode aumentar em 01 de novembro, data em que os custos para o uso dos programas de saúde pública se elevariam substancialmente.
  • Além disso, a Casa Branca segue ameaçando com demissões em massa e em não pagar retroativamente o período da paralisação para os servidores públicos, apesar desse pagamento estar previsto em lei de 2018.

 

Atraso nos dados: A paralisação ameaça a divulgação de dados para mercado de trabalho, atividade econômica e inflação antes da próxima decisão de juros do Federal Reserve, em 29 de outubro.

  • Por exemplo, deixaram de ser divulgados até o momento o Relatório da Situação de Emprego, o Índice de Preços ao Produtor, as Vendas do Varejo e a Produção Industrial, todos referentes a setembro.
  • Já o Índice de Preços ao Consumidor deve ser divulgado, com atraso, em 24 de outubro, visto que o dado precisa ser incorporado no reajuste das aposentadorias, que, por lei, precisa ser informado até 01 de novembro.
  • A ausência da divulgação de indicadores oficiais aumenta a importância de dados regionais e privados sobre as movimentações dos mercados financeiros.

 

Estresse no mercado de crédito privado americano
Impacto esperado no USDBRL: altista

Investidores devem monitorar por notícias relacionadas a dificuldades de empresas americanas para saldar seus compromissos financeiros.

 

Por que isso é importante: A preocupação com a saúde do sistema de crédito nos Estados Unidos pode elevar a aversão global a riscos dos investidores, prejudicando o desempenho de ativos considerados mais arriscados, como as moedas de países emergentes, incluindo o real.

 

Em detalhes: A preocupação com o mercado de crédito americano começou após a implosão da financiadora de veículos Tricolor Holdings e da fornecedora de autopeças First Brands Group, que estavam altamente alavancadas e entraram recentemente com pedidos de recuperação judicial nos EUA.

  • Essa preocupação se intensificou na semana passada após dois bancos regionais americanos, Zions Bancorp e Western Alliance, declararem perdas milionárias com dois fundos de investimentos que teriam fraudado as garantias de empréstimos, impossibilitando a recuperação do valor financiado.
  • Estes eventos reacenderam temores de uma possível crise de crédito nos EUA e resultaram em uma maior demanda de ativos considerados “portos seguros” para momentos de estresse e incerteza.
  • Na terça passada (14), o CEO do J.P. Morgan, Jamie Dimon, mostrou preocupação com a possibilidade de problemas de crédito nos EUA durante a divulgação de resultados da empresa, afirmando que “eu provavelmente não deveria dizer isso, mas, quando você vê uma barata, provavelmente há mais. Todos deveriam estar avisados sobre isso”.

 

IPCA-15

Impacto esperado no USDBRL: altista

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) deve apresentar alta moderada em setembro.

 

Por que isso é importante: A moderação da inflação no Brasil pode reforçar a percepção de estabilização de preços no Brasil e aumentar levemente as apostas de cortes na taxa básica de juros (Selic) em 2025, o que pode prejudicar o rendimento de títulos brasileiros e contribuir para um enfraquecimento do real.

 

O que esperar: A variação mensal do IPCA-15 deve desacelerar de 0,48% em setembro para cerca de 0,20% em outubro.

  • Caso essa projeção se confirme, o aumento anual do IPCA-15 se manteria em 5,3% de setembro para outubro.
  • A alta de setembro foi influenciada por um forte avanço nos preços de energia elétrica, porém com aumento bastante suave nos preços de serviços e no núcleo do indicador, que exclui os componentes mais voláteis de alimentação e energia.

 

Expectativas inalteradas: Embora a alta moderada do IPCA-15 possa contribuir para aliviar os temores inflacionários, isoladamente o dado não deve mudas de forma significativa as expectativas de investidores para os juros brasileiros.

  • As autoridades do Banco Central têm comunicado de forma consistente que exigirá a confirmação de uma tendência de estabilização de preços por vários meses consecutivos antes de considerar cortes na Selic.

 

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TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e StoneX cmdtyView.
  • Moedas

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