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Panorama Semanal de Câmbio

By: Leonel Mattos, Market Intelligence Analyst • BRAZIL PRS

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Dólar deve refletir decisão de juros do Copom, PMI nos EUA, expectativa para juros americanos e receios com tensões comerciais

  • Altista
  • Índices PMI industrial e de serviços dos EUA devem avançar em outubro, sugerindo que a atividade econômica americana segue aquecida e diminuindo as apostas de investidores por cortes de juros pelo Fed e fortalecendo o dólar globalmente.
  • Falas de autoridades do Federal Reserve podem reforçar preocupação com os riscos inflacionários nos EUA e diminuir apostas para cortes de juros em dezembro.
  • Temores de que a “trégua tarifária” entre EUA e China possa se romper em curto prazo pode resultar em maior aversão global a riscos e prejudicar o desempenho de ativos arriscados, como o real.
  • Audiência na Suprema Corte americana sobre legalidade das tarifas da Casa Branca pode resultar em maior insegurança quanto à evolução da política comercial do país e resultar em maior aversão global a riscos, prejudicando o desempenho de ativos arriscados, como o real.
  • Baixista
  • Copom deve manter a taxa básica de juros (Selic) inalterada, o que favorece a atração de investimentos estrangeiros e tende a fortalecer o real.

Resumo da semana passada

  • Trump e Lula se reuniram para avançar na reaproximação comercial e diplomática entre EUA e Brasil.
  • Trump e Xi se reuniram e concordaram em estender a trégua comercial por mais um ano, frustrando as expectativas de investidores por um alívio mais definitivo nas tensões entre China e Estados Unidos.
  • Federal Reserve cortou sua taxa básica de juros em 0,25 p.p., porém colocou em dúvida a possibilidade de uma nova redução na decisão de dezembro.

Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)

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Fonte: StoneX cmdtyView. Elaboração: StoneX.

Variações do dólar comercial | No dia: -0,00% | Na semana: -0,25% | No mês: +1,07% | No ano: -12,92% | Em 12 meses: -6,95% |
Variações do Dollar Index | No dia: +0,24% | Na semana: +0,85% | No mês: +2,05% | No ano: -7,71% | Em 12 meses: -4,02% |

O MAIS IMPORTANTE: Decisão de juros do Copom
Impacto esperado no USDBRL: baixista

Brasil: Histórico e expectativa mediana para a taxa de juros – boletim Focus de 24 de outubro de 2025

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Fonte: Banco Central do Brasil. Elaboração: StoneX.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) deve manter inalterada a taxa básica de juros (Selic) na reunião da próxima quarta-feira (5), preservando-a em 15,00% ao ano.

  • Mais do que a decisão em si, investidores estarão atentos às sinalizações do comunicado, especialmente sobre a duração do “período bastante prolongado” de estabilidade da Selic e os fatores que podem levar o Comitê a revisar seu balanço de riscos nas próximas reuniões.

 

Por que isso é importante: A perspectiva de que a Selic permanecerá em patamar elevado por um prazo prolongado tende a elevar as projeções de retorno dos títulos públicos brasileiros.

  • Isto, por sua vez, aumenta a atratividade dos ativos domésticos, sobretudo após o recente corte de juros nos Estados Unidos, ampliando o diferencial de taxas e contribuindo para a valorização do real.

 

Panorama: Caso confirmada, esta será a terceira reunião consecutiva em que o Copom mantém a Selic inalterada, mantendo as condições financeiras em território restritivo.

  • O Comitê sustenta sua estratégia nas elevadas expectativas inflacionárias dos investidores e no mercado de trabalho bastante aquecido, ainda que a dinâmica inflacionária tenha melhorado suavemente e a atividade econômica apresente seus primeiros indícios de desaceleração.
  • Na última decisão, em 17 de setembro, o comunicado destacou “expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, resiliência na atividade econômica e pressões no mercado de trabalho”, reforçando que não há pressa para alterar o patamar de juros.

 

Monitoramento da economia: Com o BC em compasso de espera, os indicadores econômicos continuam sendo determinantes para as apostas para a trajetória dos juros no país.

  • Nesta sexta-feira, a PNAD do IBGE mostrou que a taxa de desemprego segue em seu patamar mais baixo da série histórica (5,6%), reforçando a percepção de dinamismo do mercado de trabalho.
  • Na próxima semana, investidores estarão atentos aos dados de atividade industrial na terça-feira e aos Índices de Gerentes de Compras (PMI) de serviços e manufatura, que oferecem sinais sobre o nível de atividade e a confiança do setor privado.

 

PMI dos EUA
Impacto esperado no USDBRL: altista

Na próxima semana, o foco da atenção dos investidores deve recair sobre a divulgação dos Índices Gerente de Compras (PMI) de manufatura e de serviços de outubro dos EUA, divulgados pelo instituto ISM.

 

Por que isso é importante: Os PMIs devem sugerir resiliência da atividade produtiva e aceleração nos componentes de preços, reforçando a percepção de que a economia segue mais vigorosa que o antecipado.

  • Isto, por sua vez, tende a reduzir as apostas em cortes mais rápidos de juros pelo Federal Reserve, o que favorece os rendimentos de títulos americanos e contribui para valorizar o dólar globalmente.

 

Expectativa para os dados: A mediana das projeções de analistas aponta que o PMI industrial deve passar de 49,1 pontos em setembro para 49,2 pontos em outubro, enquanto o PMI de serviços deve avançar de 50,0 para 51,0 pontos no mesmo período.

  • As divulgações dos últimos meses têm sinalizado um forte avanço do componente de preços pagos e uma leve retração no componente de empregos, gerando receios de uma possível “estagflação” da economia, isto é, de desaceleração econômica combinada com aceleração da inflação.

 

“Apagão” de dados: As divulgações dos PMIs ganham maior importância em meio à paralisação do governo americano, que suspendeu a divulgação de dados oficiais e aumentou a relevância de indicadores privados e regionais na avaliação da conjuntura econômica.

  • Por exemplo, a principal publicação sobre o mercado de trabalho americano, o Relatório da Situação do Emprego, deixará de ser divulgado pelo segundo mês consecutivo.
  • A paralisação completa um mês em 1º de novembro sem sinais de uma solução no curto prazo, diante do rígido impasse entre republicanos e democratas para aprovar um novo orçamento no Congresso americano.

 

Expectativa para os juros americanos
Impacto esperado no USDBRL: altista

EUA: Histórico e expectativa para a taxa de juros – atualizado em 31 de outubro de 2025

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Fonte: CME FedWatch Tool. Elaboração: StoneX.   Refere-se à aposta com maior probabilidade no mercado futuro de juros na data indicada.

Após a decisão de juros do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do Federal Reserve (Fed) da semana passada, investidores antecipam um ritmo mais lento de queda nos juros americanos nos próximos meses.

 

Por que isso foi importante: A percepção de que os juros americanos cairão a um ritmo mais devagar impulsiona a rentabilidade dos títulos do Tesouro americano e favorece a atração de investimentos estrangeiros, fortalecendo o dólar globalmente.

 

Panorama: Na semana passada, assim como era largamente antecipado, o FOMC reduziu sua taxa básica de juros em 0,25 p.p., do intervalo entre 4,25% a 4,00% a.a. para a faixa entre 4,00% a.a. e 3,75% a.a.

  • Dez dos doze membros com direito a voto no FOMC votaram pela redução de 0,25 p.p. na taxa básica de juros, com um voto pela manutenção da taxa e outro voto por um corte de 0,50 p.p.
  • Contudo, durante a coletiva de imprensa, o presidente do Fed, Jerome Powell, se esforçou para diminuir as expectativas de um novo corte de juros na decisão de 10 de dezembro, revelando um grau de dissenso maior que o esperado no Comitê.
  • Como resultado, as apostas de investidores para uma nova queda na taxa de juros em dezembro caíram de cerca de 90% na quarta-feira, antes da última decisão, para cerca de 60% na última sexta-feira (31).

 

Opiniões divergentes: Já na abertura da coletiva de imprensa, antes de abrir para perguntas de jornalistas, Powell afirmou que “nas discussões do Comitê nesta reunião, houve opiniões bastante divergentes sobre como proceder em dezembro. Uma nova redução na taxa básica de juros na reunião de dezembro está longe de ser garantida – longe disso. A política monetária não está em um curso predefinido”.

  • A frase sugere que há uma parcela importante de integrantes do FOMC que estão preocupados com os riscos inflacionários e provavelmente estarão desconfortáveis com novos cortes sem evidências de um enfraquecimento mais rápido do mercado de trabalho ou de uma maior estabilização inflacionária.

 

Mudança no balanço de riscos: Nesse sentido, apesar da ausência de dados oficiais, o presidente do Fed listou um conjunto de dados regionais e privados que sugerem que o mercado de trabalho parece estável ou que “não está claramente desacelerando rapidamente”, sugerindo que os riscos de enfraquecimento do mercado de trabalho parecem menores.

  • Adicionalmente, ele notou que a atividade produtiva americana está mais aquecida do que o antecipado, o que costuma contribuir para maiores pressões inflacionárias e para uma maior demanda por trabalhadores pelas empresas.
  • Dessa forma, Powell pareceu sugerir que os riscos contrários entre inflação e emprego estão mais ou menos equilibrados, situação em que manter os juros estáveis seria mais adequado.
  • Em suas palavras, “se os dois objetivos estiverem em risco semelhante, então você deve ficar em uma posição neutra. (...) Então, se o equilíbrio foi restabelecido, você vai querer ficar mais ou menos em uma posição neutra. Nesse sentido, [se os últimos cortes de juros] eram uma questão de gestão de riscos [maiores para o mercado de trabalho], (...) daqui para frente é uma coisa diferente [pois os riscos voltaram a se equilibrar]”.
  • Nesse sentido, Powell também sugeriu que se a suspensão de dados oficiais por conta da atual paralisação do governo americano prejudicar a leitura da evolução da conjuntura econômica americana e do balanço de riscos em dezembro, isso deve estimular uma postura mais cautelosa pelo Comitê e favorecer uma pausa nos cortes de juros.

 

“Trégua” frágil entre China e EUA
Impacto esperado no USDBRL: altista

Apesar de Estados Unidos e China terem concordo em estender a “trégua” comercial entre os dois países por mais um ano, investidores temem que o acordo seja frágil e que as tensões comerciais possam voltar a escalar em breve.

 

Por que isso é importante: Investidores temem que as tensões comerciais elevadas entre as duas maiores economias do mundo possam provocar uma desaceleração mais acentuada do crescimento global, reduzindo o apetite por risco entre investidores e prejudicando o desempenho de ativos arriscados, como o real.

 

Panorama: Na quinta-feira passada (30), os presidentes dos Estados Unidos e da China, Donald Trump e Xi Jinping, se encontraram presencialmente pela primeira vez em quase seis anos e chegaram a um acordo para estender a trégua tarifária, flexibilizar controles de exportação e reduzir barreiras comerciais.

  • Apesar da possibilidade de uma estabilização das relações comerciais e diplomáticas entre os dois países, investidores se mostraram frustrados diante da ausência de soluções mais permanentes para a disputa entre os dois países.
  • Tanto em maio como em agosto, autoridades dos dois países já haviam anunciado acordos parecidos em temas semelhantes, porém que rapidamente deixaram de ser seguidos.

 

De volta ao passado: Na prática, o novo acordo apenas anula a maior parte das barreiras comerciais aplicadas ao longo do ano.

  • A atual “trégua” tarifária, em que ambos os países concordaram em reduzir mutuamente tarifas de importação, será estendida por um ano, até novembro de 2026.
  • Adicionalmente, os Estados Unidos vão reduzir as sobretaxas sobre produtos chineses de 30% para 20% por conta de avanços no combate ao contrabando de opioides aos EUA.
  • Os dois países suspenderão a aplicação de sobretaxas portuárias sobre navios de ambos os países por um ano.
  • A China suspenderá por um ano o endurecimento dos controles de exportação sobre minerais de terras raras em troca de uma estabilização dos controles de exportações dos EUA para empresas chinesas, embora as restrições já aplicadas por ambos continuarão vigentes.
  • Adicionalmente, a China se comprometeu em retomar a compra de produtos agropecuários americanos, particularmente de soja.
  • Por fim, Trump visitará Pequim em abril e Xi deve viajar aos EUA posteriormente.

 

Audiência judicial sobre as tarifas de Trump
Impacto esperado no USDBRL: altista

Na próxima quarta-feira (05), a Suprema Corte americana fará uma audiência para ouvir os argumentos em relação à legalidade da aplicação de tarifas “recíprocas” de importação pela Casa Branca.

 

Por que isso é importante: Caso a Suprema Corte americana decida que as tarifas “recíprocas” são ilegais, a insegurança sobre as políticas comerciais americanas pode aumentar, o que resultaria em maior aversão global a riscos e prejudicar o desempenho de ativos arriscados, como o real.

 

Panorama: No final de maio, um painel de três juízes da Corte Internacional de Comércio dos Estados Unidos decidiu que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, extrapolou os limites jurídicos de sua autoridade ao impor tarifas de importação por meio de declaração de Estado de Emergência pela IEEPA (International Emergency Economic Powers Act), uma lei de 1977.

  • A decisão não questionava a declaração do estado de emergência em si, mas que a lei utilizada, a IEEPA, não permite a imposição de tarifas de importação de forma unilateral para quase todas as nações mundiais ao mesmo tempo.
  • Essa decisão foi sustentada em um recurso ao Circuito Federal dos Estados Unidos por sete votos a quatro.
  • Na sequência, o governo americano recorreu à Suprema Corte do país, que determinou que a ordem judicial deve ficar suspensa enquanto a Suprema Corte analisa o mérito do tema.
  • A arguição oral dos advogados das partes envolvidas é uma das últimas etapas da análise do mérito da ação, mas é incerto quando a Suprema Corte deve divulgar sua decisão.

 

Alternativas jurídicas: Caso a Suprema Corte reafirme a ilegalidade das “tarifas recíprocas”, é bastante provável que a Casa Branca irá buscar alternativas para aplicá-las.

  • Adicionalmente, uma decisão contrária à Casa Branca poderia permitir que importadores solicitem reembolso dessas tarifas pagas, montante estimado pela Bloomberg em US$ 195 bilhões, ou mais da metade das receitas alfandegárias obtidas este ano.

 

Possíveis alternativas jurídicas para a implantação de tarifas nos EUA

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Fonte: MUFG. Elaboração: StoneX.

 

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TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e StoneX cmdtyView.
  • Moedas

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