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Panorama Semanal de Câmbio

By: Leonel Mattos, Market Intelligence Analyst • BRAZIL PRS

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Dólar deve refletir retomada da publicação de dados americanos, ata do FOMC e isenção de tarifas para alguns países

  • Altista
  • Ata do FOMC deve reforçar preocupação de dirigentes do Fed com os riscos inflacionários nos EUA e diminuir apostas para cortes de juros em dezembro, o que favorece a atração de capital externo e tende a fortalecer o dólar globalmente.
  • Redução das tarifas americanas para produtos agropecuários de quatro países latino-americanos prejudica a competitividade das exportações brasileiras e pode aumentar a percepção de risco para ativos nacionais, prejudicando o desempenho da moeda brasileira.
  • Baixista
  • A retomada da publicação de estatísticas econômicas americanas pode impulsionar o apetite por riscos entre investidores e favorecer o desempenho do real.

Resumo da semana passada

  • Congressistas americanos aprovaram uma extensão do orçamento até o final de janeiro, encerrando a mais longa paralisação do governo da história do país.
  • Dados privados para o mercado de trabalho americano sugeriram um enfraquecimento durante o mês de outubro.
  • IPCA desacelerou sua alta para 0,09% em outubro, porém mostrou avanços moderados para preços de serviços e para o núcleo do indicador, que exclui os componentes mais voláteis de alimentação e energia.

Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)

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Fonte: StoneX cmdtyView. Elaboração: StoneX.

Variações do dólar comercial | No dia: -0,01% | Na semana: -0,70% | No mês: -1,53% | No ano: -14,25% | Em 12 meses: -8,44% |
Variações do Dollar Index | No dia: +0,19% | Na semana: -0,28% | No mês: -0,48% | No ano: -8,16% | Em 12 meses: -7,12% |

O MAIS IMPORTANTE: Retomada das divulgações de dados americanos
Impacto esperado no USDBRL: baixista

Após o fim da paralisação do governo americano, investidores aguardam por detalhes sobre a retomada da divulgação de indicadores econômicos, que haviam sido suspensos durante a paralisação e que devem sofrer atrasos por um longo período.

 

Por que isso é importante: A retomada da coleta e divulgação de estatísticas econômicas, interrompidas desde 1º de outubro, permitirá uma melhor compreensão gradativa da evolução da economia americana, o que pode favorecer o apetite por riscos entre investidores e beneficiar o desempenho de ativos arriscados, como o real.

 

Panorama: Após 43 de paralisação do governo americano, a mais longa em sua história, parlamentares aprovaram sua reabertura com uma prorrogação do orçamento até 31 de janeiro.

  • Durante a paralisação, foram suspensas a coleta, produção e publicação de praticamente todos os indicadores econômicos.
  • Agora, esses indicadores devem voltar a serem divulgados de maneira retroativa, do mais antigo ao mais recente.
  • Até a última sexta (14), as agências estatísticas não haviam informado um calendário atualizado de quando serão divulgadas essas estatísticas.
  • É bastante provável que serão necessários meses para normalizar a publicação desses indicadores.
  • Em 2013, na paralisação de 16 dias do governo federal, foram necessários 51 dias para eliminar o atraso das divulgações de dados.

 

Estatísticas em risco: Algumas estatísticas são produzidas por meio de informações eletrônicas de sistemas, e os dados referentes a outubro poderão ser recuperados sem dificuldades.

  • Contudo, outras dependem de coleta presencial ou telefônica de informações, e há sério risco de não ser possível recuperar os dados referentes a outubro.
  • Da mesma forma, caso essas estatísticas sejam estimadas, há um risco de perda de qualidade do dado.
  • Dentre os dados mais suscetíveis à possibilidade de não serem divulgados ou de terem sua qualidade prejudicada estão o Relatório da Situação do Emprego (“payroll”) e o Índice de Preços ao Consumidor (CPI).
  • A pesquisa de domicílios do Relatório da Situação do Emprego envolve aproximadamente 60 mil ligações telefônicas ao longo de um mês para coletar as informações sobre a situação das pessoas no mercado de trabalho.
  • Já o CPI coleta cerca de 100 mil preços ao longo de um mês, e aproximadamente 2/3 desses preços são coletados em visitas presenciais a lojas.

 

Sem taxa de desemprego: Na semana passada, o diretor do Conselho Econômico da Casa Branca, Kevin Hassett, afirmou que o Relatório da Situação do Emprego de setembro deve ser publicado nesta semana, pois as informações haviam sido coletadas antes da paralisação.

  • Contudo, ele afirmou que o Relatório de outubro publicará apenas a pesquisa junto às empresas, que traz dados como a quantidade de empregos e valores de remuneração de empregados.
  • Já a pesquisa junto aos domicílios, que traz dados como taxa de desemprego e número de pessoas na força de trabalho, não foi coletada e não será publicada.
  • Hasset também declarou que acredita que deve ser possível “recalcular” e publicar os demais indicadores referentes a outubro.

 

Ata do FOMC
Impacto esperado no USDBRL: altista

Apostas para a decisão de juros do Federal Reserve de 10 de dezembro

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Fonte: CME FedWatch Tool. Elaboração: StoneX.   Probabilidades no mercado futuro de juros com referência a 14 de novembro de 2025.

Investidores devem acompanhar a divulgação da ata da última decisão do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do Federal Reserve (Fed), de 17 de outubro, em busca de sinais quanto à trajetória dos juros americanos.

  • Apesar de se referir a um encontro realizado há três semanas, o documento ganha relevância diante da falta de unanimidade entre os integrantes do Fed sobre os próximos passos do órgão, podendo oferecer pistas sobre os próximos passos do Comitê.

 

Por que isso é importante: A percepção de que os juros americanos cairão a um ritmo mais devagar que o esperado deve impulsionar a rentabilidade dos títulos do Tesouro americano e favorecer a atração de investimentos estrangeiros, fortalecendo o dólar globalmente.

 

Panorama: Na decisão de outubro, assim como era largamente antecipado, o FOMC reduziu sua taxa básica de juros em 0,25 p.p., do intervalo entre 4,25% a 4,00% a.a. para a faixa entre 4,00% a.a. e 3,75% a.a.

  • Dez dos doze membros com direito a voto no FOMC votaram pela redução de 0,25 p.p. na taxa básica de juros, com um voto pela manutenção da taxa e outro voto por um corte de 0,50 p.p.
  • Contudo, durante a coletiva de imprensa, o presidente do Fed, Jerome Powell, se esforçou para diminuir as expectativas de um novo corte de juros na decisão de 10 de dezembro, revelando um grau de dissenso maior que o esperado no Comitê.
  • Desde então, um número crescente de dirigentes tem adotado postura mais cautelosa quanto à possibilidade de um novo corte na taxa de juros americana, especialmente diante da baixa visibilidade dos indicadores econômicos causada pela paralisação do governo do país.
  • Como resultado, as apostas para um novo corte em dezembro caíram de cerca de 90% antes da última decisão para cerca de 46% na última sexta-feira (14), segundo a ferramenta CME FedWatch.

 

Opiniões divergentes: Já na abertura da coletiva de imprensa após a decisão, antes de abrir para perguntas de jornalistas, Powell afirmou que “nas discussões do Comitê nesta reunião, houve opiniões bastante divergentes sobre como proceder em dezembro. Uma nova redução na taxa básica de juros na reunião de dezembro está longe de ser garantida – longe disso. A política monetária não está em um curso predefinido”.

  • A frase sugere que há uma parcela importante de integrantes do FOMC que estão preocupados com os riscos inflacionários e provavelmente estarão desconfortáveis com novos cortes sem evidências de um enfraquecimento mais rápido do mercado de trabalho ou de uma maior estabilização inflacionária.

 

Mudança no balanço de riscos: Nesse sentido, apesar da ausência de dados oficiais, o presidente do Fed listou um conjunto de dados regionais e privados que sugeriam que o mercado de trabalho parece estável ou que “não está claramente desacelerando rapidamente”, sugerindo que os riscos de enfraquecimento do mercado de trabalho parecem menores.

  • Adicionalmente, ele notou que a atividade produtiva americana está mais aquecida do que o antecipado, o que costuma contribuir para maiores pressões inflacionárias e para uma maior demanda por trabalhadores pelas empresas.
  • Dessa forma, Powell pareceu sugerir que os riscos contrários entre inflação e emprego estão mais ou menos equilibrados, situação em que manter os juros estáveis seria mais adequado.
  • Em suas palavras, “se os dois objetivos estiverem em risco semelhante, então você deve ficar em uma posição neutra. (...) Então, se o equilíbrio foi restabelecido, você vai querer ficar mais ou menos em uma posição neutra. Nesse sentido, [se os últimos cortes de juros] eram uma questão de gestão de riscos [maiores para o mercado de trabalho], (...) daqui para frente é uma coisa diferente [pois os riscos voltaram a se equilibrar]”.
  • Nesse sentido, Powell também sugeriu que se a suspensão de dados oficiais por conta da atual paralisação do governo americano prejudicar a leitura da evolução da conjuntura econômica americana e do balanço de riscos em dezembro, isso deve estimular uma postura mais cautelosa pelo Comitê e favorecer uma pausa nos cortes de juros.

 

Acordos comerciais entre EUA e países da América Latina
Impacto esperado no USDBRL: altista

(Nota: após a publicação deste relatório, a Casa Branca anunciou a isenção das tarifas recíprocas sobre diversos produtos agropecuários. Mais detalhes podem ser observados na Abertura de Câmbio de 17/11/2025)

Na semana passada, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou novos acordos comerciais com Argentina, Guatemala, El Salvador e Equador, que deve reduzir substancialmente as tarifas de importação sobre produtos agropecuários que não são produzidos nos EUA em troca de acesso preferencial aos mercados consumidores desses países.

 

Por que isso é importante: Embora os acordos ainda não tenham sido oficializados e faltem detalhes sobre os produtos e países envolvidos, a ausência do Brasil na lista inicial, importante exportador de produtos agrícolas, pode elevar a percepção de risco para ativos domésticos, o que tende a prejudicar o desempenho da moeda brasileira.

 

Em detalhes: Segundo Trump, os acordos devem ser concluídos em cerca de duas semanas e focarão na isenção de tarifas para alimentos específicos, sem alterar as tarifas para os demais produtos.

  • Nesse sentido, serão mantidas as alíquotas de 10% para o restante dos bens provenientes de El Salvador, Guatemala e Argentina, e 15% para importações do Equador, com que os EUA registram déficit comercial.
  • Entre os produtos isentados, estariam a carne bovina, bananas e grãos de café, em uma tentativa de aliviar a inflação de alimentos nos EUA.
  • Os novos acordos seguem a lógica de negociações recentes com países asiáticos, como a Indonésia, que obteve isenção para exportação de óleo de palma, cacau e borracha para os EUA.

 

E o Brasil? Nesta semana, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, e o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, discutiram um possível arcabouço para um acordo comercial entre Brasil e EUA, embora não haja detalhes sobre avanços concretos.

  • A Casa Branca também busca concluir outros acordos antes do fim do ano, incluindo negociações com Suíça e Taiwan, o que reforça expectativas de novos anúncios em breve.
  • No entanto, enquanto não houver progresso nas redução de tarifas aplicadas aos produtos brasileiros, o avanço das negociações entre os EUA e concorrentes diretos na exportação de commodities agrícolas tende a aumentar preocupações sobre a competitividade do Brasil no mercado americano.

 

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TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e StoneX cmdtyView.
  • Moedas

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