
Câmbio deve refletir conflito no Oriente Médio e dados econômicos nos EUA e Brasil
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Aviso: A partir de domingo (08) começa o horário de verão nos EUA, reduzindo o diferencial de horas entre Washington D.C. (EST) e Brasil de duas para uma hora. Com isso, as publicações de indicadores americanos ocorrerão mais cedo no horário nacional.
- Altista
- Escalada militar no Oriente Médio gera aversão ao risco globalmente, o que tende a prejudicar ativos considerados arriscados, como moedas de países emergentes.
- Expectativa de dados inflacionários mais moderados pode reforçar expectativa de cortes de juros mais rápidos no Brasil, o que tende a desfavorecer o real.
- Baixista
- Possibilidade de dados mais fracos de atividade econômica e inflação americanas tende a impactar negativamente o dólar em âmbito global.
Resumo da semana passada
- O destaque da semana foi a eclosão do conflito armado no Oriente Médio, após ataques dos EUA e Israel contra o Irã no sábado (28). Lideranças americanas e israelenses afirmaram que o conflito deve durar algumas semanas, mas até o momento não há sinais de avanços diplomáticos.
- Devido ao conflito, a produção de petróleo e GNL na região se encontra reduzida e o escoamento pelo estreito de Ormuz se encontra praticamente interrompido, o que tem favorecido a alta dos preços das commodities energéticas e gera preocupações sobre pressões inflacionárias globais.
- O “Payroll”, principal indicador do mercado de trabalho americano, saiu significativamente abaixo do esperado com um saldo negativo de 92 mil novos empregos, enquanto a taxa de desemprego no país aumentou para 4,3%
- No Brasil, a divulgação do PIB trimestral mostrou avanço de 1,8% no quarto trimestre e a taxa de desemprego subiu para 5,4% em janeiro, ambos em linha com as estimativas, indicando desaceleração da atividade econômica e do mercado de trabalho no país.
Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)

Fonte: StoneX cmdtyView. Elaboração: StoneX.
Variações do dólar comercial
Diária: -0,81% | Semanal: +2,18% | Mensal: +2,18% | Anual: -4,16% | Em 12 meses: -8,87%
Variações do Dollar Index
Diária: -0,32% | Semanal: +1,45% | Mensal: +1,45% | Anual: +0,69% | Em 12 meses: -4,82%
O MAIS IMPORTANTE: Conflito no Oriente Médio reacende temores inflacionários
Impacto esperado no USDBRL: altista
A escalada militar no Oriente Médio, iniciada no sábado (28), após ataques dos EUA e Israel contra o Irã, impactaram os mercados financeiros e de commodities ao longo de toda a semana.
- Até o momento, os principais desdobramentos do conflito foram a morte do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, e a interrupção praticamente integral do estreito de Ormuz, rota pela qual atravessam cerca de um quinto do comércio global de petróleo transportado por via marítima e 20% do comércio mundial de GNL.
- Como resposta, o Irã iniciou uma retaliação contra países do Oriente Médio que abrigam bases militares norte-americanas, como Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Iraque, espalhando o conflito por toda a região.
- Para mais detalhes sobre os impactos no setor energético, leia nossa matéria especial.
Duração do conflito: Nos primeiros dias do conflito, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou esperar que o conflito durasse de 4 a 5 semanas, apesar de garantir que o país possui capacidade militar para sustentar operações por um período mais prolongado.
- O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou não esperar que a guerra se estenda por anos, reforçando a sinalização de que os países esperam que seja um conflito breve.
- Porém, Donald Trump afirmou que o único acordo possível é uma “rendição incondicional” por parte do Irã e a escolha de um líder “aceitável”, em oposição às notícias de que Mojtaba Khamenei, filho do líder supremo Ali Khamenei, seria um dos cotados para o cargo.
- Diante desse contexto, apesar das falas iniciais da intenção de um conflito curto, até o momento não há sinais de que os países estão dispostos a chegar em um acordo tão rápido.
Conflito reacende temores inflacionários: No momento, as principais preocupações de âmbito econômico recaem sobre o risco de reaceleração da inflação global, impulsionada pela elevação dos preços de energia.
- Esse movimento ocorreria em um período em que a inflação vinha desacelerando nas principais economias, o que tem permitido um ambiente de juros relativamente mais baixos globalmente.
- Nesse âmbito, o presidente do Federal Reserve de Minneapolis, Neel Kashkari, afirmou na terça‑feira que o conflito envolvendo o Irã aumentou substancialmente a incerteza sobre o cenário econômico dos Estados Unidos, tornando mais difícil antecipar o rumo da política monetária.
- Segundo Kashkari, até poucos dias atrás havia “muita confiança” de que a desaceleração inflacionária abriria espaço para um único corte de juros. Agora, contudo, será necessário avaliar “como esse novo choque se manifesta, por quanto tempo dura e qual será sua magnitude”.
- No Brasil, embora o Banco Central não tenha comentado oficialmente os possíveis impactos do conflito, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, declarou nesta terça‑feira (3) que é prematuro falar em uma reversão do ciclo de cortes da Selic em função das tensões no Oriente Médio.
- Em suas palavras: “Não vejo, neste momento, e tudo depende do momento, motivos para reverter o que está mais ou menos contratado, que é um ciclo de cortes. Ainda não sabemos como esse conflito vai evoluir”.
PIB, dados de inflação e JOLTS nos EUA
Impacto esperado no USDBRL: baixista
Na agenda de divulgações, o destaque da próxima semana será a divulgação de importantes indicadores econômicos nos EUA, que devem auxiliar os investidores a calibrarem suas expectativas para a condução da política monetária no país.
- O foco recai sobre dados de inflação, a segunda leitura do PIB americano no 4º trimestre de 2025 e novos dados para o mercado de trabalho.
Por que isso é importante: A evolução da atividade econômica, do mercado de trabalho e da inflação continua a exercer influência decisiva sobre as decisões de política monetária do Federal Reserve.
- Caso os indicadores apontem para um desaquecimento da economia e desaceleração da inflação, as expectativas por cortes de juros mais rápidos no país tendem a aumentar, o que pode reduzir os rendimentos dos títulos do Tesouro e enfraquecer o dólar em nível global.
Dados de inflação: Durante a semana, serão divulgados o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) na quarta-feira (11) e o Índice de Preços das Despesas de Consumo Pessoal (PCE) na sexta-feira (13), que devem contribuir para os investidores calibrarem suas expectativas, sobretudo dado o contexto de inflação persistente no país.
- O índice cheio do CPI recuou para 2,4% a.a. em janeiro, enquanto o núcleo do indicador desacelerou para 2,5%, ambos com expectativa de estabilidade em fevereiro.
- Mais importante, contudo, deve ser o PCE, por ser o indicador considerado favorito pelo Federal Reserve. Diferentemente do CPI, o PCE permaneceu próximo de 3,0% na última divulgação.
- Após subir para 2,9% em dezembro, o índice cheio do PCE é estimado em 2,8% em janeiro. Já a estimativa mediana para o núcleo do indicador indica estabilidade em 3,0%.
- Apesar de o PCE ser divulgado com defasagem em relação ao CPI, qualquer surpresa altista, em um contexto de riscos inflacionários elevados, pode reduzir as apostas em cortes de juros e sustentar um viés de curto prazo mais forte para o dólar.
- Os investidores também acompanharão os demais componentes do relatório do PCE, especialmente os dados de renda pessoal e consumo.
PIB do 4º trimestre: Na sexta-feira, os investidores também devem acompanhar a divulgação da segunda leitura referente ao PIB americano no quarto trimestre de 2025.
- As estimativas dos investidores apontam para a manutenção do crescimento anualizado em 1,4% em relação a leitura anterior.
- As projeções para a primeira leitura apontavam para uma desaceleração da atividade econômica, com um crescimento anualizado de 2,8%. Contudo, no dia da divulgação, o indicador apontou para uma expansão de apenas 1,4%, gerando frustração entre os investidores.
- Caso o número se mantenha na segunda leitura, os sinais de desaquecimento da economia americana tendem a ser reforçados.
Mercado de trabalho: Investidores também acompanharão a pesquisa de abertura de vagas e turnovers (JOLTS) americana de janeiro, considerada a segunda mais importante divulgação para o mercado de trabalho do país.
- O dado mais recente do relatório, referente a dezembro, apontou para um recuo para 6,5 milhões no número de vagas de trabalho em aberto, o nível mais baixo desde 2020.
- Relacionando o número de vagas em aberto com o de desempregados, tem-se uma relação de 0,87, o que indicou a relação de menos vagas do que desempregados pelo segundo mês consecutivo.
De olho nas taxas de juros: Na ata referente à última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), a autoridade monetária sinalizou um posicionamento cauteloso em relação a novos cortes de juros, inclusive, com menção à possibilidade de novos aumentos na taxa básica caso a inflação permanece acima da meta de 2%.
- Diante disso, os indicadores da próxima semana, sobretudo o PCE, serão cruciais para a calibragem das expectativas a respeito da condução da política monetária.
- Ademais, as questões no Oriente Médio que impulsionam os preços do petróleo também são um ponto de atenção.
Inflação e dados de atividade no Brasil
Impacto esperado no USDBRL: altista
No Brasil, a agenda da semana também inclui importantes indicadores econômicos, que podem ajudar investidores a calibrarem suas expectativas sobre a magnitude do corte de juros na próxima reunião do Copom, no dia 18 de março.
- O destaque é o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) referente a fevereiro, que será divulgado na quinta-feira (12).
- Adicionalmente, ao longo da semana serão divulgadas as pesquisas mensais do setor de serviços (PMS) e comércio (PMC), importantes indicadores da atividade econômica.
Por que isso é importante: Em sua última reunião de política monetária, o Copom sinalizou que deve reduzir a taxa básica de juros (Selic) no encontro de março, com a magnitude da redução devendo depender do desempenho dos indicadores econômicos.
- Diante disso, sinais mais claros de desaceleração da inflação podem aumentar as apostas de um corte mais amplo por parte do Comitê. Isso, por sua vez, tende a prejudicar o rendimento de ativos domésticos e enfraquecer o real.
IPCA: De acordo com o Boletim Focus do Banco Central mais recente, a mediana das expectativas indica uma alta de 0,47% no índice cheio do mês, acima do avanço observado em fevereiro do ano passado, quando o IPCA registrou variação de 1,31%, o que deve reduzir a variação acumulada.
- Contudo, o dado mais recente de inflação, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), surpreendeu ao apontar alta de 0,84%, ante expectativas de 0,60%, o que aumentou a atenção sobre a estabilidade no nível de preços.

TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e StoneX cmdtyView.