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Panorama Semanal de Câmbio

By: Vitor Andrioli, Market Intelligence Manager - Brazil

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Câmbio deve refletir temores inflacionários globais, conflito no Oriente Médio e dados no Brasil

  • Aviso: A partir desta semana, a Agenda de Indicadores Econômicos passa a ser disponibilizada em formato de relatório interativo.

  • Nesse novo modelo, será possível acompanhar, de forma dinâmica, tanto as datas de divulgações anteriores quanto os lançamentos programados até o fim do ano.

  • Para acessar, clique no link.    

  • Altista
  • Comunicação dos principais bancos centrais, destacando possibilidade de juros globais mais altos devido ao conflito no Oriente Médio, aumenta a atratividade dos títulos das economias centrais e reduz o fluxo para emergentes, o que tende a pressionar o real.
  • Continuidade do conflito no Oriente Médio, com ataques a infraestrutura energética e risco persistente de interrupções no Estreito de Ormuz, mantém elevados os preços do petróleo e fortalece a aversão ao risco, ambiente que costuma desfavorecer moedas emergentes como o real.
  • Baixista
  • Divulgação da ata do Copom e do Relatório de Política Monetária pode reforçar uma postura mais cautelosa do Banco Central, sustentando os rendimentos domésticos e oferecendo suporte ao real.
  • Dados do IPCA‑15 e da PNAD podem mostrar inflação ainda alta no acumulado em 12 meses e um mercado de trabalho resiliente, reduzindo apostas de cortes agressivos e favorecendo o real na próxima semana.

Resumo da semana passada

  • Em meio ao cenário de forte volatilidade relacionado ao conflito no Oriente Médio, a semana foi marcada também pelas reuniões de política monetária dos principais bancos centrais globais.
  • Nos EUA, a decisão foi pela manutenção dos juros na faixa dos 3,50% a 3,75% ao ano, em linha com as expectativas. As Projeções Econômicas Sumarizadas (SEP) sugeriram um maior alinhamento entre os diretores do FOMC a favor de uma política monetária mais restritiva, o que contribuiu para o fortalecimento global do dólar.    
  • No Brasil, houve corte de 0,25 ponto percentual, reduzindo a taxa básica de juros de 15,00% para 14,75% ao ano. No comunicado após a decisão, a autoridade monetária não deu nenhum direcionamento futuro, apenas indicando que seguirá analisando novas informações que possam aumentar a clareza dos impactos inflacionários vindos do conflito no Oriente Médio.
  • As autoridades monetárias das outras potências econômicas, como Zona do Euro, Inglaterra e Japão, também mantiveram estáveis suas taxas de juros. Em seus comunicados, contudo, prevaleceu um tom cauteloso, sugerindo a possibilidade de um período maior de restrição monetária nas principais economias.

Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)

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Fonte: StoneX cmdtyView. Elaboração: StoneX.

Variações do dólar comercial

Diária: +1,84% | Semanal: -0,01% | Mensal: +3,56% | Anual: -2,86% | Em 12 meses: -6,27%

Variações do Dollar Index

Diária: +0,36% | Semanal: -0,90% | Mensal: +2,02% | Anual: +1,26% | Em 12 meses: -4,10%


O MAIS IMPORTANTE: Perspectiva de juros globais mais altos

Impacto esperado no USDBRL: altista 

Ao longo desta semana, os bancos centrais das principais economias realizaram suas reuniões de decisão de juros.

  • Em todos os comunicados, um ponto comum se destacou: os riscos inflacionários associados ao conflito no Oriente Médio foram reconhecidos como uma ameaça concreta à estabilidade de preços, motivando uma postura mais cautelosa quanto aos próximos passos das taxas de juros.

 

Por que isso é importante: A perspectiva de juros mais altos nas economias centrais, especialmente em um ambiente de forte incerteza internacional, tende a aumentar a atratividade dos títulos soberanos desses países.

  • Esse movimento tende a reduzir os fluxos para economias consideradas menos resilientes, como os emergentes, incluindo o Brasil, o que, por sua vez, pode pressionar negativamente o real.
  • Além disso, a perspectiva de juros globais mais elevados também contribuiu para a queda do ouro. O ativo, na semana que se encerra, já acumula desvalorização de mais de 10%, a maior queda desde a pandemia.  

 

Panorama: Na sessão da quinta-feira (19), por exemplo, a indicação de possível elevação dos juros pelo Banco da Inglaterra (BoE) desencadeou forte reação nos mercados e penalizou ativos considerados de maior risco, como o real. Posteriormente, o movimento perdeu força após o presidente do BoE afirmar que o mercado estaria atuando de forma precipitada ao precificar uma alta iminente, algo que, segundo ele, permanece apenas como uma possibilidade.

  • Ainda assim, as probabilidades de novos aumentos de juros em bancos centrais ao redor do mundo cresceram substancialmente, revertendo as expectativas que prevaleciam antes do início do conflito, quando as principais economias registravam desaceleração inflacionária.
  • O tema também foi mencionado pelo Banco Central brasileiro e parece ter sido um dos fatores que motivaram um início mais gradual do ciclo de cortes, com redução de 0,25 p.p. em vez de 0,50 p.p.
  • Ao mesmo tempo, parte considerável dos operadores já não esperam cortes de juros pelo Federal Reserve neste ano, enquanto os mercados futuros atribuem mais de 50% de probabilidade a uma alta pelo BoE no próximo mês. Fontes também indicam que o Banco Central Europeu poderá discutir aumentos já em abril, com chances semelhantes de aperto em junho.

 

Conflito no Oriente Médio

Impacto esperado no USDBRL: altista

O conflito no Oriente Médio segue sem sinais de conclusão, com crescente preocupação sobre a destruição de infraestrutura energética e a possibilidade de continuidade do fechamento do Estreito de Ormuz.

 

Por que isso é importante: A persistência do conflito mantém os mercados em estado de cautela elevada e reforça a volatilidade dos preços. Quanto mais prolongado for o impasse, maior tende a ser o risco de impactos inflacionários, inclusive de longo prazo, mesmo que haja uma eventual interrupção das hostilidades.

  • Um prolongamento do conflito também acende alertas para o mercado de fertilizantes, o que pode gerar impactos nas safras globais e pressionar a oferta e os preços de alimentos.

 

Trump reconhece impactos inflacionários do conflito: Nesta semana, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump manifestou preocupação com os efeitos inflacionários da guerra ao afirmar que solicitou a Israel que interrompa ataques contra a infraestrutura energética iraniana, enquanto o Irã segue retaliando contra instalações de países da região.

  • Os reflexos sobre a inflação nos Estados Unidos são especialmente sensíveis em um ano marcado por queda de aprovação e eleições parlamentares de meio de mandato.

 

Panorama: Nos últimos dias, o Irã passou a atacar instalações energéticas de países do Golfo Pérsico após o ataque israelense ao campo de South Pars, maior campo de produção de gás do mundo, compartilhado com o Catar.

  • No Kuwait, refinarias atingidas pegaram fogo.
  • Na Arábia Saudita, houve tentativas de ataque por drone e míssil contra uma refinaria, com interceptação do projétil.
  • No Catar, o Irã atacou o complexo industrial de Ras Laffan, maior centro de processamento e exportação de gás natural do mundo, que também registrou incêndios.
  • Nos Emirados Árabes, foram relatados destroços de mísseis interceptados caindo em território local.
  • Nesse ambiente, os preços do petróleo permanecem pressionados. Países europeus e o Japão afirmaram estar dispostos a contribuir para os esforços de reabertura do Estreito de Ormuz, embora ainda não haja detalhes práticos sobre como essas ações seriam conduzidas.

 

Ata do Copom e Relatório de Política Monetária

Impacto esperado no USDBRL: baixista

Após a decisão do Copom de reduzir a taxa básica de juros (Selic), os investidores devem permanecer atentos a duas divulgações que tendem a calibrar as expectativas sobre os próximos passos da política monetária.

  • Na terça‑feira (24), será publicada a ata da última reunião do Copom.
  • Já na quinta‑feira (26), o foco se volta ao Relatório de Política Monetária (RPM).

 

Por que isso é importante: A sinalização de que o Banco Central possa ser mais cauteloso na realização de novos cortes na Selic pode aumentar o rendimento dos títulos domésticos e favorecer a atração de capitais externos, o que tende a valorizar o real frente ao dólar.

 

Panorama: No comunicado divulgado após a decisão, a autoridade monetária reconheceu sinais de desaceleração da inflação e da atividade econômica, fatores que, em condições normais, sustentariam um processo mais claro de flexibilização monetária.

  • Entretanto, as incertezas relacionadas a uma possível reaceleração inflacionária decorrente do conflito no Oriente Médio foram destacadas como um ponto de atenção.
  • Nesse contexto, o comunicado não trouxe orientação futura (forward guidance), em linha com a prática atual do BC de evitar ruídos na comunicação. A única indicação explícita foi a de que novas informações serão continuamente incorporadas à avaliação do comitê.
  • Além disso, as projeções para o IPCA no fim de 2026 se afastaram do centro da meta, passando de 3,4% para 3,9%, reforçando que o Copom já considera potenciais riscos inflacionários em seu balanço.

 

O que são os relatórios?: A ata do Copom detalha as análises e discussões que orientaram a decisão do comitê, oferecendo maior transparência sobre os condicionantes da política monetária.

  • O RPM, por sua vez, apresenta uma avaliação mais ampla do ambiente macroeconômico doméstico e internacional, além de projeções para os principais indicadores da economia brasileira nos próximos anos.
  • O acompanhamento de ambos os documentos será importante para compreender a leitura do comitê sobre a conjuntura atual e os possíveis vetores que influenciarão suas próximas decisões.

 

IPCA-15 e dados de emprego

Impacto esperado no USDBRL: baixista

Na agenda de indicadores, os dados mais relevantes da semana serão divulgados no Brasil, com destaque para o Índice de Preços ao Consumidor 15 (IPCA‑15), que já deve antecipar possíveis impactos inflacionários decorrentes do conflito no Oriente Médio, e para a taxa de desemprego medida pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD).

  • Apesar de sinais recentes de desaceleração, a inflação segue demonstrando nível acima da meta do Banco Central, o que mantém a necessidade aperto monetário pelo BC.
  • Por outro lado, o mercado de trabalho tem mostrado sinais consistentes de resiliência, mesmo em um contexto de política monetária contracionista.

 

Por que isso é importante: Possíveis sinais de pressão inflacionária e a permanência de um patamar reduzido do desemprego tendem a reduzir as apostas em ciclo mais rápido de cortes de juros no Brasil, o que tende a elevar o rendimento dos títulos públicos e favorecer o real.

 

IPCA‑15: O indicador mede a variação dos preços do dia 16 de um mês ao dia 15 do mês seguinte. Assim, a leitura de março já deve refletir os primeiros impactos do conflito sobre os preços.

  • No dado mais recente do IPCA, os preços dos combustíveis para veículos recuaram 0,47%.

 

Mercado de trabalho: Apesar dos juros elevados, o mercado de trabalho segue resiliente, com a taxa de desemprego em 5,4%, próxima do menor nível já registrado na série histórica, de 5,1% em dezembro de 2025.

 

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TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e StoneX cmdtyView.
  • Moedas

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