O Relatório Trimestral de Perspectivas para Commodities já está disponível gratuitamente.  Faça seu download.  →

Logotipo da StoneX

Panorama Semanal de Câmbio

By: Vitor Andrioli, Market Intelligence Manager - Brazil

Banner Currencies

Câmbio deve ser influenciado pelas negociações entre EUA e Irã e pela divulgação de dados no Brasil, Estados Unidos e China

  • Aviso: Agenda de Indicadores Econômicos passou a ser disponibilizada em formato de relatório interativo.

  • Nesse novo modelo, será possível acompanhar, de forma dinâmica, tanto as datas de divulgações anteriores quanto os lançamentos programados até o fim do ano.

  • Para acessar, clique no link.    

  • Altista
  • Sinais de desaceleração econômica no Brasil através da divulgação de índices de atividade podem indicar possibilidade cortes de juros mais rápidos pelo Banco Central.
  • Dados de inflação ao produtor mais fortes nos EUA podem reduzir expectativa de um ciclo de cortes pelo Federal Reserve.
  • Dados possivelmente menores do que o esperado na China podem elevar aversão ao risco e impactar negativamente moedas de economias parceiras, como o real.
  • Baixista
  • Possibilidade de avanços no acordo de cessar-fogo entre EUA e Irã podem elevar apetite por risco ao longo da semana, o que pode seguir sendo positivo pro real.

Resumo da semana passada

  • O anúncio de um cessar-fogo de duas semanas no Oriente Médio retomou o apetite por risco dos investidores. Ainda assim, a trégua permanece frágil, com o estreito de Ormuz ainda fechado e EUA e Irã demonstrando pouca flexibilidade para alcançar um acordo durador.
  • Na agenda nacional, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de março indicou uma reaceleração inflacionária além do esperado, apesar da desaceleração do núcleo, o que sugere forte correlação entre o resultado e o conflito no Oriente Médio, vista a alta nos preços dos combustíveis.
  • Nos EUA, por outro lado, o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) de março e seu núcleo aceleraram abaixo das expectativas, trazendo certo alívio aos investidores. Contudo, o Índice de Despesas de Consumo Pessoal (PCE) acumulado até fevereiro - métrica favorita do Federal Reserve para o controle inflacionário - se mostrou resiliente no patamar de 2,8%, acima da meta.
  • Por fim, a leitura final do Produto Interno Bruto (PIB) americano indicou um crescimento anualizado de 0,5%. O indicador veio abaixo das expectativas após sucessivas revisões baixistas a partir a partir da leitura inicial de 1,4%, reforçando a tese de perda de fôlego da atividade econômica no país.

Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)

image 129655

Fonte: StoneX cmdtyView. Elaboração: StoneX.

Variações do dólar comercial

Diária: -1,10% | Semanal: -3,01% | Mensal: -3,33% | Anual: -8,55% | Em 12 meses: -15,10%

Variações do Dollar Index

Diária: -0,12% | Semanal: -1,36% | Mensal: -1,14% | Anual: +0,36% | Em 12 meses: -2,45%


O MAIS IMPORTANTE: Negociações entre EUA e Irã

Impacto esperado no USDBRL: baixista

A atenção dos investidores se concentra no encontro previsto para este sábado (11) entre autoridades dos Estados Unidos e do Irã, a ser realizado no Paquistão.

  • A reunião tem como objetivo avançar rumo a um eventual acordo de paz definitivo, em sequência ao cessar‑fogo de duas semanas atualmente em vigor.
  • As tratativas envolvem pontos sensíveis para ambas as partes. Do lado americano, as principais exigências incluem limites mais rígidos ao programa nuclear iraniano, a interrupção do apoio a grupos armados na região e a reabertura do Estreito de Ormuz.
  • O Irã, por sua vez, condiciona qualquer avanço a garantias formais de segurança, ao reconhecimento do direito ao enriquecimento de urânio, ao encerramento de ataques ao Líbano e à manutenção de algum grau de controle sobre o Estreito de Ormuz.
  • Diante da rigidez das posições e da assimetria das demandas, o risco de impasses relevantes permanece elevado. Esse risco é reforçado pela continuidade de ações militares israelenses no Líbano, que introduzem incerteza adicional quanto à abrangência e à sustentabilidade de um eventual acordo mais amplo entre Washington e Teerã.
  • Atualizações relacionadas a esse primeiro encontro tendem a exercer papel central na formação do sentimento dos investidores na abertura dos mercados na próxima semana.

 

Por que isso é importante: O cessar‑fogo vigente, ainda que de natureza temporária, contribuiu para uma redução da percepção de risco geopolítico nos mercados financeiros globais, favorecendo a recomposição do apetite por risco por parte dos investidores. Esse ambiente tem sustentado fluxos direcionados a ativos considerados mais sensíveis ao risco, como moedas e ações de economias emergentes, incluindo o real brasileiro.

  • Nesse sentido, sinais concretos de avanço nas negociações tendem a reforçar a manutenção desse cenário mais positivo para moedas emergentes, com potencial de atrair fluxos externos adicionais para o Brasil.
  • Por outro lado, eventuais sinais de deterioração das conversas ou de retomada do conflito armado podem rapidamente reverter esse movimento, levando a uma recomposição defensiva dos portfólios globais, com fortalecimento de ativos porto‑seguro e de maior liquidez, como o dólar.

 

Mais detalhes: Menos de 24 horas após o anúncio do cessar‑fogo, foram registrados novos ataques israelenses ao Líbano, gerando divergências entre as partes quanto à inclusão — ou não — do território libanês dentro dos termos do acordo.

  • O Irã classificou os ataques como uma violação do cessar‑fogo e respondeu retomando o bloqueio do Estreito de Ormuz, reinstalando restrições sobre uma das principais rotas globais de transporte de petróleo e gás natural.
  • Enquanto lideranças dos Estados Unidos e de Israel afirmaram que o Líbano não fazia parte do acordo original, representantes do Irã e do Paquistão sustentaram que essa inclusão estaria explicitamente prevista.
  • Adicionalmente, nesta sexta‑feira (10), o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, declarou que a realização das conversas de sábado depende do cumprimento prévio de duas condições: a implementação de um cessar‑fogo no Líbano e a liberação de ativos iranianos atualmente bloqueados no exterior.

 

Variação semanal de ativos e moedas selecionadas - 03 a 10 de abril

image 129656

Fonte: StoneX cmdtyView. Elaboração: StoneX.

 

Atividade econômica no Brasil

Impacto esperado no USDBRL: altista

Na próxima semana, será divulgado o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC‑Br), frequentemente interpretado como uma prévia do PIB.

  • O indicador deve auxiliar os investidores na avaliação das perspectivas para o ritmo de crescimento da economia brasileira, o que pode ter impactos para a condução dos juros realizada pelo Banco Central

 

Por que isso é importante: Sinais de perda de fôlego da atividade econômica nacional podem reforçar as expectativas de flexibilização monetária por parte do Comitê de Política Monetária (Copom).

  • Esse movimento, caso se consolide, pode exercer pressão depreciativa sobre o real, especialmente em um contexto global de elevada sensibilidade aos diferenciais de juros.

 

Dados anteriores: A divulgação mais recente do PIB, referente ao quarto trimestre, corroborou a desaceleração sugerida pelas leituras do IBC‑Br em leituras anteriores.

  • Em janeiro, o IBC‑Br avançou 0,8%, resultado levemente abaixo das expectativas de mercado, mas ainda compatível com uma recuperação pontual da atividade no início do ano.

Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br)

image 129657

Fonte: Banco Central. Elaboração: StoneX.

Índice de preços ao produtor nos EUA 

Impacto esperado no USDBRL: altista

Nos Estados Unidos, será divulgado o Índice de Preços ao Produtor (PPI) de março, que deve capturar os primeiros impactos do conflito no Oriente Médio sobre os custos enfrentados pelos produtores e sinalizar eventuais pressões inflacionárias futuras ao consumidor.

  • Além do encarecimento das commodities energéticas observado nas últimas semanas, o indicador também deve refletir mudanças recentes na política tarifária americana.
  • Vale lembrar que, no fim de fevereiro, a Suprema Corte dos EUA considerou ilegais as tarifas amplas anteriormente impostas por Donald Trump. Em resposta, o governo implementou uma nova tarifa global de 10% sobre as importações.

 

Por que isso é importante: Sinalizações de aceleração dos preços ao produtor elevam a atenção do mercado para a possibilidade de repasses de custos ao consumidor final, o que pode dificultar o processo de desinflação, diminuir apostas de cortes de juros e sustentar a trajetória do dólar nos próximos meses.

 

Dados anteriores: Em fevereiro, o PPI da demanda final, que mensura a variação dos preços no estágio final da cadeia produtiva, registrou alta de 0,7% no mês, acima das estimativas, levando a inflação acumulada em 12 meses para 3,9%.

  • O núcleo do indicador, que exclui itens mais voláteis como alimentos e energia, apresentou altas de 0,5% no mês e de 3,9% na comparação anual, reforçando a percepção de pressões inflacionárias relativamente disseminadas.

 

Índice de preços ao produtor (PPI) dos Estados Unidos – variação em 12 meses (%)

image 129658

Fonte: Census. Elaboração: StoneX.

Dados econômicos da China

Impacto esperado: altista

Na próxima semana, os mercados globais também devem acompanhar a divulgação de importantes indicadores da economia chinesa, com destaque para a balança comercial de março, na terça‑feira (09), e o PIB do primeiro trimestre de 2026, na quinta‑feira (11).

 

Por que isso é importante: Indicadores abaixo do esperado para a economia chinesa podem elevar a aversão ao risco em escala global, dada a relevância do país como a segunda maior economia do mundo e como eixo central das cadeias produtivas internacionais.

  • Uma leitura mais fraca tende a gerar reprecificação negativa de ativos de risco, especialmente aqueles ligados ao ciclo global de crescimento.
  • Esse efeito costuma ser particularmente adverso para moedas e ativos de países fortemente integrados ao comércio com a China, como o Brasil, podendo atuar como fator altista para a próxima semana.

 

Balança comercial chinesa: O consenso do mercado aponta para uma moderação relevante do superávit em relação ao patamar excepcional observado no acumulado de janeiro e fevereiro. As estimativas indicam um saldo em torno de US$ 110 bilhões, ante US$ 213,6 bilhões no período anterior.

  • As exportações devem seguir como principal vetor de sustentação, embora a taxa de crescimento anual tenda a arrefecer após o avanço expressivo registrado no início do ano. As importações, por sua vez, devem permanecer relativamente sustentadas, refletindo esforços do governo para estimular a demanda doméstica e promover um reequilíbrio da estrutura de crescimento.
  • Diversos fatores devem influenciar a leitura de março. As tensões geopolíticas no Oriente Médio, em especial os riscos associados a cadeias logísticas globais e ao Estreito de Ormuz, podem ter elevado a volatilidade no comércio internacional. Além disso, a suspensão temporária de algumas tarifas americanas pode ter incentivado a antecipação de embarques. Por outro lado, a continuidade do bom desempenho das exportações de veículos elétricos tende a sustentar o resultado externo. A valorização do petróleo em março, por sua vez, provavelmente elevou o valor das importações, contribuindo para a redução do superávit comercial.

 

PIB da China: Em relação ao PIB, o consenso aponta para um crescimento de aproximadamente 4,8% na comparação anual no primeiro trimestre. Alguns indicadores antecedentes, no entanto, sugerem risco altista, com projeções que alcançam a faixa entre 5,0% e 5,5%, após um início de ano relativamente robusto.

  • A produção industrial tende a permanecer resiliente, após o crescimento observado no início do ano, enquanto a taxa de desemprego deve se manter próxima de 5,3%, dentro do limite implícito estabelecido pelo governo. A divulgação será particularmente relevante para avaliar se o impulso observado no começo de 2026 se sustenta além dos efeitos sazonais associados ao Ano Novo Lunar.
  • O setor manufatureiro e as exportações continuam figurando como principais pilares de sustentação da atividade. Em contrapartida, o setor imobiliário segue como um ponto de fragilidade estrutural, com o investimento em desenvolvimento imobiliário apresentando quedas expressivas, o que limita a recuperação do investimento em ativos fixos.

 

Produto Interno Bruto (PIB) da China – anualizado (%)

image 129660

Fonte: NBS. Elaboração: StoneX.

 

image 71959

TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

image 129661

Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e StoneX cmdtyView.
  • Moedas

Este documento contém opiniões do autor e não necessariamente reflete as estratégias da StoneX. As previsões de mercado são especulativas e podem variar. O investidor é responsável por qualquer decisão baseada neste material. A StoneX só negocia com clientes que atendem aos critérios legais. O aviso legal completo está em https://www.stonex.com/pt-br/termos-e-condicoes/.

É proibida a cópia ou redistribuição deste material sem permissão da StoneX.

© 2026 StoneX Group, Inc.

Vista por satélite da Terra à noite mostrando cidades iluminadas na Ásia e no Oriente Médio

Descubra mais insights

Nossos assinantes têm acesso às análises de mercado da StoneX, abrangendo commodities, ações, moedas e muito mais.

Abrimos mercados

Utilizamos nosso capital, conhecimento e profunda experiência para proteger as margens de nossos clientes, reduzir custos e fornecer soluções personalizadas para obter sucesso nos mercados globais competitivos de hoje.

Confiança

Valorizamos relacionamentos próximos e de longo prazo com nossos clientes. Ao oferecer o melhor serviço e suporte tecnológico, nossos clientes confiam em nós para entrar nos mercados mais desafiadores e atender aos seus pedidos mais difíceis.

Transparência

Oferecemos preços competitivos e transparentes, além de entrega garantida e segura em mais de 140 moedas em mais de 185 países.

Especialização

Com insights e informações de todo o mundo, fornecemos aos nossos clientes notícias, dados e comentários agregados de todas as vertentes de nossos mercados, desde interconexões de complexos de commodities até fluxos globais de capital.