
Dólar deve refletir negociações no Oriente Médio, inflação americana e encontro entre Trump e Xi
- Altista
- Inflação ao consumidor nos Estados Unidos pode reforçar a percepção de pressões inflacionárias persistentes, reduzindo as apostas de cortes de juros pelo Federal Reserve e favorecendo o fortalecimento global do dólar.
- Baixista
- Possível avanço diplomático entre EUA e Irã tende a reduzir a percepção de risco geopolítico e aliviar os preços do petróleo, favorecendo ativos de maior risco, como o real.
- Encontro entre Donald Trump e Xi Jinping pode abrir espaço para redução das tensões comerciais e geopolíticas entre EUA e China, elevando o apetite global por risco e beneficiando moedas emergentes.
- Inflação brasileira mais elevada em abril pode diminuir expectativas para o ritmo de cortes da Selic.
Resumo da semana passada
- Apesar de novos episódios de confronto noticiados entre forças dos Estados Unidos e do Irã no Golfo, o presidente Donald Trump afirmou que o acordo de cessar-fogo segue vigente. Ainda que as tensões recentes tenham reduzido as apostas em uma resolução diplomática rápida, os mercados parecem incorporar a leitura de que há espaço para avanço nas negociações, com possível normalização gradual do fluxo pelo Estreito de Ormuz nas próximas semanas.
- No Brasil, o encontro entre Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva também foi monitorado pelos investidores. A reunião, classificada como “muito boa” pelo presidente americano, pode ter contribuído para limitar a deterioração do real, que apresentou desempenho relativamente superior ao de outras moedas globais. Segundo Trump, a conversa abordou diferentes temas, incluindo comércio e tarifas.
- Investidores também repercutiram a divulgação de indicadores importantes para a economia americana, em particular o Relatório da Situação do Emprego de abril. A economia dos EUA criou 115 mil vagas no mês, acima da mediana das estimativas, de 73 mil, embora abaixo do resultado de março. O dado reforçou a percepção de resiliência do mercado de trabalho americano, o que tende a reduzir o espaço para cortes de juros pelo Federal Reserve no curto prazo.
Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)

Fonte: StoneX cmdtyView. Elaboração: StoneX.
Variações do dólar comercial
Diária: -0,62% | Semanal: -1,30% | Mensal: -1,30% | Anual: -10,72% | Em 12 meses: -13,63%
Variações do dollar index
Diária: -0,28% | Semanal: -0,17% | Mensal: -0,17% | Anual: -0,44% | Em 12 meses: -2,73%
O MAIS IMPORTANTE: Possível avanço diplomático entre EUA e Irã
Impacto esperado na taxa de câmbio do real: baixista
Apesar de novos episódios de confronto noticiados entre forças dos Estados Unidos e do Irã no Golfo nesta semana, o presidente Donald Trump afirmou na quinta-feira (07) que o acordo de cessar-fogo segue vigente, ainda que as tensões recentes tenham reduzido as apostas em uma resolução diplomática rápida.
- A nova escalada ocorre enquanto Washington aguarda a resposta de Teerã a uma proposta americana para encerrar o conflito, iniciado em 28 de fevereiro com ataques conduzidos por Estados Unidos e Israel.
- Trump afirmou que três destróieres da Marinha americana foram alvo de ataques ao atravessar o Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde transita cerca de um quinto do fluxo global de petróleo e gás natural liquefeito, atualmente com circulação bastante restrita.
- Posteriormente, o presidente minimizou os episódios, reiterando que o cessar-fogo permanece em vigor.
- Já o governo iraniano acusa os Estados Unidos de violar o acordo, que vem sendo marcado por episódios recorrentes de instabilidade desde seu anúncio, em 7 de abril.
- Ainda nesta sexta-feira, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que os Estados Unidos aguardavam uma resposta do Irã à proposta de encerramento do conflito, acrescentando esperar que a contraproposta fosse “séria”.
- Nesse contexto, a evolução das tratativas diplomáticas deve permanecer como um dos principais determinantes do sentimento dos investidores ao longo da próxima semana.
Por que isso é importante: Os mercados parecem incorporar a leitura de que o cessar-fogo ainda se sustenta e que há espaço para avanço nas negociações diplomáticas, com possível normalização gradual do fluxo pelo Estreito de Ormuz.
- Esse cenário pressionou os preços futuros do petróleo e o dólar na última sessão da semana, ao mesmo tempo em que favoreceu ativos de maior risco, criando um ambiente potencialmente mais benigno para o real ao longo da próxima semana caso as tratativas avancem.
- Por outro lado, cabe destacar que o cenário permanece frágil. Novos confrontos, uma resposta negativa de Teerã ou sinais de deterioração das negociações podem rapidamente recompor os prêmios de risco, pressionar os preços do petróleo e favorecer uma nova busca por proteção no dólar.
Navios cruzando o Estreito de Ormuz em 2026

Fonte: PortWatch, IEA, MarineTraffic. Elaboração: StoneX.
Inflação ao consumidor nos Estados Unidos
Impacto esperado na taxa de câmbio do real: altista
Na próxima semana, os investidores devem repercutir a divulgação dos dados de inflação ao consumidor nos Estados Unidos referentes a abril. A expectativa é de uma nova leitura mais forte do índice, como reflexo da alta recente dos preços de energia e a resiliência do mercado de trabalho americano.
- As estimativas medianas projetam alta de 0,45% do CPI cheio em abril, enquanto o núcleo do indicador deve avançar 0,21%. Em termos anuais, as estimativas indicam inflação cheia de 3,56% e núcleo de 2,56%, sugerindo que as pressões de preços seguem relevantes, sobretudo no componente cheio, mais sensível à energia.
Por que isso é importante: Uma inflação mais elevada nos Estados Unidos tende a reduzir a probabilidade de cortes de juros pelo Federal Reserve no curto prazo.
- Esse cenário favorece o rendimento dos títulos do Tesouro americano e amplia a atratividade relativa dos ativos denominados em dólar.
- Nesse contexto, sinais de persistência inflacionária podem fortalecer o dólar em nível global e pressionar moedas emergentes, como o real.
- A leitura também ganha relevância porque o mercado de trabalho americano segue relativamente resiliente, reduzindo a urgência para uma flexibilização monetária em um ambiente de inflação ainda acima da meta.
Atenção do Fed: Na última decisão do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), o Federal Reserve manteve os juros estáveis, mas o comunicado trouxe sinais de maior preocupação com a inflação.
- A substituição da avaliação de que a inflação permanecia “um pouco elevada” por uma formulação mais direta, indicando inflação “elevada”, foi interpretada como uma inclinação mais cautelosa da autoridade monetária.
- Dessa forma, uma nova surpresa altista no CPI poderia reforçar a leitura de que o Fed deve manter os juros em patamar restritivo por mais tempo.
- Por outro lado, uma leitura mais benigna poderia reduzir parte da pressão sobre os Treasuries e limitar o fortalecimento global do dólar.
Índices de inflação dos EUA - acumulado em 12 meses (%)

Fonte: StoneX CmdtyView. Elaboração: StoneX.
Encontro entre Xi Jinping e Trump
Impacto esperado na taxa de câmbio do real: baixista
Os mercados também devem acompanhar o encontro entre Donald Trump e Xi Jinping, previsto para os dias 14 e 15 de maio, em Pequim.
- A reunião deve abordar temas como conflito no Oriente Médio, relações comerciais, Taiwan, inteligência artificial, agricultura e compras chinesas de petróleo, em um momento de elevada sensibilidade geopolítica e comercial.
- A agenda ganha importância porque tanto Estados Unidos quanto China sinalizaram interesse em reduzir incertezas antes do encontro, especialmente no que diz respeito ao conflito entre EUA e Irã.
- Ainda assim, o cenário permanece complexo, uma vez que Washington tem pressionado Pequim em relação à compra de petróleo iraniano e ao cumprimento de sanções americanas.
Por que isso é importante: A possibilidade de avanços na relação entre EUA e China tende a elevar o apetite global por risco.
- Em particular, qualquer sinalização de redução das tensões comerciais, maior coordenação diplomática no Oriente Médio ou menor risco de escalada entre as duas maiores economias do mundo pode favorecer ativos de economias emergentes.
- Para o real, esse ambiente tende a ser positivo, uma vez que melhora as condições para fluxos direcionados a mercados de maior risco e reduz a demanda global por proteção em dólar.
- Além disso, uma eventual cooperação entre Washington e Pequim no tema iraniano poderia contribuir para reduzir a percepção de risco sobre o petróleo, reforçando o canal baixista para o USDBRL.
O que observar: A reunião deve ser acompanhada em três frentes principais. A primeira diz respeito ao conflito no Oriente Médio, especialmente a possibilidade de a China atuar como vetor de pressão sobre o Irã.
- A segunda envolve as relações comerciais entre EUA e China, com atenção para eventuais compromissos envolvendo agricultura, tecnologia e sanções.
- A terceira se refere ao tom político do encontro, que pode indicar se a relação bilateral caminha para estabilização ou para nova rodada de atritos.
- Ainda que a expectativa por diálogo seja positiva para o sentimento de mercado, avanços concretos não são garantidos. Caso a reunião resulte apenas em sinalizações genéricas ou exponha divergências adicionais, o efeito positivo sobre moedas emergentes pode ser limitado.
Inflação ao consumidor no Brasil
Impacto esperado na taxa de câmbio do real: baixista
Na agenda nacional, o dado mais relevante da próxima semana será o Índice de Preços ao Consumidor (IPCA), que deve apresentar possíveis impactos inflacionários após um mês de conflito no Oriente Médio.
- Apesar de sinais recentes de desaceleração inflacionária, a inflação segue demonstrando nível acima da meta do Banco Central, o que mantém a necessidade de cautela por parte do Banco Central, sobretudo no atual contexto internacional.
Por que isso é importante: Sinais de reaceleração inflacionária tendem a reduzir as apostas de ciclo mais intenso de cortes de juros no Brasil, o que tende a favorecer o rendimento dos títulos públicos e pode favorecer o real globalmente.
Expectativas para o IPCA acumulado ao final do ano (%)

Fonte: IBGE e Banco Central. Elaboração: StoneX,

TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e StoneX cmdtyView.