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Panorama Semanal de Câmbio

By: Leonel Mattos, Market Intelligence Analyst • BRAZIL PRS

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Dólar deve refletir dados inflacionários no Brasil e nos EUA, ata do Copom, incertezas geopolíticas no Oriente Médio e cenário eleitoral brasileiro

  • Altista
  • A divulgação da ata do Copom pode reforçar a expectativa de novos cortes à taxa Selic mesmo diante de um quadro inflacionário desafiador, reduzindo a atratividade de títulos nacionais e enfraquecendo o real.
  • A leitura mais aquecida para o índice PCE de junho deve reforçar as expectativas de juros americanos mais altos por mais tempo, favorecendo a rentabilidade dos títulos americanos e fortalecendo o dólar globalmente.
  • Preocupações com a sustentação do acordo provisório entre EUA e Irã tendem a elevar a percepção de riscos geopolíticos de investidores, prejudicando o desempenho de ativos considerados arriscados, como o real.
  • Baixista
  • Notícias do suposto envolvimento de integrantes da base do governo no Congresso com o Banco Master podem prejudicar as intenções de votos para Luiz Inácio Lula da Silva e diminuir a percepção de riscos políticos de ativos nacionais, fortalecendo o real.

Resumo da semana passada

  • Estados Unidos e Irã assinam acordo para permitir cessar-fogo por 60 dias e reabrir a navegação no Estreito de Ormuz, embora novos conflitos entre Israel e Líbano tenha trazido insegurança quanto à sua sustentação.
  • Federal Reserve surpreende ao adotar postura firme contra a inflação e apontar para a possibilidade de altas de juros ainda em 2026.
  • Banco Central do Brasil surpreende ao sugerir novos cortes à taxa básica de juros (Selic) mesmo com piora nas estimativas de inflação.

Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)

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Fonte: StoneX cmdtyView. Elaboração: StoneX.

Variações do dólar comercial | Diária: -0,30% | Semanal: +1,89% | Mensal: +2,20% | Anual: -5,80% | Em 12 meses: -6,22%

Variações do dollar index | Diária: -0,09% | Semanal: +0,96% | Mensal: +1,86% | Anual: +2,45% | Em 12 meses: +1,85%

O MAIS IMPORTANTE: Ata do Copom e RPM

Impacto esperado na taxa de câmbio do real: altista

Brasil: Histórico e expectativa para a taxa de juros – boletim Focus de 12 de junho de 2026

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Fonte: Banco Central do Brasil. Elaboração: StoneX.

O mercado de divisas deve repercutir a divulgação da ata da última decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), que foi mal-recebida por investidores ao sugerir a continuidade do ciclo de cortes à taxa básica de juros (Selic) mesmo diante do aumento das expectativas inflacionárias.

 

Por que isso é importante: A sinalização de continuidade do ciclo de cortes ocorre em um contexto de inflação persistentemente acima da meta e de uma postura mais agressiva pelo Federal Reserve.

  • Isso, por sua vez, ao mesmo tempo reduz as expectativas para a Selic enquanto as expectativas para os juros americanos aumentam, prejudicando o diferencial de juros brasileiro e diminuindo a atratividade dos títulos nacionais, desvalorizando o real.

 

Contradições: A ata da decisão poderá trazer mais detalhes sobre contradições aparentes no Comunicado que geraram ruídos entre investidores.

  • Por um lado, o Copom reduziu a taxa básica de juros (Selic) em 0,25 p.p. pela terceira vez consecutiva, para 14,25% ao ano, conforme era majoritariamente antecipado pelos agentes do mercado financeiro.
  • Além disso, o Comunicado sugeriu a continuidade do ciclo de cortes à taxa Selic, ao afirmar que “a magnitude total do ciclo de calibração [cortes] será estabelecida à luz de novas informações”.
  • Por outro lado, o Comitê sinalizou que as estimativas de inflação continuavam se elevando no “horizonte relevante” de política monetária, e tornou o balanço de riscos inflacionário mais altista ao adicionar que “estímulos à demanda” podem gerar maior pressão sobre os preços.

 

Horizonte alongado: O comunicado também foi mal-recebido ao mencionar o primeiro trimestre de 2028 como “alternativa” para o horizonte relevante da política monetária, um trimestre a mais do que o habitualmente usado pelo Copom.

  • Isto foi interpretado como um “improviso” para justificar novos cortes à taxa Selic.
  • As simulações do BC apontam para uma inflação dentro da meta apenas para o primeiro trimestre de 2028.
  • Para o quarto trimestre de 2027, horizonte que seria relevante pelos padrões anteriores, a expectativa para o IPCA subiu de 3,5% para 3,7%.
  • A intenção do BC parece ter sido sinalizar que não era necessário um nível mais restritivo de juros nesse momento, pois parte importante da pressão inflacionária seria resultante de choques de oferta e se antecipava a convergência da inflação um pouco adiante do prazo habitual.
  • Porém, o fato é que essa “alternativa” gerou questionamentos à credibilidade do BC na busca pela estabilização de preços e piorou a percepção de riscos de ativos nacionais.

 

Relatório de Política Monetária (RPM): Nesse contexto de ruído e questionamentos à credibilidade do BC, investidores também devem acompanhar a divulgação do RPM de junho, a análise mais abrangente do Banco Central sobre o ambiente macroeconômico doméstico e internacional e que inclui projeções para os principais indicadores macroeconômicos brasileiros para os próximos anos.

  • Em particular, investidores estarão atentos às projeções para inflação em meio à discussão sobre o alongamento do horizonte relevante para a política monetária.

 

IPCA-15: Em meio às atenções para a política monetária brasileira, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de junho deve reforçar a percepção de uma piora na dinâmica inflacionária do país.

  • A mediana das estimativas aponta para uma alta de 0,7% do indicador em junho, após crescimento de 0,62% em maio, impulsionada principalmente pela alta dos preços de alimentos.
  • O núcleo do IPCA-15, que exclui do cálculo os componentes voláteis de alimentação e energia, deve se manter na faixa entre 0,4% e 0,5%, sugerindo uma pressão inflacionária mais disseminada e persistente, particularmente no segmento de serviços.

Dados econômicos americanos

Impacto esperado na taxa de câmbio do real: altista

EUA: Histórico e expectativa para a taxa de juros – atualizado em 19 de junho de 2026

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Fonte: CME FedWatch Tool. Elaboração: StoneX.   Refere-se à aposta com maior probabilidade no mercado futuro de juros na data indicada.

Investidores também devem reagir à divulgação de dados econômicos americanos, em particular ao Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal (PCE) de maio, métrica utilizada pelo Federal Reserve para acompanhar a inflação no país.

  • A mediana das estimativas aponta para uma nova alta mensal de 0,4% do indicador, porém aceleração de seu núcleo, que exclui do cálculo os componentes voláteis de alimentação e energia, de 0,2% em maio para 0,3% em junho.
  • Essa aceleração deve ser resultado de preços mais altos para tarifas aéreas, custos de saúde e taxas de administração financeira.
  • A renda pessoal deve ter se expandido em 0,4% no mês, impulsionada por um bom desempenho do mercado de trabalho, sustentando um crescimento de 0,6% no consumo pessoal.

 

Por que isso é importante: A leitura mais aquecida da inflação no país deve consolidar as expectativas por juros mais altos por mais tempo no país.

  • Isto, por sua vez, tende a elevar o rendimento dos títulos do Tesouro americano (Treasuries) e favorecer a atração de capitais externos, fortalecendo o dólar globalmente.

 

Tom firme do Fed: Na semana passada, o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) manteve sua taxa básica de juros inalterada no intervalo entre 3,50% e 3,75% a.a. e surpreendeu os agentes do mercado financeiro tanto pelo número de integrantes do Comitê que antecipavam novas altas de juros ainda em 2026 como pela postura firme de Kevin Warsh na defesa da estabilidade de preços.

  • Isso resultou no aumento das apostas de alta para os juros americanos ao sugerir que o Fed deve priorizar o combate inflacionário no curto prazo, o que impulsionou o dollar index (DXY), índice que busca medir a força global do dólar, ao maior patamar em mais de um ano.

 

Primeira reunião de Warsh na presidência do Fed: Outro ponto de destaque foram as declarações do novo presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, que indicaram possíveis mudanças na estrutura da autoridade monetária.

  • Warsh anunciou a criação de cinco forças-tarefas para temas “essenciais” para a condução da política monetária, a saber, comunicação, balanço patrimonial, dependência de fontes de dados, produtividade e empregos e estruturas de análise da inflação.
  • Warsh acredita que essas forças-tarefas provavelmente devem fazer suas sugestões finais antes do fim do ano.
  • Além disso, o Comunicado da decisão foi encurtado e removeu qualquer menção sobre expectativas futuras pelo Comitê. Segundo o presidente, “não é apropriado” para um Banco Central oferecer “foward guidance”, ou seja, guias sobre como ele antecipa que a conjuntura econômica evoluirá.
  • Por fim, a expectativa era de que o nome indicado por Donald Trump fosse mais alinhado com as ideias do presidente a favor de cortes de juros. Ainda é cedo para tomar conclusões, mas suas primeiras declarações sinalizaram um tom mais firme contra inflação (“hawkish”), do que flexível (“dovish”).

Desentendimentos no Oriente Médio

Impacto esperado na taxa de câmbio do real: altista

A falta de consenso entre EUA, Irã e Israel segue gerando incerteza nos mercados financeiros, gerando dúvidas a respeito da viabilidade do memorando de entendimento assinado entre EUA e Irã no início da semana.

  • No caso, Israel se recusa a desocupar o sul do Líbano e continua entrando em confronto com militantes do Hezbollah, descumprindo uma das condições previstas pelo acordo.
  • Como consequência dos entraves entre os países, a reunião de negociação, prevista para a última sexta-feira (19) foi cancelada.

 

Por que isso é importante: Preocupações com a sustentação do acordo provisório entre EUA, Israel e Irã tendem a elevar a percepção de riscos geopolíticos de investidores, prejudicando o desempenho de ativos considerados arriscados, como o real.

 

Em detalhes: O Memorando de Entendimento assinado na semana passada previa a suspensão dos confrontos militares em todas as frentes, incluindo o Líbano, por 60 dias, enquanto os países seguiriam negociando outros temas mais complexos, como o programa nuclear iraniano e um acordo de paz permanente.

  • Contudo, Israel afirmou que não foi parte desse acordo e manteve sua ocupação no sul do Líbano, continuando seus confrontos com os militantes do Hezbollah.
  • Adicionalmente, o Irã anunciou que passará a “controlar” o Estreito de Ormuz em parceria com Omã após o término dos 60 dias do cessar-fogo, desafiando uma das demandas mais firmes dos Estados Unidos.

 

Estreito de Ormuz: Por conta da retomada das tensões no Oriente Médio, foi noticiada a redução do tráfego pelo Estreito de Ormuz, apenas um dia depois de relatos de retomada gradual dos fluxos na região.

  • Investidores temem que os países não cheguem a um acordo dentro do período de 60 dias estabelecido pelo Memorando de Entendimento.
  • Dessa forma, sinais de que os países não estão próximos de uma resolução duradoura podem aumentar os preços do petróleo, sustentando as pressões inflacionárias globais.

Cenário político e eleitoral brasileiro

Impacto esperado na taxa de câmbio do real: baixista

O líder do governo no Senado, Jaques Wagner, foi alvo de operações da Polícia Federal (PF) na nova etapa da Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema ilícito de fraudes envolvendo o Banco Master.

 

Por que isso é importante: Investidores se mostram cada vez mais sensíveis à aproximação das eleições presidenciais de outubro, reagindo com intensidade ao noticiário político brasileiro.

  • Na prática, as reações recentes dos agentes do mercado financeiro revelam uma preferência pela eleição de um novo presidente, que poderia ser mais conservador em sua política fiscal.
  • Por isso, a acusação de supostas irregularidades contra integrantes da base do governo no Congresso poderia prejudicar as intenções de votos para Luiz Inácio Lula da Silva e diminuir a percepção de riscos políticos de ativos nacionais, fortalecendo o real.

 

Em detalhes: O senador foi apontado pelas investigações como beneficiário de supostas vantagens econômicas em troca de apoio por medidas no Congresso que favoreceriam o Banco Master.

  • A PF afirma que uma empresa “associada ao núcleo familiar de Jaques Wagner” teria recebido R$ 3,5 milhões de uma “pessoa jurídica vinculada ao núcleo de Augusto Ferreira Lima”, ex-sócio do Banco Master.
  • Além disso, também é investigado um suposto recebimento de um imóvel como pagamento de propina, envolvendo os dois nomes citados.
  • O parlamentar negou as acusações e afirmou que nunca recebeu recursos do Banco Master.

 

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TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e StoneX cmdtyView.
  • Moedas

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