
Dólar deve refletir decisão de juros do FOMC, dados econômicos dos EUA e Brasil, Oriente Médio e PTAX do fim do mês
- Altista
- A expectativa de uma postura mais cautelosa pelo Federal Reserve deve reforçar as apostas de juros elevados por mais tempo no país, favorecendo a atração de capitais e, consequentemente, fortalecendo o dólar globalmente.
- O conflito no Oriente Médio e a falta de avanços diplomáticos entre EUA e Irã elevam a incerteza geopolítica, o que leva investidores a buscarem ativos considerados seguros, como o dólar americano e os títulos do Tesouro dos Estados Unidos.
- Baixista
- Sinais de desaceleração inflacionária nos EUA devem reduzir as apostas de altas de juros no curto prazo, o que tende a reduzir a atração de capitais e enfraquecer o dólar globalmente.
- Sinais de reaceleração da inflação doméstica tendem a reduzir as apostas de manutenção do ciclo de cortes de juros, o que deve elevar os rendimentos dos títulos públicos domésticos e fortalecer o real globalmente.
Resumo da semana passada
- Sem indicadores relevantes na semana, o noticiário geopolítico foi o principal fator de volatilidade no mercado de divisas.
- A escalada do conflito no Oriente Médio e o fechamento do Estreito de Bab el-Mandeb, no Mar Vermelho, levaram o petróleo a se aproximar dos US$ 100/barril, reacendendo temores inflacionários globais e elevando a aversão a risco.
- Novas tarifas americanas sobre produtos brasileiros entraram em vigor ao longo da semana, elevando a alíquota total a 37,5%, com a expiração simultânea da tarifa anterior de 10%.
Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)
Fonte: StoneX cmdtyView. Elaboração: StoneX.
Variações do dólar comercial | Diária: -0,11% | Semanal: -0,57% | Mensal: -1,65% | Anual: -7,23% | Em 12 meses: -7,97%
Variações do dollar index | Diária: +0,03% | Semanal: +0,72% | Mensal: +0,26% | Anual: +3,20% | Em 12 meses: +4,20%
O MAIS IMPORTANTE: Decisão de juros do FOMC
Impacto esperado na taxa de câmbio do real: altista
EUA: Histórico e expectativa para a taxa de juros – atualizado em 24 de julho de 2026
Fonte: CME FedWatch Tool. Elaboração: StoneX. Refere-se à aposta com maior probabilidade no mercado futuro de juros na data indicada.
Na próxima semana, o mercado de divisas acompanhará a decisão do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), que deve manter a taxa básica de juros americana no intervalo de 3,50% a 3,75% ao ano.
- Com a maior parte dos investidores apostando em uma manutenção dos juros, o foco recai sobre as possíveis sinalizações para os próximos passos da autoridade monetária, embora a leitura possa ser dificultada pelo estilo enigmático do presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh.
Por que isso é importante: A expectativa de uma postura mais cautelosa do Federal Reserve deve reforçar as apostas de juros mais altos por mais tempo no país.
- Isto, por sua vez, tende a elevar o rendimento dos títulos do Tesouro americano (Treasuries) e favorecer a atração de capitais externos, fortalecendo o dólar globalmente.
Dados de inflação surpreendem: As leituras de junho dos Índices de Preços ao Consumidor (CPI) e ao Produtor (PPI) surpreenderam com leituras abaixo das expectativas e apontaram para uma desaceleração da inflação acumulada nos últimos 12 meses de 4,2% para 3,5% e 6,0% para 5,5%, respectivamente.
- A leitura benigna contribuiu para os investidores reduzirem suas apostas para uma alta de juros no curto prazo. Contudo, vale destacar que junho foi marcado pela assinatura de um cessar-fogo e o alívio das tensões militares no Oriente Médio.
- Em julho, no entanto, a reescalada do conflito e o fechamento do Estreito de Bab el-Mandeb favoreceram a recuperação dos preços do petróleo para níveis próximos de US$ 100/barril, o que eleva as preocupações inflacionárias dos investidores.
Medidas de inflação para os Estados Unidos (acumuladas em 12 meses)
Fonte: U.S. Bureau of Economic Analysis (BEA), U.S. Bureau of Labor Statistics (BLS), Federal Reserve Bank of St. Louis. Elaboração: StoneX.
Mercado de trabalho desacelera: O Relatório de Situação de Emprego (“payroll”) de junho apresentou uma leitura muito abaixo das expectativas, com um saldo de 57 mil vagas de emprego, ante projeções de 114 mil.
- Adicionalmente, a leitura de junho foi revisada para baixo, passando de um saldo positivo de 172 mil para 129 mil novos empregos.
- Por outro lado, a taxa de desemprego caiu de 4,3% para 4,2% após 720 mil pessoas saírem da força de trabalho. Com isso, a taxa de participação recuou para 61,5%, o menor patamar desde março de 2021.
Variação no total de empregos urbanos (mil pessoas) e da taxa de desemprego (%) nos Estados Unidos
Fonte: U.S. Bureau of Labor Statistics (BLS), Federal Reserve Bank of St. Louis. Elaboração: StoneX.
Sinalizações dos diretores: Antes do período de silêncio que antecede a reunião, alguns membros do FOMC comentaram publicamente os últimos dados de inflação.
- O presidente do Federal Reserve de Chicago, Austan Goolsbee, ponderou que uma única leitura benigna da inflação não basta para concluir de que a inflação está voltando à meta, reforçando um tom de cautela.
- A diretora Lisa Cook afirmou que prefere aguardar mais evidências de desinflação, mas sinalizou estar preparada para apoiar uma nova alta de juros caso a inflação não continue desacelerando nos próximos meses.
- Em tom mais otimista, o presidente do Federal Reserve de Nova York, John Williams, reconheceu que a inflação segue elevada, mas destacou sinais encorajadores de que o pico inflacionário teria ficado para trás, com uma possível desaceleração gradual pela frente. Williams também classificou a política monetária atual como "bem-posicionada".
- Por fim, o presidente do Fed apenas reiterou seu compromisso com o controle da inflação e afirmou que a leitura benigna dos dados de inflação não significava uma “missão cumprida”. Para atingir seu objetivo de retomada da inflação à meta, Warsh não ofereceu nenhum tipo de direcionamento (“forward guidance”).
Esperar para ver: Nesse contexto, a expectativa é de uma postura de “esperar para ver” por parte das autoridades monetárias, reforçada pela recente retomada do conflito no Oriente Médio.
- Os diretores do FOMC devem estar atentos aos próximos indicadores econômicos, em especial os de inflação, para avaliar possíveis impactos da alta do petróleo sobre a economia americana.
- Sinais de reaceleração inflacionária, somados à incerteza sobre as negociações diplomáticas entre EUA e Irã, tendem a reforçar a tese de manutenção dos juros em patamares restritivos, podendo, inclusive, fortalecer discussões sobre altas de juros.
- Do outro lado, apenas um cenário de leituras benignas consistentes deve fortalecer discussões sobre espaço para cortar juros.
Inflação nos EUA
Impacto esperado na taxa de câmbio do real: baixista
Medidas de inflação para os Estados Unidos (%)
Fonte: U.S. Bureau of Economic Analysis (BEA), U.S. Bureau of Labor Statistics (BLS), Federal Reserve Bank of St. Louis. Elaboração: StoneX.
Após a decisão de juros do FOMC, os investidores devem acompanhar a leitura de junho do Índice de Preços para Despesas com Consumo Pessoal (PCE), indicador favorito do Fed para acompanhamento da inflação.
Por que isso é importante: Sinais de desaceleração inflacionária tendem a reduzir as apostas de altas de juros no curto prazo, o que tende a reduzir a atratividade dos títulos americanos (Treasuries) e enfraquecer o dólar globalmente.
Preocupações inflacionárias: Tendo em vista as leituras benignas dos Índices de Preços ao Consumidor (CPI) e ao Produtor (PPI) em junho, que surpreenderam e apontaram para uma deflação de 0,4% e 0,2%, respectivamente, é esperado que o PCE do mesmo período também apresente uma leitura benigna.
- Contudo, vale destacar que junho correspondeu ao período de assinatura do acordo de cessar-fogo provisório entre EUA e Irã, o que favoreceu uma queda dos preços do petróleo e alívio de possíveis pressões inflacionárias globais através da commodity energética.
- A leitura de junho do PCE deve ser um importante indicador para os investidores, mas que não reflete o atual cenário geopolítico mundial, marcado pela retomada do conflito no Oriente Médio e recuperação dos preços do petróleo.
- No cenário atual, os investidores buscam calibrar suas expectativas para os possíveis impactos da retomada do conflito.
Atividade econômica: Além do PCE, haverá a divulgação da primeira leitura do Produto Interno Bruto (PIB) americano no 2°semestre, que deve indicar possíveis impactos do conflito no Oriente Médio sobre a atividade econômica.
- As projeções apontam para um crescimento de 2,3% (taxa anualizada) no período, o que representaria uma aceleração em relação ao crescimento de 2,1% (taxa anualizada) registrado no trimestre anterior.
Inflação no Brasil
Impacto esperado no USDBRL: baixista
Na cena doméstica, o indicador de destaque deve ser o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de julho, que deve captar os possíveis primeiros impactos inflacionários da retomada do conflito no Oriente Médio.
Por que isso é importante: Sinais de reaceleração inflacionária tendem a reduzir as apostas de manutenção do ciclo de cortes de juros pelo Comitê de Política Monetária (Copom), o que deve elevar os rendimentos dos títulos públicos domésticos e fortalecer o real globalmente.
Dados recentes: O indicador de preços mais recente foi a leitura de junho do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que apontou para uma inflação de 0,16%, abaixo das expectativas de alta de 0,31% dos investidores.
- Com o resultado, a inflação acumulada em 12 meses recuou de 4,72% para 4,64%, ainda acima das margens de tolerância das metas inflacionárias.
- Assim como no caso americano, a leitura de junho correspondeu ao período de assinatura do acordo de cessar-fogo provisório entre EUA e Irã, o que reduziu o preço do petróleo e possíveis pressões inflacionárias transmitidas via commodity energética.
Expectativas: No último boletim Focus, a projeção mediana para a inflação acumulada em 2026 aponta para uma alta de 5,15%, o que indica que as instituições financeiras esperam por uma alta da inflação frente aos níveis atuais.
- Para segunda-feira (27), a nova publicação do boletim deve fornecer as novas projeções das instituições, tendo em vista a forte alta de mais de 9% do petróleo registrada nessa semana.
EUA e Irã entram na terceira semana seguida de hostilidades
Impacto esperado na taxa de câmbio do real: altista
As tensões entre Estados Unidos e Irã seguem sem uma solução diplomática à vista e, amanhã, entram na terceira semana consecutiva de hostilidades.
- Após o fracasso das negociações de paz e da tentativa de estabelecer um memorando de entendimento entre os dois países, os confrontos continuam se intensificando, enquanto novas propostas de cessar-fogo também têm encontrado resistência.
- A continuidade do conflito voltou a impulsionar os preços internacionais da energia, com o petróleo Brent se aproximando novamente da marca de US$ 100 por barril.
Por que isso é importante: Em momentos de maior incerteza geopolítica, investidores costumam reduzir exposição a ativos considerados mais arriscados e direcionar recursos para ativos de proteção, como o dólar americano e os títulos do Tesouro dos Estados Unidos.
- Nesse ambiente, moedas de países emergentes, como o real brasileiro, costumam sofrer pressão adicional.
- Assim, caso o conflito permaneça sem avanços diplomáticos ou apresente uma nova escalada ao longo da semana, o aumento da demanda global por ativos considerados seguros pode contribuir para um fortalecimento do dólar frente ao real, mantendo o mercado cambial mais pressionado.
Taxa Ptax de fim de mês
Impacto esperado no USDBRL: indefinido
Taxa Ptax de fim de mês – venda (R$/US$)
Fonte: Banco Central do Brasil. Elaboração: StoneX.
O volume de negócios e a volatilidade da taxa de câmbio devem aumentar no último pregão de julho, por conta da formação da taxa Ptax de fim de mês.
- A taxa Ptax é uma referência divulgada diariamente pelo BC e seu valor de fim de mês é muito utilizado em contratos de câmbio e derivativos.
- O Banco Central calcula seu valor através da média das cotações obtidas durante quatro janelas de horários de consulta, entre as 10h00min e as 13h10min.
Por que isso é importante: Operadores do mercado financeiro intensificam suas operações nos intervalos de formação da última taxa Ptax do mês para tentar influenciar seu valor em um sentido mais vantajoso para suas posições, o que dificulta a leitura sobre os movimentos do real no dia.

TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e StoneX cmdtyView.