O Relatório Trimestral de Perspectivas para Commodities já está disponível gratuitamente.  Faça seu download.  →

Logotipo da StoneX

Resumo Semanal de Câmbio

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Dólar abre a semana em queda,
cotado abaixo de R$5,20
 
Vitor Andrioli
Leonardo Rossetti
Leonel Oliveira Mattos
Semana deve contar com cenário externo positivo,
mas tensões fiscais e políticas internas

fatores altistas
  • Elevada tensão entre o Palácio do Planalto e demais poderes às vésperas do 7 de setembro;
  • Impactos do avanço da variante delta do coronavírus pelo globo;
  • Fracasso no avanço da reforma do Imposto de Renda na Câmara dos Deputados.
 
fatores baixistas
  • Federal Reserve deve manter estímulos econômicos à economia americana, o que deve apoiar ativos mais arriscados;
  • Semana deve apresentar indicadores positivos para o mercado de trabalho nos EUA;
  • Ministério da Economia, STF, Câmara e Senado trabalham para encontrar nova solução para precatórios dentro do teto de gastos.
 
Na última semana, o par real/dólar apresentou forte baixa, encerrando a sexta cotado a R$ 5,212, perda semanal de 3,2% e praticamente devolvendo todos os ganhos acumulados no mês. O dollar index também apresentou forte desvalorização, após o discurso do presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, apaziguar os mercados e aumentar o apetite por riscos, terminando a sexta-feira cotado a 92,7 pontos, variação de -0,9% ante a sexta anterior e de +0,5% no mês.
Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)
image 16848
Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro. Elaboração: StoneX.

Na semana passada, em discurso ao Simpósio de Jackson Hole, Wyoming, o presidente do Fed, Jerome Powell, defendeu uma estratégia cautelosa para a redução dos estímulos monetários à economia estadunidense. Embora tenha reconhecido que a atual aceleração nos níveis de preços é preocupante, Powell afirmou que não deseja enfrentar uma inflação que “provavelmente se provará temporária”, visto que tal combate poderia prejudicar a recuperação econômica e a retomada do nível de empregos. Em sua avaliação, as presentes taxas de inflação se devem a grupos restritos de bens e serviços que foram impactados pelas medidas de confinamento para combate à pandemia, pela reabertura dos setores em ritmos desalinhados e por uma forte recuperação da demanda, como bens duráveis e o setor de energia. A escassez de matérias primas e outros gargalos logísticos também contribuíram para esse aumento de preços que, para Powell, será abrandado com o tempo.

Por outro lado, o presidente do Fed argumentou que “pode ser apropriado [iniciar] (...) neste ano” a redução no programa de compra de ativos corporativos da instituição, um de seus principais instrumentos de injeção de liquidez, caso a economia continue avançando em direção ao “progresso substantivo” almejado pela autarquia. Sem especificar uma data, o Fed “estará avaliando cuidadosamente novos dados e a evolução dos riscos” para tomar essa decisão, observando não apenas os indicadores econômicos, como também os impactos causados pela variante delta do coronavírus. Acima de tudo, Powell disse que o banco central está preparado para ajustar a rota frente a novas informações.

Cenário Externo

A postura de avaliar cuidadosamente a economia antes de promover mudanças de Powell acalmou as ansiedades do mercado de moedas ao término da semana passada. Nesta semana, haverá a divulgação de uma série de indicadores relevantes para analisar o progresso das metas do Fed, principalmente o Relatório da Situação do Emprego, publicado na sexta-feira. Em função do aumento do número de casos de Covid-19 nos EUA, causados pela variante delta, analistas de mercados aguardam um leve arrefecimento no ritmo de crescimento de vagas de trabalho, com a mediana das expectativas apontando para 740 mil novos postos de trabalho em agosto, após crescimento de 943 mil em julho. Também se visualiza uma redução da taxa de desemprego de 5,4% em julho para 5,2% em agosto. De forma semelhante, para as solicitações semanais do auxílio-desemprego, divulgadas às quintas-feiras, a mediana das expectativas aponta para 350 mil novas solicitações, aproximadamente no mesmo nível da semana anterior, quando se solicitaram 353 mil novos benefícios.

Outro indicador de destaque da semana será o índice composto de atividade, medido pela agência ISM, tanto para a atividade manufatureira como para o setor de serviços. Também pelos impactos do aumento dos infectados pelo novo coronavírus, espera-se um ritmo mais lento de expansão da atividade econômica no mês de agosto, sobretudo no setor de serviços. Caso essas previsões se confirmem, pode-se imaginar uma posição mais cautelosa do Fed antes de iniciar uma contração em suas políticas monetárias, em que pese a discordância de alguns membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), que desejam reduzir os estímulos em passo mais acelerado.

Nesta segunda, os Estados Unidos começaram a evacuar seu corpo diplomático do Afeganistão, em sinal de que a retirada de americanos do país avançava para suas etapas finais. O fim abrupto e caótico da presença militar dos Estados Unidos, findada com o retorno do grupo que comandava o país antes dos atentados às torres gêmeas, combinado com um violento atentado terrorista que vitimou 13 americanos e 90 afegãos, trouxe pessimismo aos mercados financeiros globais e busca por ativos considerados seguros, como os títulos denominados em dólar.

No Congresso americano, os democratas buscam aproveitar o orçamento aprovado de US$ 3,5 trilhões para propor projetos de lei dentro desse montante e aprová-lo apenas com os votos do partido, que detém pequena maioria, numa manobra conhecida por “reconciliação”. O foco estará sobre os comitês responsáveis pela redação dos projetos, cujo prazo de entrega para os textos é de 15 de setembro. O Partido Democrata precisará alinhar a sua base em relação aos números de gasto fiscal e de receita tributária que tentará aprovar no plenário, visto que a proposta inicial de US$ 3,5 trilhões de dólares de gasto fiscal é tida como pouco provável. Analistas mencionam gastos aproximadamente em US$ 3 trilhões e receita tributária aproximadamente em US$ 1,2 trilhões como números mais prováveis.

Por fim, é digno de nota a continuidade do avanço dos novos casos e hospitalizações da Covid-19 no patamar global. Em que pese o avanço da imunização – 39,7% da população global já recebeu, pelo menos, uma dose da vacina – o número de infectados pela doença torna a preocupar, com Israel, Estados Unidos, Reino Unido, Tailândia, Japão, Filipinas e Vietnã se destacando entre o crescimento na média móvel semanal. Causou preocupação, ainda, a descoberta de um lote contaminado de vacinas da Moderna no Japão, atingindo potencialmente até 2,6 milhões de doses e com a suspeita de terem causado duas mortes. As apreensões dos mercados se justificam, também, devido ao elevado número de casos atualmente em comparação com agosto do ano passado, gerando incerteza sobre a dinâmica da doença durante o outono e o inverno do hemisfério norte.

Cenário Doméstico

No Brasil, a taxa de câmbio alternou perdas e ganhos ao longo desta segunda-feira (30), encerrando o dia cotada em R$ 5,189, queda de 0,1% em relação à sexta. A agenda de indicadores externa e doméstica será cheia, e a semana reserva importantes indicadores domésticos sobre nível de preços (IGP-M), na segunda, sobre o mercado de trabalho, na terça, sobre o PIB e as contas nacionais, na quarta, sobre atividade industrial, na quinta e sobre a atividade econômica (PMI), na sexta.

Mais uma vez, a semana se inicia com elevada tensão entre os Poderes da República. A iniciativa de governadores para reunião conjunta com representantes não parece que renderá frutos, visto que apenas o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), confirmou a presença até o momento. No sábado, em discurso a líderes evangélicos, o presidente da República, Jair Bolsonaro, voltou a criticar a atuação do presidente do Tribunal Superior Eleitoral e ministro do Supremo Tribunal Federal, Luis Roberto Barroso, e alertou para supostos limites que não estaria disposto a tolerar. “Temos um presidente que não deseja e nem provoca rupturas, mas tudo tem um limite em nossa vida. Não podemos continuar convivendo com isso”, afirmou. Ao falar sobre o futuro, o presidente enumerou três possibilidades: “estar preso, ser morto ou a vitória. Pode ter certeza: a primeira alternativa, preso, não existe”. Ausente da lista de possibilidades está a derrota eleitoral. Nesta segunda, em entrevista veiculada em suas redes sociais, o presidente vinculou a fala diretamente aos inquéritos que responde no STF. “Eu quis dizer que está uma pressão muito grande. Você pode ver, quando a gente fala em voto eletrônico, voto impresso, passou a ser crime. Quando você fala em tratamento precoce, passou a ser crime”, explicou.

Contribui para o ambiente de incerteza e intranquilidade as convocações do líder do Planalto para manifestações no dia 7 de setembro após a prisão de bolsonaristas que convocavam atos para esse dia com pautas antidemocráticas, tais como o fechamento do STF com a participação ativa das forças armadas. Bolsonaro está sendo criticado por constantemente atacar a credibilidade das eleições, a lisura do judiciário e seus juízes e ameaçar não respeitar uma eventual derrota em eleições.

Neste final de semana, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) buscou organizar uma nota pedindo pacificação política e a harmonia entre os três poderes. A Fiesp desejava que o documento fosse assinado por diversas entidades. Contudo, a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil, controlados pela União, ameaçaram sair da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) caso ela fosse publicada, pela avaliação de que marcava um posicionamento político contrário ao governo Jair Bolsonaro. Em função da resistência, a Fiesp adiou a publicação do manifesto.

A instabilidade no cenário político, como um todo, aumenta a incerteza do ambiente de negócios e pode resultar na exigência de maiores prêmios de risco por parte dos investidores. Como consequência, a atratividade da moeda brasileira pode ser negativamente afetada.

A agenda legislativa deve ser um dos fatores de destaque esta semana. Na Câmara, após o fracasso em avançar com a reforma do Imposto de Renda (PL 2337/2021), a Comissão de Finanças e Tributação deve discutir a prorrogação da desoneração da folha de pagamentos dos 17 setores beneficiados durante a pandemia por meio do PL 2541/2021. Os líderes do governo dificilmente insistem em propostas que perdem no plenário, preferindo dedicar-se a novas propostas. No momento, não há consenso com o texto atual da reforma do Imposto de Renda, nem com a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que cria o Imposto sobre Valor Agregado (PEC 110/2019). Por isso, analistas avaliam que o projeto de desoneração possui mais chances de ser aprovado.

Já o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), busca pautar o Projeto de Lei Complementar do Código Eleitoral (PLP 112/2021) ainda esta semana. O projeto, em discussão desde fevereiro, possui diversos pontos polêmicos, como a remoção do artigo da Lei da Ficha Limpa que torna inelegível o político que renuncia ao mandato para evitar a cassação, a imposição de quarentena de cinco anos para a candidatura de policiais, juízes, promotores e servidores da segurança pública e a imposição de medidas de interferência sobre empresas de redes sociais.

No Senado, a CPI da Covid-19 caminha para seu encerramento, mirando a apresentação do relatório do senador Renan Calheiros (MDB-AL), que deve sair no próximo mês. A tendência é de que o documento se concentre sobre supostos esquemas de corrupção que teriam acontecido na compra de vacinas e testes de Covid-19 e a existência de um gabinete paralelo de aconselhamento ao presidente Bolsonaro no combate à pandemia, que teria como consequência a escolha da estratégia da “imunidade de rebanho”.

Hoje, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que a solução proposta pelo presidente do STF, ministro Luiz Fux, para o tema dos precatórios é considerada "extremamente eficaz" e conta com apoio do Ministério da Economia. Na semana passada, Fux apresentou uma solução que limitaria o pagamento da pesada conta de precatórios em 2022 de acordo com a mesma dinâmica da regra do teto de gastos, ou seja, as dívidas governamentais não poderiam crescer mais que a inflação medida pelo IPCA nos 12 meses até junho do ano anterior. De acordo com a agência de notícias Reuters, a proposta formal é que a base de cálculo retroaja a 2016, quando passou a vigorar a regra do teto, o que levaria o pagamento máximo de precatórios em 2022 a cerca de R$ 40 bilhões, um corte de R$ 49,1 bilhões em relação aos R$ 89,1 bilhões previstos para o próximo ano. Nesta terça-feira, Guedes, Fux e os presidentes da Câmara e do Senado, deputado Arthur Lira (PP-AL) e senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG), se reunirão para avançar no texto jurídico da proposta.

É digno de nota, ainda, que o governo de Jair Bolsonaro precisa enviar até amanhã, 31 de agosto, o projeto da Lei Orçamentária Anual (PLOA) que discrimina todos os gastos do governo federal para 2022. Até o momento, a expectativa é de que a matéria seja enviada com o valor atual previsto para o Bolsa Família, sem o aumento previsto para o Auxílio Brasil, e com o valor real dos precatórios (R$ 89 bilhões).

Agenda Semanal
BRASIL
image 16846
eSTADOS uNIDOS
image 16845
* Horário de Brasília.
tabela de indicadores
image 16840
Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e CommodityNetwork Trader’s Pro.
 
  • Moedas

Este documento contém opiniões do autor e não necessariamente reflete as estratégias da StoneX. As previsões de mercado são especulativas e podem variar. O investidor é responsável por qualquer decisão baseada neste material. A StoneX só negocia com clientes que atendem aos critérios legais. O aviso legal completo está em https://www.stonex.com/pt-br/termos-e-condicoes/.

É proibida a cópia ou redistribuição deste material sem permissão da StoneX.

© 2026 StoneX Group, Inc.

Vista por satélite da Terra à noite mostrando cidades iluminadas na Ásia e no Oriente Médio

Descubra mais insights

Nossos assinantes têm acesso às análises de mercado da StoneX, abrangendo commodities, ações, moedas e muito mais.

Abrimos mercados

Utilizamos nosso capital, conhecimento e profunda experiência para proteger as margens de nossos clientes, reduzir custos e fornecer soluções personalizadas para obter sucesso nos mercados globais competitivos de hoje.

Confiança

Valorizamos relacionamentos próximos e de longo prazo com nossos clientes. Ao oferecer o melhor serviço e suporte tecnológico, nossos clientes confiam em nós para entrar nos mercados mais desafiadores e atender aos seus pedidos mais difíceis.

Transparência

Oferecemos preços competitivos e transparentes, além de entrega garantida e segura em mais de 140 moedas em mais de 185 países.

Especialização

Com insights e informações de todo o mundo, fornecemos aos nossos clientes notícias, dados e comentários agregados de todas as vertentes de nossos mercados, desde interconexões de complexos de commodities até fluxos globais de capital.