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Resumo Semanal de Câmbio

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Dólar abre a semana em alta, cotado a R$ 5,379
 
Vitor Andrioli
Leonardo Rossetti
Leonel Oliveira Mattos
Câmbio deve refletir ambiente de cautela internacional, com riscos de fechamento do governo dos EUA e cenário incerto da Evergrande
 
fatores altistas
  • Possibilidade de fechamento do governo americano, caso o Senado não aprove extensão da capacidade de gastos até 1º de outubro.
  • Incerteza sobre a situação financeira da incorporadora Evergrande, com possibilidades de contágio financeiro global, e em particular sobre ativos arriscados, como de países emergentes.
  • Relatório Trimestral de Inflação deve revelar a preocupação do Banco Central com o tema e reafirmar os riscos de persistência inflacionária.
 
fatores baixistas
  • Ata da decisão do Copom deve reassegurar analistas do compromisso da autoridade monetária com a estabilidade de preços.
  • Dados do mercado de trabalho podem ser positivos, especialmente do Caged, mostrando evolução positiva da atividade econômica.
  • IGP-M pode surpreender positivamente, visto que já se espera um resultado negativo para o mês de setembro.
Em uma semana marcada pelas decisões de política monetária do Federal Reserve (Fed) e do Banco Central (BC), a taxa de câmbio do real brasileiro encerrou a sessão de sexta-feira (24) cotada a R$ 5,344, ganho de 1,1% ante a sexta-feira anterior. Já o dollar index emendou sua terceira semana de alta, sendo cotado a 93,3 pontos no fechamento do pregão de sexta, alta de 0,2% na semana. A expectativa de contração monetária nos Estados Unidos, fortalecida pelo tom mais firme do comunicado do Fed após sua decisão de política monetária, aumentou a demanda por ativos denominados em dólar foi estimulada, elevando, consequentemente, a demanda pela moeda do país. Ademais, preocupações globais com a situação financeira da empreiteira chinesa Evergrande contribuiu para a fuga de ativos arriscados. A divisa americana se valorizou perante as principais moedas do globo, e o real não fugiu à regra. No cenário interno, o aumento da taxa básica de juros (Selic) em 1 ponto percentual não foi o suficiente para contrabalançar este movimento de venda do real, que foi auxiliado, em partes, pela divulgação do índice IPCA-15 para o mês de setembro em 1,14%, maior valor para o mês desde o início do Plano Real.
Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)
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Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro. Elaboração: StoneX.

Cenário Externo

Após a decisão de política monetária do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), o foco se volta para a política fiscal. O Congresso precisa aprovar antes de 1º de outubro uma resolução que estenda a liberdade de gastos do Executivo, de forma a evitar o fechamento do governo. A Câmara dos Deputados já aprovou uma resolução que expande essa capacidade de gastos até 3 de dezembro, adicionando a ela uma provisão que suspende o limite de endividamento público até dezembro de 2022. Na Câmara, a medida foi aprovada exclusivamente com votos de deputados Democratas (220 votos), e todos os Republicanos se posicionaram contrariamente à medida. Para que a resolução entre em vigor, contudo, é necessário que ela seja aprovada também no Senado, onde serão necessários 60 votos em uma assembleia igualmente dividida entre 50 senadores Democratas e 50 Republicanos. Contudo, os Republicanos estão se recusando a aprovar uma resolução que contenha essa provisão.

O limite de endividamento é uma lei estabelecida em 1917 que estabelece o máximo que o Departamento do Tesouro americano pode emitir de dívidas para pagar suas despesas. Segundo esse Departamento, desde 1960, o Congresso autorizou em 78 ocasiões a elevação ou a suspensão temporária do limite da dívida. A última suspensão do limite de endividamento veio em 2019, sob o governo Trump, e, com os estímulos fiscais para a recuperação da pandemia de Covid-19, o governo de Joe Biden argumenta que necessita de uma nova extensão para adequar o orçamento público. Ademais, ele justifica que os impactos de medidas adotadas no governo Trump ainda possuem impacto no orçamento atual, como os próprios estímulos fiscais contra a pandemia, a reforma tributária de 2017 e a elevação de gastos militares e com a defesa.

Os Republicanos, cujo governo Trump acresceu à dívida pública mais de US$ 7,8 trilhões em quatro anos, se mostram resistentes em aprovar a suspensão do limite de endividamento público até dezembro de 2022 pois argumentam que os Democratas usarão a medida para aprovar unilateralmente seu pacote de estímulo à infraestrutura, de até US$ 3,5 trilhões ao longo de dez anos. Aparentemente, como não há indícios de que dez senadores republicanos apoiarão a resolução democrata, a expectativa é de que ela seja levada a voto em plenário e fracasse até o final desta semana, forçando o fechamento do governo e provocando oscilações no mercado de divisas. Após esse fracasso, a alternativa mais viável parece ser aprovar no Senado uma versão da resolução que contenha apenas a extensão da liberdade de gastos do Executivo e que os senadores retornem à mesa de negociação quanto ao endividamento público.

É digno de nota, também, que, nesta semana, estão programados nada menos que treze discursos e aparições na mídia de integrantes do FOMC, como Jerome Powell, Charles Evans, John Williams, James Bullard, Raphael Bostic e Patrick Harker. Será importante observar como estes integrantes descreverão o debate em torno da redução do programa de compra de ativos do Federal Reserve, especialmente sobre o horizonte temporal para tais cortes. Segundo Powell afirmou em entrevista na semana passada, tal redução pode ser anunciada na próxima reunião do FOMC e o programa de compra de ativos pode ser encerrado em meados do ano que vem. Dependendo dos temas tratados nestas aparições, pode haver alguma volatilidade pontual no mercado de moedas.

Por fim, o mercado de divisas acompanha com preocupação a situação financeira da incorporadora imobiliária Evergrande, uma das empresas mais endividadas do mundo, com dívidas superiores a US$ 300 bilhões. Segundo a agência de notícias Reuters, a empresa não saldou os juros de obrigações financeiras denominadas em dólar que venceram na quinta-feira passada (23) após perder o pagamento de outras obrigações que venceram na segunda passada (20). Os títulos têm um prazo de carência de 30 dias antes de serem considerados efetivamente não pagos. Já a subsidiária China Evergrande New Energy Vehicle Group, montadora de automóveis elétricos, divulgou que, sem a injeção de liquidez em caixa ou a venda de ativos, ela perderá a capacidade de pagar fornecedores e funcionários, afetando sua capacidade de produção.

Nesta segunda (27), em nota divulgada após o encontro trimestral do Comitê de Política Monetária chinês, o Banco Central Popular da China (PBoC) não fez qualquer menção à Evergrange, mas incluiu uma frase prometendo “salvaguardar os direitos legítimos e os interesses dos consumidores [do mercado] de habitação”. Já o Departamento de Regulações Financeiras de Shenzhen, de acordo com a agência de notícias Reuters, enviou carta a investidores informando que abriu uma “investigação abrangente” sobre os problemas das empresas China Evergrande e Evergrande Wealth, em resposta a demanda de investidores. Na carta, os reguladores também exortam a companhia a negociar com os investidores de forma a honrar suas obrigações.

Cada vez mais próxima de um “default”, os analistas de mercado discutem quais seriam os efeitos de contágio caso a empreiteira efetivamente declarasse falência, visto que seus passivos estão organizados em uma complexa rede de financiamentos com bancos, detentores de títulos, fornecedores e proprietários de imóveis. Até o momento, aparentemente a crise da empresa pouco afetou o mercado de crédito chinês. O Banco Central chinês atuou pesadamente na semana passada, com a injeção de US$ 71 bilhões em liquidez no sistema financeiro para acalmar investidores, segundo a agência de notícias Bloomberg. Contudo, o silêncio das autoridades do país – e da própria companhia – sobre o tema contribui para o clima de incerteza nos mercados financeiros, visto que não há garantias de que a autoridade monetária chinesa atuará para conter a falência da Evergrande. Por um lado, alguns argumentam que o Partido Comunista Chinês não permitirá uma crise em larga escala em seu setor financeiro. Por outro lado, as intervenções recentes dos reguladores chineses foram no sentido de conter o apetite e o risco excessivo dos setores, e há quem argumente que salvar a Evergrande poderia ser mal interpretado dentro da economia chinesa. Por isso, muitos acreditam que, se houver uma intervenção do PBoC para ajudar a empresa, ela provavelmente será limitada.

Cenário Doméstico

O par real/dólar se elevou nesta segunda-feira, encerrando o dia cotado a R$ 5,379, aumento de 0,6% em relação ao fechamento de sexta (24). O mercado de moedas refletiu um cenário de fortalecimento do dólar, em que os investidores apostam em uma contração monetária em breve por parte da autoridade monetária americana. A taxa dos títulos de dez anos americanos foi a 1,516% hoje, seu maior valor em três meses. No cenário interno, o anúncio de uma coletiva de imprensa da Petrobras para a tarde de hoje levantou temores sobre uma mudança na política de preços para os combustíveis e contribuiu para a desvalorização do real. O presidente da estatal, general Silva e Luna, afirmou, no entanto, que isso não ocorrerá, o que ajudou o câmbio a recuar levemente antes do encerramento do pregão.

Nesta terça-feira (28), o Banco Central divulga a ata da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), da quarta da semana passada, em que o Comitê elevou a taxa Selic de 5,25% ao ano para 6,25% ao ano e indicou que deve realizar novo reajuste de mesma magnitude na próxima decisão de política monetária, em outubro. A decisão foi tomada em função das taxas elevadas de inflação, que se mostram mais persistentes do que o antecipado anteriormente. Em comunicado após sua decisão, o Copom explicitou que a aceleração nos níveis de preço possui diversas causas subjacentes, como: i) o aumento de preços em bens industriais, que, por sua vez, decorrem dos gargalos logísticos e de restrições de oferta frente à forte demanda; ii) pressões de commodities voláteis, como combustíveis e alimentos; iii) crise hídrica, que eleva os custos de produção de alimentos e de energia elétrica; e iv) câmbio em patamar desvalorizado, que pressiona o custo de insumos e mercadorias importadas. “O Copom considera que, no atual estágio do ciclo de elevação de juros, esse ritmo de ajuste é o mais adequado para garantir a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante e, simultaneamente, permitir que o Comitê obtenha mais informações sobre o estado da economia e o grau de persistência dos choques”, afirmou o Comitê, em seu comunicado.

Tal reajuste veio em linha com as falas recentes do presidente do BC, Roberto Campos Neto, de que a autarquia não pretende alterar o plano de ação a cada novo dado de inflação, mas que o objetivo central de sua atuação é a estabilidade de preços da economia. Ao indicar que “neste momento, (...) [é] apropriado que o ciclo de aperto monetário avance no território contracionista”, o Copom explicita que atuará firmemente o patamar de aumento de preços para o centro da meta da instituição.

Nesta semana, será importante atentar-se para a divulgação do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), na quarta-feira, e do Relatório Trimestral de Inflação, na quinta. O IGP-M, que acumula alta de 31,12% nos últimos 12 meses, deve apresentar uma rara aceleração negativa neste mês devido à forte retração do preço de minério de ferro e seu peso elevado dentro do Índice de Preços no Atacado. A mediana do boletim Focus, que coleta as expectativas das instituições financeiras, aponta para uma variação de -0,26%. Já o Relatório Trimestral de Inflação permitirá conhecer em detalhes as análises que embasam as decisões do Copom e as perspectivas para o futuro próximo.

Por fim, nesta semana serão divulgados dados para o mercado de trabalho no Brasil, quando, na quinta-feira (30), serão publicados tanto o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Previdência, quanto a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADc). Enquanto o Caged revela apenas a realidade do mercado formal de emprego e deve ser destacada pelo governo, visto que os números provavelmente serão positivos, os dados da PNADc exprimem com maior profundidade o mercado de trabalho ao considerar todas as categorias de ocupação, sendo usado para medir a taxa de desemprego oficial.

AGENDA DE INDICADORES

 

Brasil
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* Horário de Brasília.
Estados Unidos
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* Horário de Brasília.
 
tabela de indicadores
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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e CommodityNetwork Trader’s Pro.
 
  • Moedas

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